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Descoberta do bosão de Higg é "maior herança" do LHC

O diretor de Aceleradores e Tecnologia do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) considera a descoberta do bosão de Higgs "a maior herança" do maior acelerador de partículas do mundo, que passará à reforma em 2040.

Descoberta do bosão de Higg é "maior herança" do LHC
Notícias ao Minuto

13:00 - 08/09/18 por Lusa

Tech CERN

"Foi a maior descoberta da física dos últimos anos, a maior herança do LHC", afirma Frédérick Bordry à Lusa, a propósito dos 10 anos do LHC (Large Hadron Collider, Grande Colisionador de Hadrões), que se assinalam na segunda-feira.

No acelerador, um túnel circular de 27 quilómetros, são geradas colisões de protões (que são hadrões) e iões pesados a altas energias para se compreender melhor a composição do Universo.

Frédérick Bordry lembra que o bosão de Higgs, descoberto em 2012 com experiências feitas no acelerador, era a peça que faltava ao modelo-padrão da física de partículas, teoria que descreve as partículas elementares que compõem a matéria do Universo.

O bosão de Higgs é a partícula elementar que "explica como as partículas adquirem a sua massa".

Aos que lhe perguntam para que serve na prática o bosão de Higgs, Frédérick Bordry tem respondido que um dia servirá para alguma coisa, tem sido assim com as descobertas.

"Descobrem-se as coisas e alguns anos depois temos a sua aplicação na sociedade", refere.

O diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN recorda que quando o eletrão foi descoberto em 1897, pelo físico britânico Joseph John Thomson, "não se sabia o que era a eletrónica, nunca se tinha ouvido falar".

A eletrónica, que hoje está por todo o lado, por exemplo em diversos componentes de computadores e equipamentos de telecomunicações, tem por base os eletrões, partículas de carga negativa. E a colisão de eletrões (contra um alvo de metal pesado) está na origem da tecnologia de raios-X usada nos exames de diagnóstico médico como radiografias ou tomografias.

Bordry reforça que a Web, a maior rede mundial de comunicação, foi inventada no CERN em 1989 pelo cientista britânico Tim Berners-Lee. Um caso, salienta, de como a "investigação fundamental foi transferida para a sociedade".

Para processar os dados resultantes de milhares de milhões de colisões de partículas, o CERN criou um sistema de cálculo computacional que serviu de modelo para o processamento de informação sobre o genoma ou o clima.

"A grande descoberta do CERN é o conhecimento", enfatiza.

Uma vez descoberto o bosão de Higgs, a peça essencial que faltava no 'puzzle' da física de partículas, o que falta descobrir?

"Procurar para lá do Modelo-Padrão. Questão fundamental: o que pode haver para lá do Modelo-Padrão?", interroga Frédérick Bordry, sublinhando que o modelo-padrão da física das partículas "só explica" uma ínfima parte da matéria do Universo, cerca de cinco por cento, a que é visível. Falta o resto, a matéria e a energia escuras.

O desempenho do LHC, que tem uma 'esperança de vida' até 2040, vai ser melhorado para que possa "produzir dez vezes mais colisões entre 2025 e 2035". A probabilidade de se "descobrir propriedades físicas muito raras" será maior, justifica o diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN.

Ao mesmo tempo que se trabalha no novo 'upgrade' do acelerador, que irá parar por duas vezes, entre 2019 e 2025, estão a ser desenvolvidas novas tecnologias para o seu sucessor, como "supercondutores mais potentes". Um novo modelo de computação para tratar 'big data' (quantidades astronómicas de dados) terá de ser igualmente criado.

Frédérick Bordry diz que "é difícil prever como será a informática em 2040", mas faz um reparo: "Os informáticos pensam com dez anos de avanço, os técnicos dos aceleradores com 25 anos".

"Estamos já a pensar como vamos fazer face ao grande número de dados depois de 2025", assinala, numa referência ao 'upgrade' do LHC de alta luminosidade.

Em 2025, "decisões têm de ser tomadas" quanto à construção do novo acelerador de partículas, para o qual foram desenhadas duas soluções.

Uma sugere um acelerador circular de 100 quilómetros (mais 73 quilómetros do que o perímetro do LHC) que poderá fazer colisões de protões a uma energia oito vezes mais elevada do que a do LHC e entre eletrões e positrões (antipartículas dos eletrões).

O segundo cenário aponta para a construção de um acelerador retilíneo com o comprimento inicial de 11 quilómetros (podendo chegar no final aos 50 quilómetros) para colidir eletrões e positrões.

Os físicos esperam que, quer numa opção quer na outra, se possam descobrir novas partículas e saber mais sobre a composição do Universo.

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