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Português condenado nos EUA perde três embarcações e 34 licenças

O empresário português Carlos Rafael, que foi condenado nos EUA a 46 meses de prisão efetiva em setembro por venda ilegal de peixe e tráfico de dinheiro, terá três das suas embarcações e 34 licenças de pesca confiscadas.

Português condenado nos EUA perde três embarcações e 34 licenças
Notícias ao Minuto

23:54 - 11/10/17 por Lusa

País Venda ilegal

O juiz federal William Young decidiu hoje não confiscar outras embarcações e licenças porque não estavam diretamente envolvidas nos crimes cometidos. As embarcações agora apreendidas estão avaliadas em 2,2 milhões de dólares (cerca de 1,9 milhões de euros).

A 26 de setembro, Carlos Rafael foi condenado a 46 meses de prisão efetiva, mais três anos de liberdade condicional, e ao pagamento de uma multa de 200 mil dólares (170 mil euros).

No início do ano, Rafael, de 65 anos, tinha confessado a culpa em 28 crimes, incluindo conspiração, incorreta classificação de peixe, contrabando de dinheiro, fuga de impostos e falsificação de registros federais.

Minutos antes da leitura da sentença, Carlos Rafael pediu que o seu advogado lesse uma declaração escrita por si.

"Isto foi a coisa mais estúpida que já fiz (...). Espero que não prejudique ninguém na frente marinha. Eles não merecem isso", disse o açoriano, através do seu advogado.

O presidente da Câmara de New Bedford, John Mitchell, disse que o melhor para a cidade seria que toda a operação de Rafael fosse vendida, para que continuasse em funcionamento e que os postos de trabalho não fossem perdidos.

O imigrante da ilha do Corvo é dono de uma das maiores operações de pesca comercial do noroeste americano, a Carlos Seafood Inc, e aguardava a leitura da sentença em liberdade, depois de ter pago no ano passado uma caução de um milhão de dólares (cerca de 930 mil euros).

Agora, terá de se apresentar às autoridades a 06 de novembro para começar a cumprir pena.

Segundo a acusação, o empresário conhecido por 'codfather' (um trocadilho com as palavras bacalhau e o título do filme 'Padrinho' em inglês) mentiu durante anos às autoridades sobre as quantidades e espécies de peixe capturadas pela sua frota para contornar quotas de pesca sustentável.

Rafael venderia depois o peixe por "sacos de dinheiro" a um vendedor por atacado de Nova Iorque.

Ainda segundo a acusação, o empresário usava compartimentos falsos para transportar o peixe e rótulos errados para evitar as quotas. O mesmo canal garante que a investigação ainda decorre e mais detenções podem acontecer.

A investigação, que envolveu o fisco dos EUA, os serviços de investigação da Guarda Costeira e a Organização Nacional dos Oceanos e Atmosfera, começou depois de Rafael colocar o seu negócio a venda no ano passado.

Quando dois agentes à paisana se fizeram passar por potenciais compradores, o português confessou a sua operação "fora dos cadernos".

Em janeiro do ano passado, Rafael e a sua contabilista explicaram o passo-a-passo da operação, a que se referiam como "a dança", durante uma reunião com os falsos compradores.

No encontro, Carlos Rafael afirmou que tinha ganhado 668 mil dólares (cerca de 614 mil euros). Os investigadores acreditam que parte do dinheiro foi desviada para Portugal através do aeroporto de Boston.

Neste mesmo caso, António Freitas, vice-xerife do condado de Bristol, foi condenado a 19 de julho por contrabando. A sua sentença será lida esta quinta-feira.

Em agosto, James Melo, um capitão do gabinete do xerife do condado de Bristol, em Massachusetts, tornou-se o terceiro luso-americano, foi detido e acusado de contrabando para Portugal dos lucros obtidos por Carlos Rafael no seu esquema de pesca ilegal.

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