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Portugueses devem evitar "qualquer deslocação" à Bolívia

O Governo português reiterou hoje aos cidadãos que evitem quaisquer deslocações à Bolívia, onde a violência se intensificou esta semana, e recomendou que os portugueses contactem o Gabinete de Emergência Consular caso necessitem de ajuda.

Portugueses devem evitar "qualquer deslocação" à Bolívia

"Dada a situação de grande instabilidade e distúrbio social que se verifica neste momento na Bolívia, aconselha-se os cidadãos nacionais a evitarem qualquer deslocação àquele país", lê-se numa recomendação publicada, na segunda-feira, no Portal das Comunidades, na Internet.

Em declarações à Lusa, fonte oficial do gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, Berta Nunes, afirmou hoje que "é muito raro" o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) fazer um alerta deste tipo.

"Desde a semana passada que têm existido casos de cidadãos portugueses que estão em turismo na Bolívia e que têm estado em contacto com o MNE na ótica de serem aconselhados, e têm abandonado o país para outros países da região", referiu.

Nas últimas semanas, o MNE contactou 12 portugueses a circular temporariamente na Bolívia e tem conhecimento de que cinco pessoas se encontram, neste momento, naquele país em viagem, indicou a mesma fonte oficial.

De acordo com números oficiais, há cerca de 40 portugueses a viver na Bolívia, que têm contactado as autoridades nacionais, mas sem fazer qualquer pedido de ajuda.

Portugal não tem embaixada na capital boliviana, dispondo de um consulado honorário em La Paz, que tem assegurado o acompanhamento dos cidadãos nacionais, em articulação com a embaixada portuguesa em Lima (Peru).

"Recomenda-se que as pessoas que queiram contactar o Estado português que o façam através do Gabinete de Emergência Consular, que depois fará a articulação com a embaixada em Lima e o acompanhamento do consulado em La Paz", disse a fonte do gabinete da secretária de Estado das Comunidades.

O Gabinete de Emergência Consular pode ser contactado em permanência através dos números +351 961706472 e +351 217929714 ou do endereço de correio eletrónico [email protected]

A crise desencadeada pelas eleições gerais de 20 de outubro na Bolívia, que levou Evo Morales a renunciar ao cargo de Presidente, causou já oito mortos, 508 feridos e 460 detenções, segundo números avançados na quarta-feira pela Defensoria do Povo, organização nacional de defesa dos direitos humanos.

A violência intensificou-se na Bolívia no domingo, quando Evo Morales renunciou ao cargo de Presidente e grupos provocaram roubos, incêndios e a destruição de mobiliário urbano em diferentes regiões.

Depois do aumento da violência nesta semana, as forças armadas concordaram em apoiar a polícia para acabar com os atos de vandalismo, especialmente em cidades como La Paz e El Alto.

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