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Jason Chao critica aumento da "erosão dos direitos cívicos" em Macau

O ativista de Macau Jason Chao criticou hoje, em entrevista à Lusa, o aumento da "erosão dos direitos cívicos e securitização" no território, procurando condicionar a liberdade de expressão, com medo de manifestações semelhantes às de Hong Kong.

Jason Chao critica aumento da "erosão dos direitos cívicos" em Macau
Notícias ao Minuto

06:25 - 02/02/20 por Lusa

Mundo Ativista

"Quando estava a trabalhar em Macau, pude assistir a um retrocesso e a uma erosão dos direitos e liberdades. Depois de eu ter saído (2017), essa erosão acelerou", afirmou à Lusa, em Lisboa, o ativista, que foi dirigente do campo pró-democrata.

E "pudemos assistir a uma rápida securitização e uma desvalorização dos direitos humanos durante a visita do Presidente da China", por ocasião da mudança do governo da Região Administrativa Especial, em dezembro de 1999, acrescentou.

Jason Chão admitiu ter previsto "esta tendência", mas que não previu "o nível da erosão e da deterioração dos direitos", alertando para alguns sinais daquilo que considera ser um endurecimento do regime.

"O Governo chinês e de Macau tem visto atentamente os relatos jornalísticos em Macau sobre a situação Hong Kong", principalmente "os artigos publicados nos media portugueses em Macau, que foram abertos ou, pelo menos, não foram negativos em relação aos protestantes em Hong Kong", disse o ativista, que está a frequentar um doutoramento em estudos dos 'media' na Alemanha.

O "direito à liberdade em Macau continua a deteriorar-se, mas infelizmente a opinião pública não está preocupada", lamentou Jason Chão, que se mostra otimista, "a longo prazo", no que respeita ao apoio das novas gerações à causa da democracia.

"Quando Macau viver num ambiente mais próspero e mais exposto ao mundo, os jovens terão o mesmo desejo de autonomia e liberdade" que teve ou a sua geração, afirmou o ativista, de 33 anos.

Após a transferência da administração, em 1999, o território tem assistido à chegada de milhares de imigrantes da China e a "doutrinação do regime tem tido grande sucesso nas últimas décadas" nas escolas e nas associações juvenis, mas todas as "ditaduras têm as suas falhas" e, "perante as injustiças, as pessoas começam a estar atentas", considerou Chao.

"Tenho fé num sistema de governo que traga liberdade e justiça", disse o ativista, considerando que esse modelo de governação tem de ser democrático: "Não acredito que uma ditadura possa dar justiça às pessoas".

Jason Chao foi dirigente da associação Novo Macau, que apresenta sempre candidatos para os lugares de eleição direta à Assembleia Legislativa, e foi um dos nomes mais referenciados da luta pela democracia no território entre 2010 e 2017.

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