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Natália Nunes deixou obra atenta "que não deve ficar esquecida"

A escritora Natália Nunes, que morreu na passada terça-feira, "deixou, longe da ribalta, uma obra atenta, empenhada, que não deve ficar esquecida", afirma o Presidente da República, numa nota de condolências, hoje divulgada.

Natália Nunes deixou obra atenta "que não deve ficar esquecida"
Notícias ao Minuto

17:45 - 14/02/18 por Lusa

Cultura Presidente

"Ficcionista, ensaísta, tradutora [de Balzac, Tolstoi, Elsa Triolet], fez a sua carreira profissional como bibliotecária-arquivista. Integrou a direção da Sociedade Portuguesa de Escritores e escreveu em publicações como Vértice, Seara Nova ou Colóquio/Letras", recorda o Chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa refere que Natália Nunes, de 96 anos, cujas exéquias se realizaram hoje, editou uma dezena de livros de ficção, romances, novelas e contos, entre os quais "Assembleia de Mulheres" (1964), "intimistas uns, sociais outros, experimentais, memorialistas".

O Presidente da República recorda que Natália Nunes se casou "com o pedagogo e poeta Rómulo de Carvalho" (1906-1997), que adotou o pseudónimo literário de António Gedeão, e é mãe da escritora Cristina Carvalho.

Também a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) emitiu uma nota de pesar pela morte de Natália Numes, que era associada da cooperativa desde julho de 1971.

Autora das coletâneas de contos "Ao Menos um Hipopótamo" e "Louca por Sapatos", entre outras, Natália Nunes trabalhou, como conservadora e bibliotecária, nas bibliotecas da Ajuda e Nacional de Portugal, e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Nascida em Lisboa, a 18 de novembro de 1921, destacou-se nas letras, através de romances como "Autobiografia de Uma Mulher Romântica" e "Vénus turbulenta", o seu derradeiro romance, mas também como dramaturga e ensaísta, e construiu uma das mais vastas obras, como contista, na literatura portuguesa, com títulos como "Ao Menos um Hipopótamo", "As Velhas Senhoras", "Louca por Sapatos".

Estreou-se nas letras com "Horas Vivas: Memórias da Minha Infância", publicado em 1952.

Resistente antifascista, durante os anos de ditadura, membro da direção da Sociedade Portuguesa de Escritores, encerrada pela PIDE, polícia política do regime, em 1965, era "considerada unanimemente uma das jovens mais bonitas da capital", como escreveu seu marido, nas "Memórias".

Sobre sobre a obra de ficção de Carlos Oliveira publicou os estudos "A Ressurreição das Florestas", pela Imprensa Nacional Casa da Moeda.

No ensaio, Natália Nunes escreveu ainda sobre Dostoievsky, Raul Brandão, Augusto Abelaira, José Cardoso Pires, entre outros autores, sobretudo para as revistas Vértice e Seara Nova.

Traduziu igualmente Dostoievsky, Tolstoi, Simonov, Elsa Triolet e Violette Leduc - nomeadamente "Jamais" e "A Bastarda", respetivamente -, Balzac e Roger Portal, para editoras como Portugália, Edições Cosmos e Edições Aguilar, do Rio de Janeiro.

O Dicionário de Literatura Portuguesa, coordenado por Álvaro Manuel Machado destaca, em Natália Nunes, o "sentido do intimismo e do confessional, do mistério e da solidão, herdado em grande parte da geração presencista", a que juntou a "temática feminina e de intervenção social", próxima do neorrealismo.

A pedido do marido, completou as "Memórias" do escritor, incluindo a data da sua morte, em fevereiro de 1997. "Não te digo adeus, a minha alma estará sempre contigo", escreveu, no termo da obra.

Em 2002, entregou à Biblioteca Nacional de Portugal o espólio de Rómulo de Carvalho, seu marido.

Nesse ano, numa entrevista à Página da Educação, confessou: "Temos projetos que nunca se realizam, porque vêm outros que nos exigem mais ou porque a vida não deixa. A vida não nos deixa fazer muitas coisas".

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