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Vhils decidiu não avançar com intervenção em edíficio na zona do Foco

O artista português Alexandre Farto (Vhils) decidiu não avançar com a intervenção que estava a ser estudada para um edifício da autoria do arquiteto Agostinho Ricca, da década de 1960, situado na zona do Foco, no Porto.

Vhils decidiu não avançar com intervenção em edíficio na zona do Foco
Notícias ao Minuto

19:28 - 23/01/18 por Lusa

Cultura Porto

"Gostaria de partilhar a minha decisão de não avançar com uma intervenção no exterior do edifício, até porque, de certa forma, a própria discussão, embora prematura e algo mal-informada, teve o efeito de ocasionar este mesmo diálogo sobre o espaço da cidade, que tanto prezo", refere Alexandre Farto num depoimento escrito, enviado hoje à agência Lusa.

Na semana passada, o jornal Público noticiou que um edifício de escritórios, desenhado pelo arquiteto Agostinho Ricca (1915-2010), em coautoria com João Serôdio e Magalhães Carneiro, está a ser alvo de obras de reabilitação, que incluiriam, no exterior, uma intervenção de Vhils.

Apesar de ter decidido não avançar com a intervenção, o artista anuncia que está "aberto a qualquer convite que seja para realizar um trabalho que faça sentido para a área/zona em questão, e que contribua positivamente para a comunidade local".

No depoimento, Alexandre Farto começa por dizer que tem "um enorme respeito e admiração pela obra e pelo trabalho do arquiteto Agostinho Ricca", um dos motivos que o levou a aceitar "de bom grado" o convite que lhe foi feito "para pensar numa intervenção artística para uma parte do edifício, que não comprometesse a integridade do mesmo".

No âmbito desse convite, conta, foram desenvolvidos "alguns estudos visuais, num formato de pré-visualização, daquilo que a futura intervenção pudesse vir a ser, mas que, não eram, nem tão-pouco são, definitivas".

Os estudos, sublinha, "não representam nem a proposta final que, até à data, ainda estava na fase de estudo, nem muito menos o resultado final da intervenção".

Vários arquitetos, entre os quais Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, pronunciaram-se contra a intervenção por entenderam que põe em causa a preservação do património arquitetónico do Porto.

Depois da notícia do Público, surgiu uma petição 'online' para a classificação patrimonial do Parque Residencial da Boavista, onde se situa o edifício em questão, que até às 17:00 de hoje reunia cerca de 1.600 subscrições. Também a Ordem dos Arquitetos defendeu a classificação do Parque Residencial da Boavista.

Alexandre Farto refere que subscreve "integralmente as manifestações e o trabalho realizado no sentido de preservar todo o património do arquiteto Agostinho Ricca, assim como de outros que marcaram o percurso da arquitetura portuguesa", partilhando "todas as preocupações expressadas em público por parte dos arquitetos Álvaro Siza Viera e Eduardo Souto de Moura, entre muitos outros", cujo trabalho e obra "tanto" admira.

"A salvaguarda do património arquitetónico e artístico de uma cidade, que tanto contribuem para a construção da sua identidade - um tema que tem sido transversal à minha obra -, é um ato nobre que nos cabe a todos estabelecer, numa linha de diálogo construtivo e abrangente", defendeu.

Para Alexandre Farto, "a arte urbana pode e deve assumir um papel importante no sentido de contribuir para chamar a atenção e a trabalhar zonas negligenciadas da cidade". "Facto que pudemos constatar neste caso específico, mesmo que involuntariamente, e ainda que a intervenção em causa não tivesse, sequer, chegado à fase de desenvolvimento", referiu.

O artista entende que "a cidade ideal é aquela onde todos podem, e devem, participar" e que "deverá ser aproveitada e não marginalizada" a "forte energia criativa e artística, a par de uma vontade participativa, que vive neste momento a cidade".

Vhils recorda que tem trabalhado na tentativa de "criar espaço e diálogo para os artistas se expressarem na cidade, sobretudo os da nova geração e aqueles que se têm expressado de forma mais marginal, para que façam parte desta orgânica que dá forma à cidade".

Exemplo disso é o projeto cultural Underdogs, que se divide entre arte pública, com pinturas nas paredes de Lisboa, exposições dentro de portas e a produção de edições artísticas originais, que fundou em 2010 com a francesa Pauline Foessel.

A plataforma tem também uma loja em Lisboa, e começou em 2015 a organizar visitas guiadas de Arte Urbana na cidade.

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