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Festival Internacional de Marionetas do Porto arranca na sexta-feira

O Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) arranca na sexta-feira com a estreia da peça 'Marionetas Tradicionais de Um País Que Não Existe', um espetáculo que convida à reflexão sobre a "ideia de uma vigilância apertada".

Festival Internacional de Marionetas do Porto arranca na sexta-feira
Notícias ao Minuto

23:10 - 11/10/17 por Lusa

Cultura Evento

"[A peça] é uma reflexão que nós nos propusemos a fazer coletivamente na construção deste espetáculo sobre o modo como nos organizamos quotidianamente, como a sociedade se organiza, como há cada vez mais espaços em que convivem esta ideia de uma vigilância muito apertada com uma certa forma de hedonismo de baixo investimento", disse o encenador e autor da peça, Igor Gandra, em declarações aos jornalistas, após o ensaio de imprensa.

Igor Gandra explicou que o espetáculo, de que é palco o Mosteiro de São Bento da Vitória, pensa também "como é que podemos viver ou reagir" face à vigilância e, durante esse "exercício", descobriu que tinha "de pedir ajuda às marionetas - o caso era demasiado sério, para ficar nas mãos dos humanos", confessou.

O espetáculo parte de uma porta de embarque e de uma sala de espera de um aeroporto para "um destino indefinido", tendo sido escolhido por "ser um espaço vazio, [por representar] um tempo que tem de ser inventado por cada um de nós enquanto expectantes para embarcar numa viagem".

"Esta ideia, também de um país que não existe, tem um pouco a ver com essas regras especiais que certos espaços vão tendo, como por exemplo, os aeroportos - haver uma inversão do princípio de inocência, em que somos todos culpados até provarmos que somos inocentes", explicou.

O autor disse que a ideia da vigilância o interessou imenso, pois "são regras que estão além das regras dos países, do chamado estado democrático de direito, que acabam por fundamentar o modo como as sociedades se organizam, numa parte importante do mundo".

Gandra afirmou ainda que o espetáculo recorre, por um lado, aos fantoches e, por outro lado, "à relação com os objetos" e, nesse sentido, destacou o papel do 'smartphone', que acaba estar presente em grande parte do espetáculo.

"[O telemóvel] é atualmente uma espécie de apêndice do nosso corpo numa lógica em que o homem e a máquina estão cada vez mais imbricados, cada vez mais próximos um do outro, e muitas vezes torna-se difícil perceber quem está ao serviço de quem".

O espetáculo, para maiores de 16 anos, é uma coprodução do Teatro Nacional São João e do Teatro de Ferro e conta com encenação, cenografia e marionetas de Igor Gandra, podendo ser visto de 13 a 15 de outubro e de 26 a 29 de outubro.

"Marionetas tradicionais de um país que não existe" faz parte da programação da 28.ª edição do FIMP, que decorre de 13 a 29 de outubro, e conta com a 3.ª edição da bolsa Isabel Alves Costa, que assume agora de caráter bienal.

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