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"Passei 15 anos a fazer dieta e cheguei a desmaiar por não comer"

'Seja Feliz Sem Dietas' é o projeto de Mafalda Rodiles que também deu nome ao seu livro. É lá que a atriz partilha a longa caminhada que fez até chegar a um ponto de equilíbrio com o seu corpo. Mafalda esteve mais de 15 anos a fazer dieta e descobriu apenas uma coisa: não resulta. Por isso conta agora os seus segredos para que todas as mulheres possam fazer as pazes com a comida.

"Passei 15 anos a fazer dieta e cheguei a desmaiar por não comer"

Notícias ao Minuto

08:00 - 20/05/17 por Mariline Direito Rodrigues

Fama Mafalda Rodiles

No Dia Nacional da Luta Contra a Obesidade, o Fama ao Minuto revela ao pormenor a conversa que teve com Mafalda Rodiles. A atriz tornou-se conhecida depois de fazer parte do elenco da série juvenil 'Morangos com Açúcar'. Atualmente a viver no Rio de Janeiro, longe do pequeno ecrã, dedica-se agora a um projeto desafiador: 'Seja Feliz Sem Dietas'. 

Sim, porque para Mafalda é possível sê-lo. A alimentação deverá ser algo prazeroso e não um peso na vida das mulheres. O programa já conseguiu mudar a vida de centenas de alunas e promete continuar agora através do lançamento de um livro. 

Para quem é mais difícil fazer o programa ‘Feliz Sem Dietas’? Portuguesas ou brasileiras?

Não sei, mas tenho mais alunas portuguesas. Há pessoas que pensam que a comida aqui [Brasil] é saudável e não é. Há muitos fritos, por exemplo. Em Portugal a dieta é mediterrânica e portanto mais vantajosa. Também trabalho a parte psicológica. Por exemplo, muitas raparigas acham que têm de comer tudo o que põem no prato, mesmo que já estejam satisfeitas. Isso acaba também por engordar porque se come mais do que aquilo que preciso. O meu trabalho é mostrar às pessoas o que é comer bem, o que são escolhas saudáveis, sem radicalismos.

Em relação às pressões sobre o corpo e o emagrecimento, quando é que a Mafalda sentiu isso na sua vida?

Quando comecei a querer ser atriz. Até aí era uma pessoa super normal, nunca sequer tinha pensado nisso. Para uma adolescente de 15 anos era muito inocente. Foi um choque quando me disseram que tinha de emagrecer, porque nem sabia o que era isso. A partir daí comecei a cortar na comida. Comia uma maçã, uma bolacha, ia a ervanárias e perguntava se tinham alguma coisa para emagrecer.

A Mafalda afirma no seu livro que as dietas não são solução para nada. O que a levou a esta conclusão?

Basicamente pelo que passei. Fiz tudo o que se possa imaginar. Houve uma altura em que comia só abacaxi, depois fiz a dieta da seiva - que só de lembrar dá-me vómitos, a dieta das proteínas, entre outras. Ainda fui a nove nutricionistas. Como estava sempre de dieta, de vez em quando compensava com compulsões alimentares e acabava por comer tudo e mais alguma coisa. Passava fome durante vários dias, não via resultado nenhum e isso era extremamente frustrante. Achava que tinha um problema, que o meu corpo era uma 'porcaria' e que não funcionava bem. E tinha muito medo de parar, pois pensava que aí sim, ficaria uma baleia. Durante 15 anos foi assim, chegava a desmaiar por não comer, comecei com 48 quilogramas e cheguei aos 60, sempre de dieta.

Comecei com 48 quilos e cheguei aos 60, sempre de dietaEntretanto, percebi que se estamos a agredir o nosso corpo ele nunca vai reagir bem. Temos fome por algum motivo, as crianças têm fome, os animais têm fome. E as mulheres sentem-se culpadas por terem fome. Se alguém dissesse: ‘Olhe tem aqui um comprimido que lhe vai tirar a fome o dia todo’, muitas mulheres tomavam. Só que o corpo humano é um pouco mais esperto do que todas as invenções. Ele precisa de energia todos os dias, assim como de respirar. A comida é que se tornou um pouco esse demónio.

Mas se as dietas não resultam porque é que existem mulheres que continuam a insistir?

Porque os média dizem que existem [as dietas] e que funcionam. Está-se sempre à procura de uma dieta mágica. Por exemplo, muitos aconselham que logo de manhã se tome meio copo de água morna com limão... mas quem é que quer começar o dia assim, a beber uma coisa azeda? Acho que as pessoas continuam essencialmente porque há uma indústria de milhões de dólares nos Estados Unidos e no mundo inteiro. As mulheres hoje em dia não se sentam com os filhos para comer. Fazem um jantar para o marido, outro para elas. Jantam cereais com leite, porque viram qualquer coisa na televisão que se fizessem isso iam emagrecer. É tudo um negócio. As pessoas são enganadas o tempo todo com a publicidade e andam sempre nesta busca, sem tentarem perceber o que realmente há de errado.

É tudo um negócio. As pessoas são enganadas o tempo todo com a publicidadeMas considera, por exemplo, o trabalho dos nutricionistas errado?

De todo. Existem nutricionistas ótimos, que pretendem consciencializar as pessoas que têm de comer melhor porque o corpo merece. Além disso, as pessoas não foram ensinadas a comer bem. Devia haver mais consciência, porque isto é uma coisa que nos vai acompanhar a vida inteira. Vamos ter de comer até morrer. E também devíamos saber um pouco mais sobre transtornos alimentares. Há imensas mulheres que sofrem de compulsão alimentar e nem sabem, acham que é normal comer uma caixa inteira de bombons ou de gelado.

Então como é que uma pessoa obesa deve lidar com a sua alimentação?

Por exemplo, tenho uma aluna com 130 quilos. Essa pessoa não pode comer menos que eu, não faz sentido. Ela precisa mais do que eu, por mais que tenha de emagrecer. O corpo dela precisa de mais energia e se não comer vai ficar mais deprimida, sem querer fazer nada, porque o corpo dela vai quase entrar numa hibernação. A própria sociedade olha para os gordos e pensa: ‘esta pessoa está gorda porque quer’. E não sabe se ela tem algum problema de saúde. Elas têm de tratar do corpo o melhor possível.

O corpo não vê emagrecimento [radical] como saúdeNa sua visão, como é que o corpo entende o ‘processo’ de emagrecimento?

O corpo faz sempre o melhor para nós, porque quer proteger a nossa saúde. O corpo não vê emagrecimento [radical] como saúde. Passar fome é uma restrição para o corpo, porque vê isso como uma ameaça. Automaticamente vai reter, gastar menos. E lança sinais de fome. Por isso é que no início da dieta temos imensa fome. Depois de uma semana já estamos ‘melhor’, porque o corpo já se adaptou. Agora, se o corpo funciona melhor? Não. O corpo estabeleceu o metabolismo para aquele limite, para aquele nível de comida. Quando se começa a comer outra vez [todos os tipos de alimentos], o corpo pensa: ‘Vou guardar. E se ela começar a fazer dieta outra vez?’. E aí pessoa entra em pânico, o que só piora. Quanto mais se pensa em comida e em emagrecer, pior.

Já recebeu críticas de pessoas que acreditam em dietas?

No início foi uma preocupação, até porque nas redes sociais tudo pode acontecer. E isso não aconteceu. Desde que comecei, há um ano e meio, já recebi uns oito mil emails e tenho 25 mil pessoas inscritas no meu curso gratuito. Recebi uma vez uma mensagem que dizia: ‘Mafalda, acho que estás a mentir e fazes dieta’. E respondi que não, mas que respeitava a opinião dela. Recebi ainda outra mensagem privada no Facebook a dizer que tinha de ter muito cuidado, porque era muito magra e estava a levar as pessoas a terem transtornos alimentares. Não concordo, acho exatamente o contrário. Essa é verdade em oito mil mensagens. Quando me dizem que estou muito magra, mais uma vez é a sociedade a criticar. Se estás gorda é porque estás gorda, se estás magra és magra. Olhamos sempre para a outro com a intenção de fazer uma observação, sem ser necessário, porque cada um tem o seu corpo e altura.

No seu programa estabelece 31 passos para as suas alunas seguirem. Qual o mais difícil?

Acho que o mais difícil é comer sem culpa. A culpa é uma coisa que nos persegue desde sempre. Outro é quanto às quantidades que devem ingerir.

Não ir ao ginásio não é impedimento para se emagrecerE em relação ao exercício físico?

A maioria das mulheres não gosta de ir ao ginásio e muitas acham que não emagrecem porque não conseguem ir. No entanto, se no ginásio gasta-se mais calorias, também se tem mais fome. É bom para o sistema nervoso, é bom para o stress, sem dúvida. Mas não ir ao ginásio não é impedimento. Desde que se coma bem consegue-se emagrecer. O que eu costumo dizer é para que as pessoas façam uma coisa de que gostem. Uma aula de karaté, qualquer coisa. Correr numa passadeira num ambiente completamente contaminado de pessoas que querem emagrecer, com música altíssima e toda a gente a suar nem sempre é bom. Dar uma caminhada na natureza é mil vezes melhor, muito mais libertador. Acho que não se pode ver no exercício a grande solução para emagrecer, porque a grande solução é relaxar e comer bem. O exercício deve ser algo para te sentires bem, um acréscimo.

Porque é que a fome emocional afeta tantas mulheres?

Especialmente porque as mulheres são muito mais sensíveis. A mulher é muito cobrada na sociedade. Se o homem envelhecer e tiver uma barriguinha de cerveja está tudo bem… fica mais charmoso. Já se a mulher emagrece e também aparece com uma barriga é o fim do mundo. O ideal de mulher que existe é aquela bem sucedida, com filhos criados, alta, magra e bem vestida. As mulheres sofrem uma grande pressão para serem perfeitas e magras. Com tantas tarefas, normalmente chegam a casa cheias de fome e pensam logo num doce, para acalmar o que muitas vezes nem é fome e que é uma angústia – a fome emocional. Temos de entender que existem outras fontes de prazer, como tomar um banho mais longo, passear, falar com a melhor amiga, ler, etc...

A dieta é uma obsessão, um inferno, não se vive a vidaUma pessoa que está constantemente em dieta consegue ser feliz?

Acho que não. Houve uma época em que em cinco meses fui dos 58 até aos 53. Não comia quase hidratos, mas até era uma dieta equilibrada, nada de radical. Mas queria sempre emagrecer mais. Quando ia jantar fora com o meu namorado, não pedia sobremesa, porque estava com aquele peso na consciência. Nunca fui feliz. Acho que fazer dieta leva a transtornos alimentares, porque começa-se a viver com uma obsessão em relação à quantidade de calorias. Quando sofria de transtornos alimentares pensava em comida 24 horas por dia. Só quando me ia deitar é que parava. É uma obsessão, um inferno, não se vive a vida.

Tem esperança em relação ao futuro?

Tenho. Já vejo alguns nutricionistas com novas visões. Aliás, tanto nutricionistas como psicólogos já aconselharam o meu programa. Temos de fazer a reeducação alimentar e voltar a ver a comida como quando eramos crianças.

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