Apesar das concessões, "PS não ensandeceu politicamente"

Vital Moreira descreve o que seria, na sua opinião, um Orçamento do Estado desenhado pelo Bloco de Esquerda.

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Política Vital Moreira

Ainda no rescaldo da apresentação do Orçamento do Estado para o próximo ano, Vital Moreira usa o seu blogue Causa Nossa para se pronunciar a este respeito.

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Assim, o constitucionalista começa por dizer que “felizmente” este “não é o Orçamento do Bloco de Esquerda”, pois se fosse “aumentaria o rendimento de toda a gente, salvo dos ‘grandes capitalistas’, que seriam objeto de tributação expropriatória”.

“Apesar desse aumento de impostos, o défice duplicaria, à conta de um ainda maior aumento da despesa. A denúncia do Tratado Orçamental e o anúncio de uma reestruturação unilateral da dívida - os dois grandes objetivos políticos do BE - fariam disparar os juros desta. O país começaria a ter rapidamente dificuldade em financiar os gastos públicos. O investimento estrangeiro fugiria, os capitais emigrariam, a economia entraria em recessão, o desemprego aumentaria”, escreve.

Nesta senda, Vital Moreia garante que o Bloco seria obrigado a pedir um resgate, mas, “ao contrário de Tsipras na Grécia, recusaria as duras condições de austeridade orçamental impostas (…) e convocaria Varoufakis para preparar, num fim de semana, a saída do euro e o regresso do escudo”.

O desfecho, garante, só poderia ser uma “autarcia financeira” com Portugal a transformar-se numa “Venezuela sem petróleo, no meio do empobrecimento generalizado e na iminência do caos social e político”.

“É este o cenário idílico do tal ‘orçamento de Esquerda’ à moda do Bloco de Esquerda”, aponta, congratulando-se com o facto de o Partido Socialista, apesar das concessões feitas, não ter “ensandecido politicamente, nem se ter enamorado das sereias da irresponsabilidade orçamental”.

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