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Mauro: O 'fotógrafo' que subiu o Nacional e sonha com a Premier League

Começou no Sporting, chegou a deixar o futebol para trabalhar no estúdio de fotografia do pai e agora acaba de assinar a melhor época com a camisola insular. A história de Mauro Cerqueira contada na primeira pessoa, em exclusivo, ao Desporto ao Minuto.

Mauro: O 'fotógrafo' que subiu o Nacional e sonha com a Premier League
Notícias ao Minuto

07:02 - 23/05/18 por Fábio Aguiar 

Desporto Exclusivo

Um ano depois de descer ao 'inferno', o Nacional subiu... ao 'céu'. O conjunto insular está de regresso ao convívio com os grandes e a tristeza do passado transformou-se numa alegria imensa misturada com a ambição de recolocar o clube no patamar que acostumou os adeptos. Mauro Cerqueira viveu estas duas "épocas de extremos" e não tem dúvidas de que "o melhor ainda está para vir".

"Foi uma subida mais do que merecida! Depois daquela fase menos boa, conseguimos começar a ganhar os jogos de novo, muitas vezes nos últimos minutos, com muito esforço, sempre a acreditar, tivemos mesmo a sensação que tínhamos tudo para subir, até porque sentíamos que éramos melhor do que os outros. Sabíamos que íamos chegar lá, tínhamos isso na cabeça e a verdade é que jogámos mais do que os adversários. Agora não pensamos na manutenção. Queremos pontuar em todos os campos e, sem querer ser demasiado ambicioso, penso que a Liga Europa seria um grande objetivo. Acho que, com o mister e com a equipa que certamente vamos formar, temos condições para o conseguir. ", começou por dizer o lateral, de 25 anos, em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, admitindo que foi "tudo quase perfeito".

Notícias ao MinutoFesta da subida fez-se na companhia de Jota, Vítor Gonçalves e Ricardo Gomes.© Facebook

Após a "melhor temporada" a nível coletivo e individual, o jogador natural de Lisboa recorda com um brilho nos olhos a festa em que a ilha da Madeira 'mergulhou' após a confirmação da subida do Nacional. "Foi inesquecível! Até atrasaram o voo para vermos o resultado da Académica, que acabou por perder com o Cova da Piedade. Do campo do Arouca até ao aeroporto fomos sempre a festejar, naquele caminho chato, com curvas, até já íamos meio enjoados... Até tive que vir para a frente. Mas o melhor foi mesmo na chegada à Madeira. Estava lá o pessoal todo, nem sabia que o Nacional tinha tantos adeptos. Foi fantástico, adorei aquela atmosfera", recorda, antes de eleger Costinha como um dos grandes responsáveis pelo sucesso do emblema da Choupana.

"A mentalidade que trouxe mudou a nossa forma de pensar. Acrescentou muita ambição e alterou por completo a forma de vermos o futebol. As palestras, por exemplo, tinham sempre alguma história do seu passado como jogador e isso deu-nos o tal clique. A primeira mensagem foi que tínhamos que ter a nossa personalidade a jogar e que isso nos ia levar à I Liga e nós interiorizámos isso totalmente. É um grande treinador e uma pessoa fantástica. Muito do sucesso do Nacional esta época ficou a dever-se, sem dúvida, a ele e ao seu trabalho", sublinha.

Notícias ao MinutoMauro realizou 26 jogos, apontou três golos e ajudou o Nacional na subida à Primeira Liga.© Facebook

'Nasceu' no Lumiar e cresceu na Academia

Em três temporadas no Nacional, Mauro Cerqueira já viveu todas as emoções possíveis e imaginárias. Desde a chegada proveniente do Campeonato de Portugal, passando pela descida à Segunda Liga, em 2016/17, e a subida na época que agora termina, o jovem leva já muitas histórias para contar.

"Já estive em todo o lado...", admite, entre risos, recuando bem no tempo até à altura em que deu os primeiros passos no futebol, no Sporting: "Cheguei com sete anos e estive lá até aos 15. Foi uma experiência que mudou por completo a minha infância e a minha vida. Íamos numa carrinha todos a cantar para um pelado ao pé do Lumiar... Era aí que treinávamos. Depois passámos para o Casa Pia até aos infantis. Era a fase em que todos éramos felizes. Por fim, chegou a Academia. Gostei e não gostei! Desmoralizei um pouco, na verdade. Estava habituado a ser sempre titular, capitão e aí estagnei um pouco. Nos sub-15 fiz uma boa pré-época, mas acabei por me lesionar. Cresci muito e os músculos não acompanharam essa evolução. Tive que fazer um trabalho específico com o Carlos Bruno, no ginásio, e em maio fomos a um torneio na Holanda, com o AZ Alkmaar, Feyenoord, Ajax e só perdemos na final. Fui o melhor jogador do torneio e, apesar de já saber que ia ser dispensado, foi a melhor fase."

No 'pelado' do Estrela até águias e leões 'caíam'

Nos leões, Mauro jogou ao lado de Josué Sá, central que hoje representa os belgas do Anderlecht, até se mudar, já como juvenil B, para o Estrela da Amadora. Foi aí que voltou a ter o prazer de jogar futebol e brilhou ao lado de nomes como Silvestre Varela, Fernando Alexandre ou Fernando (brasileiro que se tornaria ídolo no FC Porto antes de rumar ao Man. City). "Sporting e Benfica iam lá e 'caiam' todos. Adorava jogar em pelados. Cheguei a fazer a pré-época com os júniores, onde estava o Bebé (atualmente no Rayo Vallecano), mas depois o clube fechou e saímos todos", lembra.

Um ano de retiro como... fotógrafo

Sem perceber, Mauro estava prestes a mudar por completo de vida. A frustração gerada pelos anos em que os obstáculos tendiam a multiplicar-se levou o jovem a deixar os relvados (e os pelados). "Estive um ano parado, já estava um pouco desgastado do futebol e comecei a trabalhar com o meu pai em fotografia. Ia a casamentos, ajudava na loja só que depois mudou-me a ficha e pensei: 'Bem, não é isto que eu quero. Gosto muito de fotografia e tal, mas não... Vou voltar ao futebol'", conta, nostálgico, revelando o responsável que o resgatou de novo para o mundo do futebol.

"Estive no Real Massamá e no Futebol Benfica a treinar, mas nunca cheguei a assinar mesmo. O meu irmão jogava futebol e um dia chegou lá um rapaz, o Sandro Giovetti, que me levou para o Elétrico. No primeiro jogo com o Amora entrei, fiz golo e depois disso comecei sempre a jogar. Fui depois para a Naval e foi aí que fiz os maiores amigos que ficaram até hoje e fui mais feliz. Aquilo tinha quatro quartos e vivíamos sete jogadores numa casa. Íamos todos às compras, fazíamos a nossa própria comida e foram essas dificuldades que me ajudaram a crescer. Foi difícil, mas a minha família também me apoiou imenso", vinca o jogador.

Notícias ao MinutoEm 2013/14, o lateral representou a Naval 1.º Maio, numa experiência que, garante, o transformou como jogador e, sobretudo, como homem.© Facebook

O telefonema de tranquilidade de Manuel Machado

Terminada a etapa na Naval, Mauro Cerqueira viajou para o Alentejo para representar o Moura, então orientado por Bruno Ribeiro, técnico que hoje comanda os destinos do Cova da Piedade. "Tinha uma mentalidade muito parecida com a que tem o Costinha e um dia disse-me algo que nunca ninguém me tinha dito: 'Tu és jogador de I Liga!' Aquilo bateu-me de tal forma que a partir daí mudei o 'chip'. Um dia, saímos de Moura às 6h00 da manhã e fomos para Rio Maior fazer um particular com o Nacional. Cheguei lá e estava com bolhas nos pés. Nem era para jogar. No entanto, achei que era uma oportunidade, quis jogar e a verdade é que fiz dos melhores jogos", recorda.

Essa boa performance do lateral deixou os responsáveis madeirenses rendidos. O clube insular avançou para a sua contratação, mas o jovem... duvidou. O entusiasmo de dar o 'salto' do Campeonato de Portugal para a I Liga criou ansiedade e só um telefonema de Manuel Machado acalmou o jovem.

"Estava numa reunião com alguns responsáveis do Nacional e perguntei se estava mesmo confirmado e se podia dizer aos meus pais. Colocaram-me ao telefone com o mister Manuel Machado e foi aí que ele me tranquilizou. 'Fica tranquilo, confia, é mesmo verdade. Vens aqui para o pé de nós. Prepara-te.' E foi assim. Tenho a certeza que aquele momento em que saí da 'asa' da família para ir para a Naval foi determinante para mim. Percebi que tinha que lutar mais e mais para chegar onde queria", frisa.

Notícias ao MinutoO jovem admite que a estabilidade gerada pela terceira época no clube lhe permitiu 'explodir'.© Facebook

O sonho da Premier League e a 'canhota' de ouro

Ultrapassadas todas estas adversidades, Mauro encontrou finalmente a estabilidade na Choupana. À terceira época nos insulares, o esquerdino conseguiu finalmente 'explodir'. O limite, agora, é o céu... inglês.

"Sempre tive o sonho de jogar na Premier League e acho que vou conseguir. Com as ajudas que terei e com a sorte que também conta, sei que vou lá chegar um dia. O Nacional abriu-me as portas da I Liga e da visibilidade e agora quero continuar a evoluir. Espero superar os números desta última época, ajudar a equipa e ser cada vez melhor", sublinha, deixando um desejo para um futuro a longo prazo: "Daqui a dez anos? Gostava que os meus companheiros dissessem que era boa gente, tranquilo, divertido, cinco estrelas e que tinha uma 'canhota' de ouro, que é o que eles me dizem agora." 

Notícias ao MinutoAos 25 anos, Mauro entra para o último ano de contrato com os insulares e admite que, para já, o futuro deverá mesmo passar pela Choupana. © Facebook

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