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Quatro membros de milícia do Burundi condenados a prisão perpétua

Quatro membros da Imbonerakure, a liga juvenil do partido no poder no Burundi, apelidada pela ONU como milícia, foram condenados a prisão perpétua pelo assassinato de um opositor, em agosto passado, informaram hoje fontes judiciais.

Quatro membros de milícia do Burundi condenados a prisão perpétua

A sentença, um raro exemplo de justiça pelos abusos cometidos por forças ligadas ao regime do Burundi, foi proferida por um tribunal em Muyinga, no leste deste país, que se encontra em crise desde o anúncio, em abril de 2015, da candidatura do Presidente Pierre Nkurunziza para um terceiro mandato controverso.

"O Tribunal Distrital de Muyinga sentenciou quatro Imbonerakure a prisão perpétua por assassinato e agressão, por matar um ativista do Conselho da Liberdade Nacional e ferir uma dúzia de outros", disse fonte judicial à agência noticiosa AFP, pedindo o anonimato.

Os quatro condenados, com idades entre os 34 e os 41 anos, são todos membros da Imbonerakure, um grupo acusado de ser um dos braços armados do Governo na repressão que decorre no Burundi.

"Essa sentença é excecional, porque muitas vezes a polícia e a justiça são forçadas a fechar os olhos aos abusos e crimes cometidos por membros da Imbonerakure, mas estes quatro não foram apoiados pelo Governo, provavelmente porque o caso deu muito que falar", comentou a fonte.

A porta-voz do partido no poder, o Cndd-FDD, Nancy Ninette Mutoni, não quis reagir à AFP.

Na noite de 18 para 19 de agosto, um grupo de mais de 150 militantes do partido CNL foi atacado por dezenas de elementos Imbonerakure armados com tacos, catanas e facas, resultando na morte de um militante e numa dúzia de feridos.

"Até agora, os Imbonerakure, que eram culpados de violência política e outros crimes, gozavam de impunidade e, às vezes, eram as suas vítimas que eram punidas. Por isso estamos satisfeitos por finalmente vermos ser feita justiça", disse Pamphile Malayika, vice-presidente do CNL eleito no distrito de Muyinga.

"É um começo na luta contra a intolerância política (...), mas esperamos que eles não sejam libertados amanhã, graças a um perdão presidencial ou quando recorrerem da decisão, como tem acontecido tantas vezes", adiantou Pamphile Malayika.

A violência e a repressão que acompanharam a crise do Burundi fizeram pelo menos 1.200 mortos e deslocaram mais de 400.000 pessoas entre abril de 2015 e maio de 2017, segundo estimativas do Tribunal Penal Internacional, que abriu uma investigação.

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