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Presidente de Angola com o Mali pelos "acontecimentos trágicos"

O Presidente angolano, João Lourenço, enviou hoje uma mensagem de solidariedade ao homólogo maliano, Ibrahim Boubacar Keita, pelos "acontecimentos trágicos" que assolaram domingo o Mali.

Presidente de Angola com o Mali pelos "acontecimentos trágicos"

"Tomei conhecimento, com preocupação e tristeza, dos acontecimentos que ocorreram na localidade de Sobane-Kou, que resultaram em dezenas de mortes e feridos. É um acontecimento trágico que se repete no vosso país, e a respeito do qual o executivo angolano e eu próprio manifestamos o nosso mais vivo repúdio, e a nossa firme e vigorosa condenação", lê-se no documento.

Na mensagem, distribuída hoje pela Casa Civil do Presidente da República angolano, João Lourenço expressa a solidariedade do povo angolano para com o do Mali, e aos familiares das vítimas, em particular.

Pelo menos 95 pessoas da aldeia de Sobane-Kou, no Mali, foram mortas entre a noite de domingo e segunda-feira por homens armados, indicou uma fonte das forças de segurança e um representante político.

"Temos 95 civis mortos. Os corpos estão calcinados e continuamos a procura de mais corpos", afirmou um representante político do município de Koundou, onde fica localizada aquele aldeia, de 300 habitantes, no centro do Mali.

A agência de notícias espanhola EFE referiu que há mais 30 pessoas desaparecidas.

Desde o aparecimento em 2015 no centro do Mali do grupo 'jihadista' do pregador Amadou Koufa, que recruta principalmente pessoas da etnia peul, tradicionalmente pastores, os confrontos estão a aumentar entre esta etnia e as comunidades bambara e dogon, grupos ligados à agricultura e que também criaram os seus "grupos de autodefesa".

O Norte do Mali caiu entre março e abril de 2012 sob o domínio de grupos 'jihadistas', que em grande parte foram dispersos por uma intervenção militar lançada em janeiro de 2013, por iniciativa da França, e que ainda continua em curso.

Entretanto, há áreas inteiras que estão fora do controlo das forças do Mali, francesas e da ONU, apesar da assinatura em 2015 de um acordo de paz destinado a isolar definitivamente os 'jihadistas'.

Desde 2015, essa violência espalhou-se do Norte para o Centro do país e, algumas vezes, para o Sul. Os atos de violência estão concentrados principalmente no centro, muitas vezes misturados a conflitos intercomunitários, um fenómeno que também é vivido pelos vizinhos Burkina Faso e Níger.

Essa violência culminou a 23 de março, com o massacre em Ogossagou, perto da fronteira com o Burkina Faso, de cerca de 160 moradores peul, por supostos membros de grupos de caçadores dogon.

Desde janeiro de 2018, a divisão de direitos humanos e proteção da Missão da ONU no Mali (Minusma) documentou 91 violações de direitos humanos cometidas por caçadores tradicionais contra membros civis da população peul, nas regiões de Mopti e Ségou, tendo feito pelo menos 488 mortos e 110 feridos, indicou a 16 de maio a Minusma.

Por outro lado, grupos armados de autodefesa na comunidade peul cometeram 67 violações de direitos humanos contra a população civil na região de Mopti no mesmo período, causando 63 mortes e 19 feridos, segundo o mesmo relatório da Minusma.

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