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'Operação Resgate' em Angola triplica procura de Cartão de Contribuinte

O atendimento de cidadãos na Repartição Fiscal do município angolano de Viana, em Luanda, mais do que triplicou desde terça-feira, registando agora cerca de 1.400 solicitações, sobretudo de Cartões de Contribuinte para atividade comercial, no âmbito da 'Operação Resgate'.

'Operação Resgate' em Angola triplica procura de Cartão de Contribuinte
Notícias ao Minuto

14:34 - 08/11/18 por Lusa

Mundo África

Pressionados nos últimos dias pela operação que decorre em Angola, destinada a combater "transgressões administrativas, venda desordenada de diversos produtos" e demais práticas para "reposição da autoridade do Estado", cidadãos angolanos e estrangeiros acorrem às repartições públicas para legalizar a sua atividade.

Uma fonte no local, afeta a direção daquela repartição pública, contou hoje à Lusa que a instituição anteriormente atendia cerca de 400 cidadãos, mas desde terça-feira, data do início da operação, a procura por aqueles serviços triplicou.

Filas enormes, maioritariamente para tratar do Cartão de Contribuinte, era o cenário hoje naquela repartição, afeta à Administração Geral Tributária (AGT) de Angola, no meio de "muitas reclamações" sobre a demora no entendimento.

Com o bebé às costas, Adriana Josefina Sassoma foi cedo para aquela repartição para tratar do Cartão de Contribuinte e regularizar a sua atividade comercial, mas, apesar da enchente, garantiu que vai continuar ali até conseguir o cartão.

"Vim tratar do Cartão de Contribuinte, tem muita enchente, a bicha é demais, mandaram-me aguardar e estamos aqui à espera", explicou.

"Essa enchente é porque nos orientaram a tratar documentos para as vendedoras que têm bancadas e é por isso que está muito cheio. Estamos aqui de baixo para cima para tratar dos documentos para podermos vender porque senão as crianças vão passar fome", afirmou.

Questionada sobre o motivo por que não tratou antes da documentação, justificou: "Não tratei antes porque não me interessava, agora estou a ver que é importante. Daí esta correria".

Também Domingas José Garcia quer tratar dos documentos para a venda ambulante e, em declarações à Lusa, disse que precisa "apenas de completar a documentação" para formalizar o seu comércio de roupa e utensílios domésticos.

"Vim apenas tratar agora porque também comecei a vender agora, já circulei em outras repartições e estão a dar muita volta. Estou aqui desde as 7h00 e dizem-nos apenas para aguardarmos na bicha. E estamos aqui à espera", realçou.

Segundo Domingas José Garcia, o desconhecimento sobre a necessidade de legalizar a sua atividade obriga-a agora a enfrentar a enorme fila para formalizar o seu "ganha-pão".

Já Sara João Saldanha, 23 anos, disse ter chegado à repartição às 7h00 da manhã e queixou-se da enchente, mas garantiu, contudo, que irá esperar até ver tratada a segunda via do seu Cartão de Contribuinte.

"Está muito lento o atendimento e estamos aqui há muito tempo sem qualquer explicação. Apenas vim agora tratar do cartão, porque perdi o outro. Preciso de tirar uma segunda via", explicou.

Quem acorreu igualmente àquela repartição, mas para efetuar o "regular pagamento" de impostos, foi Miguel Mbossa Mail que se manifestou surpreendido com a enorme fila de pessoas no pátio da Repartição Fiscal.

"Vim pagar os impostos de selo e de consumo, mas ainda não fui atendido porque há muita gente, tudo devido a famosa 'Operação Resgate'. Estamos a ver a repartição nesta condição. Estou aqui todos os meses, mas desta vez não esperava por esta enchente", afirmou.

"Enchente anormal" foi a expressão usada por André Lourenço para qualificar o cenário naquela repartição pública, onde disse estar há mais de hora e meia para efetuar o pagamento do imposto de selo.

"Mas o atendimento está meio lento. Estamos aqui fora e não sabemos o que se está a passar. Essa enchente não é normal", enfatizou.

Apesar da presença da polícia na via pública, passeios e locais de lazer, em Viana, ainda se regista alguma venda ambulante, sobretudo de água, refrigerantes e outros bens de consumo.

O Governo de Angola lançou na terça-feira a 'Operação Resgate', iniciativa que vai estender-se a todo o país e ocupará todos os meios das forças de segurança angolanos, pretendendo-se a "reposição da autoridade do Estado", através de uma "revolução no comportamento e conduta dos cidadãos".

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