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Projeto agrícola de dois irmãos no Alentejo seria "impossível" sem apoios

Com água do Alqueva à "porta", na Aldeia da Luz, no Alentejo, dois irmãos arriscaram na agricultura, há alguns anos, e produzem plantas aromáticas e medicinais, mas a "aventura" teria sido "impossível" sem apoios comunitários.

Projeto agrícola de dois irmãos no Alentejo seria "impossível" sem apoios
Notícias ao Minuto

06:03 - 22/07/18 por Lusa

Economia União Europeia

"Sem essas ajudas", seria "praticamente impossível", diz à agência Lusa Filipe Lopes, corroborado pelo irmão mais novo, José Rui: "Completamente, não só este tipo de projetos, mas toda a agricultura em Portugal", que "quase não é rentável sem o apoio dos subsídios" europeus.

Em 2012, em plena época da crise que assolou o país, os dois, Filipe, hoje com 40 anos, e José Rui, agora com 36 anos, criaram a empresa agrícola Canteiro da Luz, à entrada da Aldeia da Luz, no concelho de Mourão (Évora).

A ideia foi "pegar" em terrenos que eram dos avós, mas que não eram usados, apesar de a família explorar olival e vinha, e rentabilizá-los, criando também um posto de trabalho para José Rui, na altura desempregado, após trabalhar no ensino.

Em perto de dois hectares, com regadio do Alqueva, instalaram plantas aromáticas e medicinais (PAM), em modo de produção biológica. Lúcia-lima, hortelã-pimenta, sálvia e estragão francês são as espécies predominantes na exploração, "pintada" também de alfazema, erva-príncipe ou stevia.

O projeto teve "bastante sucesso" e permitiu "a diversificação das culturas, em anos de menos rentabilidade de outras áreas", conta José Rui. Hoje, produzem duas toneladas anuais, quase tudo para exportação, o que lhes rende "7.000 a 7.500 euros por hectare/ano", acrescenta Filipe.

Perto de "90% é para exportação" a granel, sobretudo para França e na Alemanha. Depois, segue "para a Ásia e Estados Unidos", para as indústrias "do chá, cosmética e farmacêutica", relata.

No início, antes de verem compensado o risco que correram, foram determinantes os apoios do Programa de Desenvolvimento Rural existente à data, o PRODER, reconhecem os jovens, de Évora, que têm outras profissões a tempo inteiro.

O investimento global nas aromáticas rondou os 112 mil euros, com 60% dessa verba proveniente do programa, e seria "muito difícil" avançar sem financiamento, reconhece Filipe, que considera que "o PRODER foi uma grande ajuda".

A mais recente aposta agrícola dos irmãos são as bagas de Goji, plantadas em 1,5 hectares, ao lado das aromáticas. Mais uma vez, o "caminho" escolhido foi submeter uma candidatura ao atual Programa de Desenvolvimento Rural, o PDR2020.

"A candidatura só foi aprovada há cerca de dois anos" e, neste momento, "estamos a finalizar o projeto de investimento", a rondar os 80 mil euros, igualmente financiado a 60%, indica José Rui.

Apesar de satisfeitos por receberem também apoios do PDR2020, a experiência em ambos os programas de apoio já lhes permite tirar conclusões.

Filipe, que fez a candidatura ao PRODER, recorda que foi "tudo muito simples" e "sem problemas" e "os timings foram todos concretizados".

Já o PDR2020, "está a ser mais complicado" e "o 'feedback' de vários produtores" aponta para queixas em relação "os 'timings' e muita burocracia", compara, embora passe a palavra ao irmão, responsável por esta candidatura, que admite que o atual programa tem "menos vantagens" do que o anterior: "Sim, em todos os sentidos".

O prémio de instalação, "o grande impulso para iniciar a atividade", assinala, "levou um corte bastante significativo" e a exigência de integrar uma Organização de Produtores para uma majoração ao financiamento criou "algumas dificuldades", tendo em conta que as bagas de Goji são recentes em Portugal.

"Apesar das dificuldades, obviamente, os apoios são sempre vantajosos, são sempre apoios", ressalva, frisando encarar "estas complexidades" com "otimismo", convicto de que este, que só vai dar frutos dentro de mais algum tempo, também será "um projeto de sucesso".

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