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Turquia revela que Trump vai deixar de armar curdos. Pentágono desconhece

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, afirmou hoje que o Presidente norte-americano disse ao seu homólogo turco que os EUA iam deixar de fornecer armas aos combatentes curdos sírios.

Turquia revela que Trump vai deixar de armar curdos. Pentágono desconhece
Notícias ao Minuto

23:29 - 24/11/17 por Lusa

Mundo Síria

Cavusoglu disse que Donald Trump divulgou a sua decisão durante uma conversa telefónica com o presidente turco, Recep Erdogan. Cavusoglu disse que esteve presente no gabinete durante a chamada telefónica.

Os dirigentes turcos consideram os combatentes curdos sírios, organizados nas Unidades de Proteção do Povo (YPG, na inicial em Curdo), como terroristas devido à sua filiação com os ilegalizados rebeldes curdos que há três décadas protagonizam uma insurgência na Turquia. O YPG tem sido um aliado dos EUA na luta contra o grupo que se designa por Estado Islâmico, na Síria.

"Trump afirmou de forma clara que tinha dado instruções claras e que o YPG deixaria de receber armas (dos EUA), e que este 'nonsense' já deveria ter acabado há muito tempo", disse Cavusoglu, numa conferência de imprensa na capital turca.

Não houve reação imediata dos EUA.

Mas o anúncio turco pareceu ter apanhado desprevenidos o Pentágono e o Departamento de Estado norte-americano.

Dirigentes destes departamentos governamentais, que normalmente estariam informados sobre mudanças nas políticas dos EUA relativas ao armamento dos curdos sírios, garantiram, sob anonimato, que desconheciam a existência de mudanças.

Relações entre os EUA e a Turquia, aliados na NATO, agravaram-se recentemente devido a vários casos, incluindo o apoio dos EUA aos combatentes cursos sírios.

Cavusoglu citou Trump como tendo dito que deu instruções aos generais norte-americanos e ao conselheiro de Segurança Nacional, H. R. McMaster, para que "nenhuma arma seja fornecida".

O comentário do ministro turco foi esclarecedor: "Claro que estamos muito felizes com isto".

Apesar de desagradar claramente aos curdos, ignora-se o real impacto no terreno.

Os EUA têm armado os curdos na sua luta contra o grupo designado por Estado Islâmico, através de um grupo conhecido como Forças Democráticas Sírias (FDS), que é integrada por curso, mas também por árabes.

Mas a retração daquele grupo, que perdeu praticamente todo o território que controlava na Síria, alterou a dinâmica na região e um dirigente da área da defesa dos EUA afirmou que desconhecia qualquer programação de envio de armas para os curdos, mesmo antes do anúncio turco.

Na semana passada, o porta-voz da coligação que combate o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, coronel Ryan Dillon, afirmou que ainda tinha de haver uma redução no número de conselheiros militares norte-americanos que trabalham com o FDS.

Os seus comentários pareceram sugerir que a possibilidade de as mudanças no nível e no tipo de apoio militar dos EUA aos curdos sírios poderem estar para breve.

Mas o anúncio feito hoje pelo ministro turco -- se confirmado pelos EUA -- seria o golpe mais recente sofrido pelos curdos. Tanto na Síria como no Iraque, os EUA dependeram dos combatentes curdos para fazerem muito do combate contra o grupo Estado Islâmico, mas estes esforços ainda não conduziram à realização das aspirações mais gerais dos curdos, designadamente um Estado independente.

O apoio de Washington aos curdos sírios, em particular, tem sido um espinho nas relações turco-norte-americanas desde há anos, dadas as preocupações de Ancara com as aspirações territoriais curdas.

A Turquia receia, em particular, o estabelecimento de um cantão curdo no norte da Síria, contíguo à sua fronteira.

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