Torturado às mãos do Daesh: "Nunca confessei. O castigo seria a morte"

Abdel Razzaq Jalal foi acusado de espionagem pelo Estado Islâmico. Mesmo sob tortura, nunca confessou.

© Reuters
Mundo Iraque

Para Abdel Razzaq Jalal, foram seis noites e sete dias de tortura às mãos de jihadistas do Estado Islâmico. Apesar do sofrimento, sobreviveu.

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Jalal, de 39 anos, vive numa aldeia perto de Mossul, cidade onde decorrem combates. Este é o último grande bastião do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque e tem sido alvo de ataques por parte de forças curdas e iraquianas.

Nas últimas semanas têm surgido cada vez mais relatos da violência levada a cabo na zona por parte dos jihadistas, especialmente agora que as coisas estão a correr pior para o Daesh.

À Reuters, Jalal recorda cm o penduraram de pernas para o ar e três ou quatro homens o espancaram durante duas horas. Foi essa a primeira noite e a primeira de várias tareias de que foi alvo às mãos dos jihadistas.

Apesar da violência, Jalal nunca cedeu perante as acusações de ser um espião dos curdos. “Nunca confessei. Sabia que o castigo seria a morte”, recorda em declarações à agência noticiosa.

A dada altura, Jalal chegou a ser vestido com um dos fatos-macaco cor de laranja. A mesma roupa que os jihadistas vestem a prisioneiros que serão executados. A mesma roupa que alguns presos que viu na cadeia foram obrigados a usar antes de morrerem, conta.

No caso de Jalal, sem confissão e sem prova alguma, o sofrimento acabou por chegar ao fim com a sua libertação.

No regresso à sua aldeia, porém, e temendo informadores, acabou até por contar aos seus antigos vizinhos que tinha sido bem tratado pelo Estado Islâmico. Tudo para não levantar suspeitas que lhe pusessem a vida em risco.

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