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França recorre à justiça após novas acusações de racismo nas polícias

O Governo francês recorreu hoje à justiça após a publicação de mensagens racistas no Facebook atribuídas a membros das forças policiais, em plena indignação motivada pela morte de George Floyd nos EUA e mobilização em França contra a violência policial.

França recorre à justiça após novas acusações de racismo nas polícias

O ministro do Interior, Christophe Castaner, reagiu um dia após a publicação pelo 'site' de informação Streetpress de uma investigação que revela a existência de um grupo no Facebook, o "TN Rabiot Police Officiel", que será reservado às forças da ordem e que inclui 8.000 membros.

Segundo a investigação, foram partilhadas numerosas mensagens de apelo ao ódio, racistas, sexistas, homofóbicas e de outra índole.

"Caso se confirmem, estas observações inaceitáveis são de natureza a atentar gravemente contra a honra da polícia e da 'gendarmerie' [força militar com missões policiais entre a população civil] nacionais", comentou-se nos círculos próximos do ministro, segundo a agência noticiosa AFP.

Castaner, que na quarta-feira prometeu uma "sanção" por "cada infração, cada excesso, cada palavra, incluindo expressões racistas", por parte das forças da ordem, recorreu ao procurador de Paris em virtude do artigo 40.º do Código de Processo Penal.

Este instrumento impõe a "toda a autoridade constituída, todo o oficial público ou funcionário que, no exercício das suas funções, com conhecimento de um crime ou de um delito (...), avise sem demora o procurador da República".

A promessa de "intransigência" transmitida por Castaner também se relaciona com a necessidade de o seu ministério evitar as acusações de inação face aos sinais tangíveis de racismo entre as forças policiais e militares, indica a AFP.

As acusações de violência policial, associadas ao racismo e objeto de recorrentes polémicas em França nos últimos anos, voltaram a estar na ordem do dia na sequência da indignação mundial motivada pela morte em 25 de maio de George Floyd, um norte-americano negro de 46 anos asfixiado por um polícia branco durante a sua detenção na cidade norte-americana de Minneapolis.

Para sábado estão previstas novas ações em várias cidades francesas contra a violência policial, apesar das regras sanitárias relacionadas com a pandemia da covid-19 e que proíbem concentrações de mais de 10 pessoas.

Na tarde de terça-feira, em Paris, uma primeira manifestação reuniu pelo menos 20.000 pessoas após um apelo da família de Adama Traoré, um jovem homem negro morto em 2016 após ser detido pela polícia nos arredores de Paris.

Esta manifestação revelou-se um inédito sucesso popular, que ultrapassou todas as previsões policiais, apesar da proibição municipal justificada pela covid-19.

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