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  • 19 NOVEMBRO 2019
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País acordou com anúncio (desejado) do fim de uma greve que gerou o caos

Os motoristas de transportes de matérias perigosas terminaram a greve, mas as consequências destes três últimos dias fizeram-se sentir em todos os setores da economia. Após três dias de paralisação, o Governo - que tem o papel de mediador - anunciou que as partes chegaram a um acordo e a greve foi levantada.

País acordou com anúncio (desejado) do fim de uma greve que gerou o caos

Os condutores portugueses podem respirar de alívio: a greve dos motoristas de transportes de matérias perigosas terminou. Os constrangimentos deverão continuar a fazer-se sentir nas próximas horas, porque o regresso à normalidade será "gradual", mas o pior já terá passado. 

O anúncio foi feito pelo ministro das Intraestruturas, Pedro Nuno Santos, depois de uma maratona negocial de 10 horas, e coloca um ponto final à escassez de combustíveis, que teve impacto não só na vida dos portugueses como em operações de empresas e outras entidades de interesse público. 

Quando é que a situação regressa à normalidade?

Esta é a questão que os portugueses mais querem ver esclarecida, mas é também a que tem gerado mais controvérsia. Uma coisa é certa: não será de um momento para o outro, mas antes "gradual", como anunciou Pedro Nuno Santos. 

A ideia de que o regresso à normalidade "não será imediato" foi de resto apoiada pela Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), que apontou para que os abastecimentos sejam totalmente restabelecidos na "segunda ou terça-feira", pelo que as filas nas bombas de gasolina deverão manter-se.

O Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) é mais otimista e diz que a situação será restabelecida nas próximas 48 horas. Porém, a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) discorda e diz que serão necessários até cinco dias.

Postos prioritários e limite de abastecimento mantêm-se

A limitação do abastecimento de 15 litros por viatura nos postos prioritários, no âmbito da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento (REPA), anunciada pelo Governo na quarta-feira, vai manter-se até à "normalização total do serviço", confirmou fonte do Ministério do Ambiente e da Transição Energética ao Notícias ao Minuto

Esta rede foi criada para racionar o abastecimento de combustíveis, devido à escassez da matéria-prima por causa da greve. Há 310 postos incluídos na REPA, que estão obrigados a reservar pelo menos uma unidade de abastecimento para uso exclusivo de entidades prioritárias. Pode consultar esses locais nesta lista (página 55).

Ora, perante os constrangimentos dos últimos dias e tendo em conta que muitos portugueses se preparam para fazer deslocações nos próximos, por causa da Páscoa, também a PSP anunciou um reforço do policiamento em cerca de 400 postos de abastecimento de combustíveis, para prevenir perturbações da ordem pública. No entanto, a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, já disse que a operação turística da Páscoa vai decorrer "com normalidade".

O que conseguiram estes trabalhadores?

Facto é que a greve terminou com a assinatura de um documento que promete concluir até ao dia 31 de dezembro deste ano o procedimento de negociação coletiva, de acordo com a missiva, que foi distribuída aos jornalistas na conferência de imprensa, em Lisboa. 

Este foi, aliás, um dos motivos que levou o sindicato a fazer o levantamento da greve. O processo de negociações contará com a supervisão do Governo e a primeira reunião está agendada já para o dia 29 de abril. "Foram 72 horas duras", adiantou o sindicato.

"Os trabalhadores tiveram um comportamento correto e uma importante vitória: fizeram-se ouvir, foram ouvidos e conseguiram que se iniciasse um processo negocial com a ANTRAM que permitirá garantir a dignificação, a valorização do seu trabalho e da profissão de motorista de materiais perigosos", enalteceu o ministro Pedro Nuno Santos.

Três dias de greve e o caos instalou-se

Os últimos dias foram marcados pelo braço-de-ferro entre o sindicato e a ANTRAM, que se reuniram por duas vezes com mediação do Governo. A greve dos motoristas de matérias perigosas começou às 00h00 de segunda-feira e foi convocada pelo SNMMP, por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica

Gerou-se a corrida aos postos de abastecimento de combustíveis, provocando congestionamento nas vias de trânsito. Também os aeroportos de Lisboa e de Faro foram afetados pela escassez de combustível, com a ANA - Aeroportos de Portugal a admitir "disrupções operacionais". A TAP chegou, inclusive, a ter de cancelar um voo. 

Na noite de ontem, chegou a ser acordado ontem um alargamento dos serviços mínimos a todo o país, em que ficaria assegurado o abastecimento a 100% nos hospitais, estabelecimentos prisionais, forças de segurança, aeroportos e entre outras entidades de interesse público. Paralelamente, este alargamento previa a realização de 40% das operações normais de abastecimento em todos os postos de abastecimento do território nacional, incluindo a granel e gás embalado. 

Direita saiu ao ataque, Marcelo pediu resposta "musculada"

O principal partido da oposição, o PSD, criticou o Governo por não ter acautelado reservas especiais de combustíveis para bombeiros, Proteção Civil e forças de segurança, considerando que "correr atrás do prejuízo" quando se sabia da greve há 15 dias é "uma irresponsabilidade". O CDS-PP afinou pelo mesmo diapasão, lamentando "a incompetência" do Governo.

Na quarta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, chegou, inclusive, a pedir uma "intervenção musculada" do Governo nas negociações entre os sindicatos e transportadoras, considerando que o  "conflito é com privados mas mexe com o interesse público, isto já depois de o primeiro-ministro António Costa ter admitido, sem sede de debate quinzenal no Parlamento, a hipótese do alargamento dos serviços mínimos a todo o país.

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