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"Quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero. Não é 0,1, é zero"

Presidente do FC Porto aponto as dificuldades causadas pela pandemia de Covid-19.

"Quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero. Não é 0,1, é zero"

No mais recente episódio da série documental 'Ironias do Destino', emitida no Porto Canal, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, falou sobre os problemas financeiros que os azuis e brancos viveram devido à pandemia de Covid-19, apontando a nega dada pelo Novo Banco a um empréstimo.

"Foi um período dificílimo, quase impossível, porque quase de um momento para o outro ficámos sem qualquer receita. Os sócios maioritariamente deixaram de pagar quotas, os camarotes deixaram de ser pagos, os lugares cativos deixaram de ser vendidos, o merchandising deixou de vender, porque as lojas tinham que estar fechadas. Tivemos um prejuízo de 27 milhões de euros. Quando precisámos de ajuda foi-nos dado zero, não foi 0,1, foi zero", começou por dizer Pinto da Costa.

"Chegou ao ponto ridículo de precisarmos de um financiamento de dois milhões de euros para cumprir aquelas despesas obrigatórias no final do mês, pagamentos de salários a funcionários, impostos, etc. Recorremos ao Novo Banco para nos emprestar dois milhões de euros e à Federação. O presidente da Federação, junto do Novo Banco, explicou-lhes que o FC Porto iria receber uns milhões da participação nas provas da UEFA e que esse dinheiro vinha através da Federação, e esta comprometia-se a pagar ao Novo Banco diretamente. O risco era nenhum, mas depois de todas essas garantias esse empréstimo foi-nos recusado", prosseguiu, apontado ainda o dedo à falta de ajudas do Estado português.

"Felizmente resolvemos o problema com um banco alemão. Um banco português, que nós pagámos, com ajudas do Estado, não nos emprestou dois milhões de euros. Isso foi até ao presidente do banco, que dizem que é um iluminado. O António Ramalho recusou esse empréstimo. Foi dificílimo. Conseguimos resolver o problema com a Altice, mesmo com um pequeno atraso manteve sempre os pagamentos, e tivemos uma empresa que foi impecável, que cumpriu integralmente na hora, que foi a Super Bock, com quem temos um contrato antigo, foi a única fonte de receita. Foram 27 milhões de euros que foram ao ar sem qualquer participação, sem qualquer ajuda, sem qualquer licença para adiar impostos. Nada. Com uma agravante que ainda hoje se mantém", sublinhou Pinto da Costa.

"Não só não nos ajudaram, como nos estão a dever dinheiro, porque neste momento o Estado deve-nos a devolução de IVA que devia estar do nosso lado desde o dia 31 de dezembro. O dinheiro está lá, empurram de uns para os outros. No final da Champions falei ao Primeiro-Ministro, que se tinha comprometido com o doutor Fernando Gomes para ver o que se passava, ele até julgava que estava resolvido, mas está resolvido… para o lado deles, porque o nosso dinheiro está do lado deles", finalizou.

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