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São já 40 anos a escrever de "uma maneira diferente para os miúdos"

A escritora Alice Vieira cumpre 40 anos desde que publicou o primeiro livro para jovens, "Rosa, minha irmã Rosa", e atribui o sucesso do livro, então e agora, a "uma maneira diferente de escrever para os miúdos".

São já 40 anos a escrever de "uma maneira diferente para os miúdos"
Notícias ao Minuto

19:08 - 10/07/19 por Lusa

Cultura Alice Vieira

"Talvez também o facto de eu ser jornalista. Eu gosto mais de escrever histórias do nosso tempo, histórias de agora e quem começar a ler agora [o 'Rosa, minha irmã Rosa'] e for ler os livros até ao fim, tem um bocadinho a evolução da nossa vida", afirmou Alice Vieira à agência Lusa.

Aos 76 anos, Alice Vieira já publicou dezenas de livros, vendeu mais de dois milhões de exemplares, sobretudo de histórias para crianças e jovens, e "Rosa, minha irmã Rosa" é considerado uma das obras de referência da literatura infantil e juvenil em Portugal.

"Penso que foi uma maneira diferente de escrever para os miúdos. Eram histórias reais, eram os sítios que eles conheciam, as personagens e a vida que eles conheciam. Penso que foi isso que os motivou, até hoje, à leitura do livro", disse.

É recorrente contar, em entrevistas e nas milhares de visitas que faz a escolas, que "Rosa, minha irmã Rosa" foi escrito com a ajuda dos dois filhos para os distrair.

A história só saiu da gaveta, porque o marido a enviou para um concurso literário da Editorial Caminho, por causa do Ano Internacional da Criança, no qual obteve o primeiro prémio. O editor que o escolheu foi Zeferino Coelho, nome histórico do meio editorial.

"Eu queria fazer uma coisa diferente. A maneira que eu pensei que tinha de ter os meus filhos a escrever aquela coisa era falar da família", recordou Alice Veira.

A narrativa de "Rosa, minha irmã Rosa" decorre em contexto familiar, focando-se em Mariana, uma rapariga que se vê confrontada com a ideia de deixar de ser filha única, com a notícia do nascimento de uma irmã.

A história está marcada pelos dilemas de Mariana, mas também por personagens como a amiga Rita, as avós Elisa e Lídia e a tia Magda. "Quem nos conhece naquela altura, há 40 anos, conhece toda a gente [as personagens]. (...) Dissemos mal da família toda", disse, com uma gargalhada.

Sobre este livro, Alice Vieira conta agora que estava grávida quando o escreveu com os filhos.

"Naquela altura, quando fiz aquela história com eles, eles já tinham nove, dez anos, sempre tinham vivido juntos e eu estava com medo que a irmã ou irmão que estava para nascer viesse alterar isso. E sem eles saberem introduzi aquela história da irmã mais nova, para ver como é que eles reagiam. Pelo meio, tive um desastre complicado e a criança não nasceu, mas foi isso que desencadeou a história", lembrou.

Depois do sucesso de "Rosa, minha irmã Rosa", Alice Vieira escreveu outros dois livros com as mesmas personagens - "Lote 12, 2.º frente" (1980) e "Chocolate à chuva" (1982) - e a trilogia é ainda motivo de conversa nos encontros com alunos e com adultos, que foram seus leitores na infância.

Em quatro décadas de escrita, Alice Vieira também publicou poesia e romance para adultos, mas é no universo infanto-juvenil que a situam, com várias dezenas de livros, prémios e amizades que duram até hoje.

Olhando para trás, a escritora diz que, com a escrita para os mais novos, cumpre uma promessa pessoal: "Tive uma infância complicada e lembro-me de ter dito para mim própria: 'Nunca me hei de esquecer disso'. Foi um bocadinho vingança".

Apesar de "Rosa, minha irmã Rosa" ser sempre considerado o marco da estreia literária da escritora, a verdade é que tinha já publicado duas obras antes de 1979: o livro de poemas "De estarmos vivos" (1964) e o de contos "Um nome para setembro" (1977).

"Nem de um nem de outro recebi um centavo, e o primeiro ninguém sabia que era eu, assinava Alice Vassalo Pereira", contou, a rir-se.

Apesar dos problemas de saúde, Alice Vieira disse estar a finalizar uma biografia sobre a escritora Sophie Rostopchine, conhecida como Condessa de Ségur, e aproveita o descanso das férias escolares.

É que tem já marcadas visitas a escolas, para encontros de leitura com alunos, quase até ao final do próximo ano lectivo, em junho de 2020.

"Rosa, minha irmã Rosa", recomendado peo Plano Nacional de Leitura, terá a 34.ª edição este mês pela Editorial Caminho, numa edição comemorativa ilustrada por Patrícia Furtado.

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