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"A forma de garantir a saúde da democracia é ter mais candidatos"

Marisa Matias esteve à conversa com Ricardo Araújo Pereira. Segundo a candidata à presidência, há lugar para todos os três candidatos de esquerda que já se apresentaram nesta corrida a Belém. A eurodeputada garantiu ainda que, nos próximos meses, irá dedicar-se a falar com todos que vivem em situações difíceis de precariedade para lhes dar voz.

"A forma de garantir a saúde da democracia é ter mais candidatos"

Marisa Matias foi a entrevistada, deste domingo, no programa conduzido por Ricardo Araújo Pereira, 'Isto é Gozar com Quem Trabalha', na SIC. 

Confrontada pelo humorista com o facto de na última corrida a Belém ter sido a mulher mais votada de sempre em eleições presidenciais e questionada sobre "como vai aproveitar estes últimos quatro meses com esse recorde", Marisa Matias garantiu que valoriza "muito mais as mulheres do que os recordes" e que vai passar os próximos tempos a "falar com homens e mulheres que vivem em situações difíceis de precariedade, a tentar dar-lhes voz".

"Como é que é possível que tenhamos de viver quase meio século de democracia em Portugal para que uma mulher pudesse ter mais de 10% numa votação presidencial", observou a candidata, que, em 2016, ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais, conquistando 10,12% dos votos, ultrapassando o resultado de Maria de Lurdes Pintasilgo, em 1986.

Quanto ao facto de já se terem proposto três candidatos de esquerda às eleições de janeiro, a eurodeputada bloquista garantiu, em tom de piada, que para bem da democracia e da situação pandémica, não andarão "em cima uns dos outros". Num registo mais sério, a candidata referiu que não acredita que haja falta de espaço para os três candidatos da ala da esquerda.  

"Não creio que esse risco exista. Foi importante que o PCP apresentasse um candidato (João Ferreira) e que a Ana Gomes se apresentasse. Espero bem que se perceba que a forma de se garantir a saúde da democracia é ter, exatamente, mais candidatos e não o contrário", defendeu. 

Sobre as dificuldades em distinguir a sua candidatura dos restantes - visto que o PCP e o BE "defendem o mesmo" e Ana Gomes também é mulher e eurodeputada, brincou Araújo Pereira - Marisa Matias recordou que se se for analisar aquilo que foi a trajetória e as posições tomadas por cada, um nos últimos anos, as diferenças são claras.

Numa última pergunta, o humorista lembrou que na apresentação da candidatura, Marisa Matias declarou que iria "fazer uma campanha contra o medo". Perante esta afirmação, questionou: "Acha que é possível mobilizar os portugueses contra o cagaço?" 

Entre risos, a dirigente do BE respondeu à letra: "Depende do cagaço de que estamos a falar. (...) Mas, falando a sério, já há cinco anos, quando me apresentei a eleições, havia muita pobreza e desigualdades resultado de uma crise económica, agora, porque não se fez nada para combater a precariedade, as pessoas continuam em situações muito difíceis. Espero que ainda estejamos num país onde seja possível mobilizar contra o cagaço da opressão, desigualdades e pobreza. Se não, é sinal de que estamos num caminho muito errado".

A cerca de quatro meses das eleições presidenciais, já são oito os pré-candidatos ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, que só anunciará a sua decisão em novembro quanto a uma recandidatura.

São eles o deputado André Ventura (Chega), o advogado e fundador da Iniciativa Liberal Tiago Matam Gonçalves, o líder do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, a eurodeputada e dirigente do BE Marisa Matias, a ex-deputada ao Parlamento Europeu e dirigente do PS Ana Gomes, Vitorino Silva (mais conhecido por Tino de Rans), o ex-militante do CDS Orlando Cruz e João Ferreira, do PCP.

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