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Autora de texto polémico sobre mulheres reage: "Falo de amor"

Joana Bento Rodrigues garante que as suas palavras não são um incentivo aos homens que defendem que as mulheres devem ficar em casa a cuidar da família. A médica, ligada ao CDS, diz que fala de "amor" e explica ser contra a lei da paridade, não só porque viola a Constituição da República Portuguesa, como retira "mérito" às mulheres que são tão ou mais capazes do que os homens.

Autora de texto polémico sobre mulheres reage: "Falo de amor"

Joana Bento Rodrigues é a autora do mais recente artigo de opinião gerador de polémica. No texto em causa, a médica defende que “por norma, a mulher não se incomoda em ter menos rendimentos que o marido” pois “a mulher gosta de se sentir útil, de ser a retaguarda e de criar a estabilidade familiar, para que o marido possa ser profissionalmente bem sucedido”.

Estas palavras geraram, de imediato, polémica no seio da opinião pública, com vários deputados do Partido Socialista a levantarem a voz contra a autora das mesmas.

Contactada pelo Notícias ao Minuto, Joana Bento Rodrigues confessou que “esperava que o texto gerasse celeuma e polémica (…) mas não esperava que as reações fossem tão numerosas” e apontou o dedo ao “marxismo cultural”, que considera ser o responsável pela forma como as mulheres são vistas hoje em dia na sociedade ocidental.

“A nossa sociedade está imbuída dos princípios do marxismo cultural que começou a ser desenhado nos anos 20” e que defendia uma “aculturação das populações” cuja estratégia começava pela “destruição da família” e pela “denúncia dos oprimidos e das vítimas de preconceito”.

“E assim a mulher começou a ser instrumentalizada para renegar a sua vontade própria e o seu instinto. É disso que fala o artigo”, garante, acrescentando que é também de “amor” que o seu texto fala.

Fala sobre a união do casal enquanto um só, unidos num projeto comum, cada um assumindo o papel em que se sente mais confortável. A incitação ao ódio para com a mulher é precisamente o tipo de reações totalmente desproporcionadas a que tenho assistido

A médica, membro integrante do TEM – Tendência Esperança em Movimento que é a corrente de opinião democrata-cristã do CDS, voltou a criticar a nova lei da paridade, tal como já o havia feito no artigo publicado no Observador.

Falando sobre o passado, Joana Bento Rodrigues esclarece que, "naturalmente, que a mulher precisou de se movimentar para alcançar a igualdade em questões como o direito ao voto e a possibilidade de frequentar o ensino".

Foram precisas quotas? Não. Foi preciso mérito e vontade genuína

E nesta senda questiona o que irá acontecer “se, porventura, as mulheres ultrapassarem os 40% de representatividade”.

“Legisla-se as quotas para os homens? E onde está o limite em relação a outros grupos que são propalados como minoritários? Também se criam quotas?”, pergunta, para de seguida apontar a “questão legal” que a lei da paridade não respeita, referindo-se ao artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa cujo número 2 determina que “ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

“Desta forma”, sublinha, a “lei da paridade vai totalmente contra a nossa Constituição, o que não é aceitável”.

Apesar de admitir compreender que quem defende a aplicação de quotas de mulheres fá-lo com o objetivo de “acelerar um processo que, embora reconheçam ser natural, acreditem ser lento”, Joana Bento Rodrigues adverte que o que é “artificial e imposto, por norma, não gera bons resultados”.

Questionada se não receia que as suas palavras sejam interpretadas pelos homens agressores como uma espécie de incentivo à vida caseira das mulheres, a centrista rejeita qualquer ligação ao tema, lamentando a "desoladora realidade a que temos assistido no que respeita à violência doméstica" e, por isso, considera que uma “pessoa intelectualmente honesta jamais inferirá tal conclusão” das suas palavras.

Quanto à vida profissional de homens e mulheres, a médica ortopedista serve-se do exemplo da Noruega onde, refere, “o homem e a mulher têm a oportunidade de fazer escolhas, que acabam por ser baseadas na propensão natural de cada um para escolher o que lhe traz mais conforto e felicidade. É por isso que nesse país se assiste a uma grande diferença na representatividade de mulheres e homens em diferentes profissões, como enfermagem e engenharias”.

Por fim, perguntámos a Joana Bento Rodrigues se considera que uma mulher com uma carreira de sucesso, como é aliás o caso da líder do CDS, só consegue atingir determinado patamar ao negligenciar a família, mas a médica recusa “fazer esse tipo de ilações”, baseando-se apenas na “perceção subjetiva” que tem “fruto do que a doutora Assunção Cristas dá a conhecer publicamente”.

“Parece-me que há uma total sintonia com o esposo, que a apoia incondicionalmente e que, num projeto comum, unidos pelo amor e admiração que nutrem um pelo outro, estão assim presentes e atentos um ao outro e na vida dos filhos. Ora tal conduta vai exatamente ao encontro do que refiro no artigo”, remata.

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