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Faltas e passwords: A "dramatização" que fez de Rio a "principal vítima"

O mistério das faltas do deputado José Silvano precisou de password para ser, em parte, resolvido. Agora que a verdadeira presença foi revelada surge a dúvida: Será esta uma prática comum no Parlamento? E não só entre deputados, mas também entre partidos? O Notícias ao Minuto conversou com dois politólogos que ajudam a desvendar o mistério que 'esconde' atrás de si um PSD zangado consigo próprio mas, principalmente, com o líder: Rui Rio, a "principal vítima".

Faltas e passwords: A "dramatização" que fez de Rio a "principal vítima"

Chegou a secretário-geral do PSD em março deste ano, depois da saída 'abrupta' de Feliciano Barreiras Duarte, com a convicção e o desejo de o seu partido “chegar novamente ao poder”, tendo como missão, pelo caminho, “unir o partido”. Pouco mais de meio ano passado, viu-se envolvido num 'imbróglio' e acabou 'tramado' por uma password, que o fez estar presente mas, afinal, ausente, ou por uma colega que, "inadvertidamente", assinou 'presente'. 

Desvendado, pelo menos em parte, o mistério dos últimos dias na bancada parlamentar do PSD, António Costa Pinto, politólogo, fala ao Notícias ao Minuto de uma certa “dramatização” de um caso que poderá muito bem refletir uma “prática mais antiga e generalizada” na Assembleia da República e que “foi, agora aqui, explorada” com Jorge Silvano.

Este é um caso que parece ter sido desencadeado a partir “da dinâmica interna” da bancada ‘laranja’, juntado-se assim a outros episódios mais recentes que já davam a entender “as tensões” no seio do grupo parlamentar do PSD, realça.

Opinião semelhante tem o também politólogo José Adelino Maltez para quem ficou “clarinho” que a partilha de passwords é “prática habitual” no Parlamento, a par de uma “tensão enorme” no interior do partido liderado por Rui Rio.

Este episódio, que “acabou por gerar toda esta polémica”, não é, porém, um “caso particularmente grave”. Mas sim, destaca Adelino Maltez, o espelho das “guerras internas do PSD” e até “costume na vida interna dos partidos”.

Para o António Costa Pinto, o caso que envolve José Silvano acaba por ser empolado com a abertura de um inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR), refletindo “uma dinâmica justicialista”, na qual o próprio 'visado' acabou também por participar, ao ter apoiado uma investigação ao caso por parte do Ministério Público.

O professor universitário estranha ainda, nestas declarações ao Notícias ao Minuto, “a aparente demissão da própria Assembleia da República” em resolver a questão, dado que faria sentido ser o Parlamento, e não a PGR, a debruçar-se sobre o tema.

Nesta senda, Adelino Maltez aponta mesmo o dedo ao sistema, ao considerar que o modelo atual de marcação de presenças “falhou”. Mais. O politólogo defende que “não deve haver este controlo aos deputados”, pois faz com que sejam “reduzidos a um funcionariozeco. E isso não pode ser”.

Temos a mania que eles [deputados] são funcionários de uma direção-geral. Não pode ser. Não sou nada favorável a obrigar os deputados a serem controlados, só são controlados pelo voto. Não posso exigir que lá estejam, mas se não estiveram, para a próxima vez não voto neles

Faltas, polémicas, e dúvidas à parte, que consequências há a retirar? Tanto Adelino Maltez como António Costa Pinto não têm dúvidas de que existirão. Para o primeiro, a consequência maior é o facto de que este “episódio não foi bom para o país, não foi bom para o Parlamento, não foi bom para os partidos, e não foi bom para o PSD”. Aliás, considera, a forma como Rui Rio reagiu à polémica – respondendo em alemão aos jornalistas portugueses – terá também consequências para o líder do PSD que é, na opinião do politólogo, a “principal vítima”.

António Costa Pinto também não tem dúvidas de que estamos perante mais um caso que acaba por contribuir para "um discurso anti-partidos e anti-políticos".

A culpa é da password, que expôs uma prática comum?

A 3 de novembro, o semanário Expresso noticiou que José Silvano não teve qualquer falta nas 13 reuniões plenárias que se realizaram em outubro, pese embora não tenha estado presente nos dias 18 e 24.

Dois dias depois, o presidente do PSD, Rui Rio, garantia que mantinha a confiança política no seu vice-presidente, descrevendo a polémica como sendo do domínio das “pequenas questiúnculas”. Mais polémico foi mais recentemente, a 7 de novembro, quando respondeu em alemão aos jornalistas em Bruxelas, à margem do Congresso do PPE em Helsínquia .

Nesse mesmo dia, à noite, a PGR anunciou estar a analisar o caso para decidir "se há algum procedimento a desencadear". José Silvano convocou então uma conferência de imprensa - sem direito a perguntas - para falar, na primeira pessoa, sobre o caso: "Quero afirmar que não pedi a ninguém que registasse a minha presença no plenário da Assembleia da República, tal como estou convencido de que nenhum deputado o terá feito, mesmo quando no exercício de cargos executivos de direção partidária ao longo de anos".

E de sobressalto, esta sexta-feira, a deputada Emília Cerqueira convocou uma conferência de imprensa para assumir e explicar o porquê de ser sua a responsabilidade das falsas presenças: "Não assinei propositadamente".

“Várias vezes o fiz, mas ao contrário do que estão a passar, não o fiz para marcar presenças ao senhor deputado. Ele nunca mo pediu, nem eu o fiz, pelo menos propositadamente, porque agora percebo que o fiz inadvertidamente. Lamento que tal tenha sucedido e mais ainda lamento que se tenha criado este circo mediático à volta de uma coisa tão simples como um colega partilhar ficheiros de trabalho de outro, no mesmo terminal de computador”, disse a deputada eleita pelo círculo de Viana do Castelo.

Em jeito de remate de todo o caso, o líder do grupo parlamentar do PSD, Fernando Negrão, sugeriu que, tendo em conta as explicações de José Silvano e de Emília Cerqueira, o "caso está encerrado".

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