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Fundos de Pedrógão: Para onde foi o dinheiro? Uns acusam, outros explicam

As dúvidas em torno da coordenação de fundos foram levantadas pelos próprios autarcas. Há fundos geridos pelos Estado, mas grande parte do dinheiro estará noutras contas solidárias criadas no momento da tragédia, um valor total que rondará os 14 milhões de euros.

Fundos de Pedrógão: Para onde foi o dinheiro? Uns acusam, outros explicam
Notícias ao Minuto

08:55 - 06/09/17 por Inês André de Figueiredo

País Incêndios

O incêndio de Pedrógão Grande assolou o país. Aquele 17 de junho trágico apanhou todos desprevenidos, com as chamas a deflagrarem e a tomarem conta do território sem que houvesse meios suficientes para travar a força da Natureza. Perderam-se 64 vidas, foram registados mais 250 feridos e o país uniu-se em prol da causa.

Os portugueses, particulares e empresas, contribuíram para fundos solidários com o intuito de ajudar as vítimas do incêndio e, após as declarações do presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, a grande questão é: Onde está o dinheiro e para que foi utilizado?

Foi na antena da RTP que o autarca garantiu que há um “mau estar” no que toca à distribuição de bens, já que Estado e ONG’s estão a ajudar mas muitas vezes falta coordenação, o que leva a que umas pessoas a recebam várias vezes e outras acabem por ficar prejudicadas.

O autarca chegou mesmo a sugerir que o “Banco de Portugal [deve] informar o Ministério Público destas contas, para saber onde é que esse dinheiro foi”.

As reações não se fizeram esperar, primeiro o presidente de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, confirmou a falta de canalização dos apoios e garantiu que não sabe do dinheiro dos fundos solidários. Porém, realçou que não tem conhecimento de “contas solidárias fraudulentas”.

A nível político, Assunção Cristas foi das primeiras a reagir, frisando que as juntas de freguesia estão “completamente postas à margem de todo este processo” e que existe uma “grande queixa em relação à forma como não têm sido envolvidos no terreno e na ajuda às populações, de forma que eles próprios [presidente de junta] não têm como explicar que ajudas estão a ser organizadas no terreno”.

Teresa Morais também pediu explicações, desta feita dirigidas ao Governo, ressalvando que “cumpre ao Governo, que entendeu criar um fundo público, gerido por uma entidade pública e tutelado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, explicar cabalmente aos portugueses que valores são estes, onde estão os restantes donativos, quem os está a gerir e em que termos”.

A vice-presidente do PSD acusou ainda o Governo de revelar “total descoordenação e incapacidade” em gerir os donativos privados que os portugueses juntaram para as vítimas do incêndio.

O caso levou ontem o Presidente da República a pedir esclarecimentos para que os portugueses percebam o que está em cima da mesa. “Penso que é útil que quem de direito esclareça os portugueses sobre uma matéria que me foi explicada a mim no dia 17 de agosto, mas acho que deve ser explicado aos portugueses. Só uma parte dos fundos é que é gerida pelo Estado e a outra parte é gerida por outra entidades sociais por escolha da sociedade civil. E acho que era bom se explicassem aos portugueses quem gere o quê”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

E o líder do PSD, Passos Coelho, também questionado sobre o assunto que marca o momento, foi perentório, embora não se alargando muito: “O Governo não tem de dar explicações sobre aquilo que não está à sua guarda. Tem de dar explicações sobre aquilo que está à sua guarda”.

O líder social-democrata garantiu que não está em causa nenhuma “guerrilha partidária”, mas que, numa “sociedade madura, em que é suposto o Governo gerir com transparência estas matérias, é absolutamente natural que havendo dúvidas sobre estas questões que elas sejam colocadas e cabe ao Governo explicá-las”.

A resposta do Governo surgiu por parte do próprio chefe do Executivo, que garantiu que “é bom termos esta oportunidade para esclarecer que a maior parte dos fundos não foram recebidos pelo Estado”.

Para que as dúvidas sejam devidamente esclarecidas, o primeiro-ministro pediu a um membro do Governo que o quadro do fundo Revita seja publicado, para que seja esclarecido o montante em causa e para que foi canalizado.

Perante as acusações, Costa garantiu ainda que as manifestações de verbas para entrar no fundo Revita atingiram os 4,9 milhões de euros, mas que o valor recebido foi de 1,9 milhões.

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