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As 12 badaladas do primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca

Dos ponteiros do relógio aos meses do calendário, o número 12 ajuda-nos a medir o tempo. No dia em que se assinala o primeiro aniversário da tomada de posse de Donald Trump, o Notícias ao Minuto escolheu 12 temas que marcaram este primeiro ano de governação. Eis as 12 badaladas que assinalaram com estrondo a chegada de Trump à Casa Branca.

As 12 badaladas do primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca
Notícias ao Minuto

08:30 - 20/01/18 por Pedro Bastos Reis e Pedro Filipe Pina

Mundo EUA

No dia 20 de janeiro de 2017, Donald Trump tomou posse como 45.º Presidente dos Estados Unidos da América. 

As polémicas, a quebra de consensos e a imprevisibilidade impuseram-se como a nova rotina. 

Algumas questões marcam já a atualidade, outras deixam dúvidas sobre o que aí virá. Certo é que Trump continua igual a si próprio.

Mantendo o Twitter como principal forma de comunicar, Trump distinguiu-se pelos ataques à imprensa, que apelida de "fake news", por reviravoltas constantes na política internacional dos EUA e pela sua vontade manifesta de mudar muito do que fora a política do seu antecessor, Barack Obama.

A sua caminhada vitoriosa nas primárias republicanas dava a certeza a uma das promessas de Trump: a de que as coisas seriam diferentes. E se há algo em que críticos e defensores de Trump concordam é que há coisas que mudaram.

Com estas 12 badaladas se marcou o primeiro de quatro anos de mandato.

Lei da imigração

Mesmo antes de chegar à Casa Branca, Donald Trump prometeu que ia acabar com o extremismo islâmico e com o terrorismo. Como é que o decidiu fazer? Criando uma lei contra a imigração.

Conhecida como o veto migratório, a lei tem andado de tribunal em tribunal, tamanhas as irregularidades e dúvidas que levanta. O objetivo da lei é impedir a entrada nos Estados Unidos de pessoas oriundas, sobretudo, de países muçulmanos. O curioso é que os Estados Unidos nunca sofreram qualquer atentado, no seu território, perpetrado por pessoas oriundas destes países. Iémen, Irão, Líbia, Síria, Somália e Sudão. O ‘veto’ foi depois alargado à Coreia do Norte e à Venezuela, países cujas relações com os Estados Unidos têm sido marcadas pela constante tensão.

'Shithole countries'

A imigração foi tema forte da campanha de Trump, como vimos. E foi precisamente numa reunião na Sala Oval sobre o tema que se deu a mais recente das polémicas de Trump. Falamos da forma como se referiu a países africanos e a nações como o Haiti e El Salvador: "shithole countries", ou seja, 'países de merda'. Trump, porém, não se ficou por aqui. E disse também que esperava que chegasse aos EUA imigrantes de outros países, como a Noruega.

Trump negou ter usado os termos mas as reações de países visados não se fizeram esperar. Porém, houve mais críticas, algumas bem humoradas. Foi o caso do apresentador Trevor Noah, que insinuou que Trump deu logo como exemplo a Noruega, "o país de onde as pessoas são mais brancas". Se ao menos ainda tivesse sugerido Portugal...

Reforma fiscal

Dentro do próprio Partido Republicano, a convergência com as decisões e ideias de Donald Trump tem sido complicada de gerir. A primeira grande vitória da administração deu-se no início de dezembro, quando o senado, que tem maioria republicana, aprovou a reforma fiscal de Trump.

A proposta, que entra em vigor em 2018, inclui uma grande diminuição de impostos para as empresas, de 35% para 21%, e em menor medida para os trabalhadores. A reforma fiscal é considera a mais ambiciosa desde os tempos de Ronald Reagan e agradou, particularmente, aos republicanos. Já o Partido Democrata alerta para o facto de as novas medidas favorecerem bastante os ricos, prejudicando a classe média e os pobres.

'Fire and Fury', o livro que criou um novo inimigo a Trump

Certo dia, o jornalista Michael Wolff consegue autorização para entrar na Casa Branca para entrevistar funcionários e pessoas da administração Trump. Chega mesmo a falar com o próprio Trump, apesar de este o desmentir. Tudo reunido dá origem ao livro ‘Fire and Fury: Inside the Trump White House’.

Quando começa a ser revelado o conteúdo do livro, em que, por exemplo, o autor cita fontes próximas de Trump a dizer que estas o consideram “uma criança”, o presidente tenta impedir a publicação do livro e ameaça mesmo processar Michael Wolff. O resultado? A publicação é antecipada e ‘Fire and Fury’ torna-se um sucesso de vendas. Trump responde e diz que é um “génio estável” e, não fossem existir dúvidas, chama mesmo o médico da Casa Branca para examiná-lo e garantir que o homem mais poderoso do mundo está bem de saúde.

Notícias ao MinutoEleito a 8 novembro de 2016, Donald Trump tomou posse a 20 de janeiro do ano seguinte© Reuters

Quando toda a má imprensa é "fake News"

A popularidade enquanto milionário e apresentador terá sido essencial para a eleição de Trump. Mas se houve algo que marcou a sua ascensão e este primeiro ano de mandato foi a sua relação conflituosa com a imprensa. E a distância acentuou-se logo no dia da tomada de posse, dia que ficou marcado pela insistente defesa de assessores de Trump, que diziam que a tomada de posse tinha sido muito mais concorrida do que a de Obama, apesar de as imagens o negarem.

Trump, porém, nunca recuou no seu discurso. E a cada novo trabalho de meios como o Washington Post, o New York Times ou a CNN que o punham em causa, uma acusação repetia-se: são "fake news", tudo 'notícias falsas' que apenas servem para o prejudicar.

De tweet em tweet... até ao "covfefe"

Donald Trump era já um conhecido adepto do Twitter bem antes de chegar à presidência. Mas a chegada à Casa Branca não trouxe grandes novidades na forma de Trump comunicar. É ali, naquela plataforma, que Trump responde aos críticos, dá novidades políticas e se lança nas mais invulgares confusões.

Em alguns casos encontramos um bate-boca com o líder da Coreia do Norte à volta do poder nuclear, noutros temos Trump a partilhar imagens das aparições dele em espectáculos de Wrestling a atirar ao chão uma CNN. Por vezes temos só o absurdo pelo absurdo, como quando Trump publicou um tweet que dizia apenas "covfefe" e deixou meio mundo a tentar decifrar o que queria dizer.

A 'roda viva' das saídas e entradas da equipa de Trump

Quando a comunicação não é via Twitter, há quem na equipa de Trump assuma as despesas. Pode é não ficar muito tempo no cargo. Sean Spicer, por exemplo, durou poucos meses. E foi substituído por Anthony Scaramucci, que esteve no cargo apenas 10 dias. Muito antes, já o assessor para questões de segurança Michael Flynn tinha sido despedido.

Mas se Trump se destaca por polémicas, não são poucas as figuras que lhe são próximas que mostram ter a mesma capacidade para se destacar (e de merecer imitações no programa de humor Saturday Night Live). É o caso de figuras como Stephen Miller, Kellyanne Conway ou Sarah Sanders, a atual responsável pelas conferências de imprensa da Casa Branca. Mas a maior e mais importante saída talvez tenha sido a de Steve Bannon. Figura de relevo da alt-right, Bannon foi essencial na ascensão de Trump. E acabou por ser uma das mais marcantes saídas da Casa Branca. Quando, na altura do lançamento de 'Fire and Fury, se soube das críticas que Bannon fazia a Trump, o presidente norte-americano foi 'seco' e implacável. "Quando foi despedido, ele não perdeu apenas o emprego, perdeu também a cabeça", afirmou.

Rutura com os acordos internacionais

Para Trump, as alterações climáticas não existem e são uma invenção dos chineses. Ainda antes de chegar à presidência dos Estados Unidos, esta já era a posição de Trump relativamente a esta temática. No entanto, de forma surpreendente ou nem tanto, o presidente decide mesmo retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris e abandonar, desta forma, a luta pela preservação do planeta.

Esta decisão unilateral que abalou a convergência na política internacional não foi, contudo, a única. Os Estados Unidos decidiram também abandonar a UNESCO, acompanhados, posteriormente, por Israel, e pôr em causa os acordos de comércio internacional, como a Parceria Transpacífica ou o comércio livre com o Canadá e o México.

Coreia do Norte e Irão são os grandes alvos

Desde a divisão da Coreia em dois países, a relação dos Estados Unidos com a Coreia do Norte tem sido marcada pela enorme tensão e conflito. Com o Irão, desde a Revolução Islâmica, em 1979, a mesma coisa. Obama não conseguiu melhorar significativamente a relação com Pyongyang, mas, antes de abandonar a Casa Branca, o ex-presidente conseguiu um acordo histórico com Teerão, para conter o programa nuclear iraniano.

Assim que chegou à presidência, Donald Trump decidiu que o regime dos Ayatollahs é novamente o alvo a abater, o que elevou a ameaça para níveis bastante perigosos para a estabilidade da instável região do Médio Oriente, agravada por um confronto regional de Teerão com a Arábia Saudita. Com a Coreia do Norte, a retórica ainda tem sido mais agressiva, com Kim Jong-un e Trump a trocarem acusações frequentemente. Quando a discussão chega ao ponto de se medir quem tem o botão nuclear maior, o mundo tem razões para ficar bastante preocupado.

Isolamento na questão do estatuto de Jerusalém

O conflito Israel/Palestina prolonga-se há várias décadas e a paz continua a ser uma miragem. Washington tem alinhado, sobretudo, ao lado de Israel e desde a década de 1990, já depois dos Acordos de Oslo, que pretende mudar a sua embaixada de Telavive para Jerusalém. Clinton, Bush e Obama, conscientes do perigo desta decisão, nunca a tomaram. Até que chegou Trump e ignorou a importância de Jerusalém, cidade sagrada para as três religiões monoteístas e um dos fatores chave para uma futura solução pacífica na região.

Num discurso a partir da Casa Branca, Trump não só anunciou a mudança da embaixada para a cidade santa, como também reconheceu Jerusalém como a capital de Israel. Para lá da violência que esta posição gerou nos territórios palestinianos ocupados - cerca de 20 mortos e centenas de feridos -, os Estados Unidos conseguiram ficar isolados no plano internacional, com a ONU a condenar veementemente a decisão norte-americana, cujas consequências estão longe de ser totalmente conhecidas.

O muro, a 'grande muralha de Trump'

Mas se é do isolamento que falamos, não há como esquecer uma das mais importantes promessas de campanha de Trump: a construção de um muro a separar os EUA do México, muro esse que seria pago pelos mexicanos.

Ora, da parte do México nunca houve a mais leve cedência à ideia de pagar um muro. Hoje em dia, em comícios, ainda se ouvem gritos de "build that wall" ('constrói esse muro') entre apoiantes de Trump. Entretanto, aumentaram as deportações de imigrantes, houve reforço de guardas fronteiriços e há, de facto, vários quilómetros de vedação a separar os dois países. Mas ainda estamos longe de ver a 'grande muralha' prometida por Trump. A garantia, essa, é a mesma: "vou construir um grande muro - e ninguém constrói muros melhor do que eu, acreditem", afirmou ainda na campanha.

'Da Rússia com amor'?

'Da Rússia com amor' é expressão que dá título a um dos primeiros filmes de James Bond. E é também motivo de paródia nos dias que correm. Recuperamos a expressão com um ponto de interrogação porque é de dúvidas, suspeitas e algum incómodo que se faz esta história.

Em primeiro lugar, convém lembrar que os EUA e a Rússia pontuaram a segunda metade do século XX com uma tensão que deixou as pernas do restante planeta a tremer. E não era por acaso. Durante décadas, a Guerra Fria marcou a relação entre os dois países e deixou o mundo na iminência de um desastre nuclear.  Hoje em dia, porém, o mundo mudou. E com ele mudou também a relação entre os dois países.

Vladimir Putin governa a Rússia dando pouca margem à contestação. Já Trump chegou à Casa Branca com o 'fantasma' da influência russa a pairar sobre as eleições. O FBI acredita que hackers russos tomaram parte nas presidenciais norte-americanas, com uma proliferação online sem igual, e o caso mereceu já a abertura de uma investigação, que vai continuar a implicar perguntas incómodas a figuras próximas de Trump. Afinal, houve ou não conluio com a Rússia? E houve ou não figuras próximas de Trump que mantiveram contacto com a Rússia? Esta segunda questão já levou a saídas da Casa Branca. Já a primeira continua sem resposta. Trump nega-o de forma veemente. Mas é bem provável que a investigação continue a fazer correr tinta no segundo ano de mandato que agora começa.

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