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Seis meses de entradas e saídas. O caos na Casa Branca

Desde que Donald Trump tomou posse como Presidente dos Estados Unidos, em janeiro deste ano, que as remodelações na sua administração têm sido constantes. As polémicas não parecem ter um fim à vista, e as saídas de Scaramucci e Priebus são sintomáticas de uma equipa presidencial que não consegue manter a estabilidade.

Seis meses de entradas e saídas. O caos na Casa Branca
Notícias ao Minuto

08:24 - 06/08/17 por Pedro Bastos Reis 

Mundo EUA

Os primeiros seis meses da administração de Donald Trump têm sido um absoluto caos. Apesar de a Casa Branca negar o estado de permanente confusão, as entradas e saídas da administração são reveladoras da ‘esquizofrenia’ que se vive em Washington.

Desde que o magnata do imobiliário chegou à presidência dos Estados Unidos, no que constituiu uma vitória surpreendente e que ainda hoje continua a ser tema de debate, já saíram da Casa Branca mais de uma dúzia de figuras importantes no funcionamento da mesma, todas elas envolvidas em polémicas, sendo que as explicações apresentadas estão longe de convencer os analistas sobre a normalidade de tantas entradas e saídas.

Um bom exemplo da instabilidade que se vive em Washington é a saída, anunciada na passada segunda-feira, de Anthony Scaramucci, que só esteve no cargo de responsável pela comunicação da Casa Branca durante dez dias.

A chegada de Scaramucci à administração caiu que nem uma bomba. Assim que o investidor nova-iorquino entrou para a equipa de Trump, Sean Spicer, anterior responsável de comunicações que liderava as conferências de imprensa, deixou a equipa presidencial. Dias depois, foi a vez de Reince Priebus, ex-chefe de gabinete, ser afastado. Na origem da saída estarão declarações de Scaramucci, que insinuou à imprensa que Priebus poderia estar na origem de fugas de informação para os meios de comunicação social.

A polémica em torno das declarações de Scaramucci, agravadas pela sua personalidade, digamos, peculiar, foi de tamanha dimensão que o investidor de 53 anos acabou por cair. Na origem da sua demissão está uma entrevista dada à New Yorker, em que, por entre uma linguagem cheia de calão, terá dito à jornalista que iria fazer uma limpeza geral na equipa de comunicações da Casa Branca. O grande problema? Não queria que estas declarações fossem publicadas e esqueceu-se de avisar a jornalista de que estava a falar em off.

Colocar ordem na Casa Branca? "Boa sorte com isso"

Além da polémica entrevista à New Yorker, para a saída de Scaramucci contribuiu bastante a pressão exercida por John F. Kelly, que assumiu a pasta de Reince Priebus. Acabado de chegar ao cargo, o anterior líder do departamento de Segurança Nacional exigiu a saída de Scaramucci, por considerar que a personalidade do investidor não se enquadra na sua visão para a comunicação da Casa Branca.

Mas, antes de abordar a missão do novo chefe de gabinete, é importante referir a forma como a sua nomeação foi feita. Como já é do conhecimento geral, Donald Trump não é propriamente fã dos meios de comunicação tradicionais, menos ainda de ‘burocracias’. Recorrendo ao seu método de comunicação favorito, os 140 caracteres do Twitter, o Presidente norte-americano anunciou mais uma mudança na administração através desta rede social. Elogiou John F. Kelly, que caracterizou como um “grande americano” e um “grande líder”, e agradeceu a Priebus o “serviço e dedicação ao país”.

Escreve a Economist que o grande objetivo do novo chefe de gabinete é “impor disciplina e controlo numa Casa Branca caótica, dividida e com fugas [para a imprensa]”. Livrar-se de Scaramucci terá sido o primeiro passo de John F. Kelly que tem uma tarefa espinhosa pela frente, não fosse Donald Trump “mais ou menos o seu próprio diretor de comunicação, que quando tem algo a dizer vai ao Twitter”.

E.J. Dionne, colunista do Washington Post, no entanto, não acredita que John F. Kelly tenha a tarefa facilitada, tendo em conta a imprevisibilidade do Presidente norte-americano. “John F. Kelly, o novo chefe de gabinete do Presidente Trump, está focado em terminar o caos na Casa Branca. Tendo em conta que o seu chefe é o principal perturbador, boa sorte com isso”, escreve o comentador político no mesmo jornal norte-americano.

Como será possível colocar ordem na administração quando o próprio Donald Trump considera a Casa Branca uma “autêntica lixeira”? É difícil de responder.

Flynn, Comey e o espectro da influência russa

Se a última semana foi uma das mais complicadas que a administração Trump enfrentou desde que tomou posse em janeiro, os próximos tempos prometem ainda muitas surpresas e reviravoltas, não pairasse no ar o fantasma da interferência russa nas eleições presidenciais, fantasma este que também já causou várias baixas na Casa Branca.

Em fevereiro, Michael Flynn, ex-assessor para a Segurança Nacional dos EUA, foi demitido por Donald Trump, apenas um mês depois de assumir funções. Na origem desta saída terá estado o facto de Flynn ter escondido informação ao vice-presidente norte-americano, Mike Pence, relativamente a uma reunião que teve com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak, Flynn foi substituido por H.R. McMaster.

Cerca de três meses depois, em maio, a polémica relacionada com a Rússia estalou novamente e James Comey, ex-diretor do FBI, foi demitido. Recorde-se que Comey garante “não ter dúvidas” de que a Rússia interferiu nas eleições presidenciais de 2016, pelo que o seu despedimento estará relacionado com a pressão exercida pela administração Trump, claramente perturbada com a investigação relativamente ao conluio com a Rússia, que está sob a alçada do procurador especial Robert Mueller.

No entanto, o espectro que ronda a Casa Branca, o espectro da influência russa, está longe de estar resolvido e compreendê-lo é um autêntico quebra-cabeças. Enquanto a investigação prossegue, a ideia de que Donald Trump e Vladimir Putin são grandes amigos e aliados - ideia esta que ganhou alguma força com o simbólico aperto de mão entre os dois líderes à margem da Cimeira do G20 - parece bastante longe da realidade.

Prova disso são as novas sanções à Rússia promulgadas pelo Presidente norte-americano. Apesar de as considerar “imperfeitas”, Trump decidiu que deviam ser aplicadas, uma vez que representam “a vontade do povo americano de ver a Rússia tomar medidas para melhorar as relações com os Estados”. Ou seja, se num dia Trump e Putin trocam afetos, no outro a relação entre os dois países parece saída de um episódio da Guerra Fria.

Enquanto prossegue a investigação ao conluio da administração Trump com a Rússia nas eleições, o caos na equipa presidencial mantém-se e promete continuar. Michael Flynn, James Comey, Sean Spicer ou Anthony Scaramucci são apenas algumas das baixas que se registaram nestes seis meses de Donald Trump no poder, em que muitos episódios parecem mesmo saídos de uma telenovela.

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