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As linhas escondidas do diário de Anne Frank. "Não se faz antes de casar"

"Qualquer pessoa que leia as passagens que foram agora descobertas não será capaz de disfarçar um sorriso", indicou diretor do Instituto Holandês de Estudos sobre Guerra, Holocausto e Genocídios.

As linhas escondidas do diário de Anne Frank. "Não se faz antes de casar"
Notícias ao Minuto

22:31 - 16/05/18 por Anabela de Sousa Dantas

Mundo Alemanha

A Fundação Anne Frank divulgou, por fim, o conteúdo de duas páginas escondidas no famoso diário da adolescente judia. O texto, com partes rasuras, havia sido escondido por Anne Frank com recurso a papel gomado, mas, através de uma tecnologia de processamento de imagens, foi possível desvendar o seu conteúdo: anedotas menos familiares e “assuntos de ordem sexual”, conforme descreve o New York Times.

Numa entrada feita a 28 de setembro de 1942, quando Anne tinha apenas 13 anos de idade, apenas dois meses antes de se ter escondido com a família, pode ler-se: “Vou utilizar esta página estragada para escrever anedotas ‘picantes’”.

Esta será uma das anedotas, de acordo com a CNN: “Sabem porque é que as raparigas da Wehrmacht [as Forças Armadas da Alemanha Nazi] estão na Holanda? Para servirem de colchões para os soldados”.

Recorde-se que Anne continuou a escrever no seu diário durante os dois anos em que esteve escondida dos nazis, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1947, dois anos após a sua morte, o pai, Otto, único sobrevivente da família, publicou o seu conteúdo. Em 2016, a Fundação Anne Frank voltou a fotografar o diário e as partes escondidas foram decifradas.

“Às vezes penso que alguém me pode vir fazer perguntas sobre assuntos de ordem sexual”, escreveu Anne Frank. “Como é que eu explicaria?”, continuou, falando depois em “movimentos ritmados” para descrever sexo e “medicamento interno” para falar de contracetivos.

Na passagem que escreveu sobre sexo, citada pelo Guardian, Anna descreve como uma adolescente começa a menstruar aos 14 anos, dizendo que “é um sinal de que está preparada para ter relações com um homem” mas que “não se faz isso, claro, antes de casar”.

Sobre a prostituição: “Todos os homens, se forem normais, vão com mulheres, mulheres assim abordam-nos na rua e depois vão juntos. Em Paris há enormes casas só para isso. O papá já lá esteve”.

“Qualquer pessoa que leia as passagens que foram agora descobertas não será capaz de disfarçar um sorriso. As piadas ‘picantes’ são um clássico entre adolescentes. Deixam claro que a Anne, com todos os seus dons, era acima de tudo uma rapariga normal”, indicou Frank van Vree, diretor do Instituto Holandês de Estudos sobre Guerra, Holocausto e Genocídios, uma das instituições que colaborou nesta análise ao diário em conjunto com a Fundação Anne Frank.

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