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Frente Comum avisa Governo. "Não vamos desistir de lutar por aumentos"

A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, insistiu hoje na necessidade de fazer aumentos salariais na Função Pública na atual legislatura, avisando que o descontentamento continua a crescer entre todos os trabalhadores e que "não vão desistir".

Frente Comum avisa Governo. "Não vamos desistir de lutar por aumentos"

Ana Avoila falava em conferência de imprensa em frente ao Ministério das Finanças, em Lisboa, após a entrega de um pedido à secretária de Estado da Administração e do Emprego Público, Maria de Fátima Fonseca, de uma reunião para negociar aumentos salariais.

A Frente Comum tem reivindicado um aumento de 4% ou 60 euros para os salários até 1.500 euros, o que nas contas da estrutura "não chega a 300 milhões de euros", e critica que o Governo insista na ideia de que os salários têm vindo a melhorar com base em contas que não são claras.

"O senhor ministro ou não sabe fazer contas ou está a tentar enganar os trabalhadores da Administração Pública e os portugueses", disse Ana Avoila, referindo que a manifestação nacional da Administração Pública, marcada para 10 de maio, vai ter "uma grande adesão", pois "a insatisfação das pessoas é muito grande".

"O Governo tem que responder ao descontentamento que neste momento existe dentro de toda a Administração Pública. Aos professores, aos médicos, aos enfermeiros, a todos os setores profissionais, aos assistentes operacionais, assistentes técnicos, técnicos superiores,...", afirmou.

Segundo a sindicalista, o descontentamento com "a forma como o Governo está a conduzir as relações laborais dentro da Administração Pública, os ritmos de trabalho e a falta de respeito" é transversal a todos os setores.

"Estamos cá, vamos continuar e não vamos desistir de lutar por aumentos de salários este ano e não aceitamos que o Governo nos diga que não faz", insistiu a sindicalista, admitindo que após a manifestação de 10 de maio poderão surgir novas greves porque os trabalhadores "não vão desistir".

Os funcionários públicos cumpriram em 15 de fevereiro uma greve nacional, com uma adesão média global superior a 80%, em defesa de aumentos salariais para todos os trabalhadores, que têm os vencimentos congelados há 10 anos.

Na semana passada, na apresentação do Programa de Estabilidade para 2019-2023, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse que caberá ao futuro Governo decidir sobre aumentos salariais na Função Pública, admitindo que o Programa de Estabilidade permite que as remunerações no Estado retomem a sua "total normalidade" na próxima legislatura.

Mário Centeno afirmou que as despesas com pessoal deverão crescer 2,4 mil milhões de euros na próxima legislatura, não se comprometendo, para já, com aumentos salariais dos funcionários públicos.

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