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E. Heskey em exclusivo: "Portugal? Muito será feito em torno de Bernardo"

Antigo internacional inglês não poupa, ainda, elogios a Nuno Espírito Santo, Marco Silva e José Mourinho, treinadores portugueses que estão ao comando de equipas da Premier League.

E. Heskey em exclusivo: "Portugal? Muito será feito em torno de Bernardo"
Notícias ao Minuto

08:06 - 11/12/18 por Carlos Pereira Fernandes 

Desporto Entrevista

Emile Heskey chegou a Lisboa na manhã de domingo, esteve presente na assinatura de um acordo entre a empresa portuguesa de agenciamento de jogadores DH Sports e um grupo de investidores árabes, e partiu na segunda-feira.

A agenda esteve recheada, mas o antigo avançado, que terminou a carreira em 2016, com 111 golos marcados em 516 jogos na Premier League, e outros sete tentos em 62 encontros com a camisola da seleção inglesa, encontrou tempo para estar à conversa com o Desporto ao Minuto.

Nesta entrevista exclusiva, realizada numa unidade hoteleira da capital portuguesa, o ex-jogador teceu rasgados elogios aos jogadores e treinadores portugueses que, neste momento, disputam o campeonato inglês, e analisou a entrega da Bola de Ouro a Luka Modric.

Além disso, explicou o que falhou para que a geração dourada do futebol inglês, onde constavam nomes como o de David Beckham, Paul Scholes ou Steven Gerrard, não tenha conquistado qualquer título, assim como aquilo que mudou desde então.

Esta geração está em melhor forma, são mais rápidos. Agora, se acho que, tecnicamente, são melhores do que nós? Não

Fez parte de uma geração dourada do futebol inglês. O que falhou para que não tivessem conquistado qualquer troféu?

Podemos pegar em vários pontos. Penso que, individualmente, éramos muito bons, mas, coletivamente, nunca encontrámos aquela química que é precisa para sermos os melhores. Além disso, o nosso campeonato é tão competitivo que muitos jogadores têm dificuldades em se unirem quando deixam a equipa para ir à seleção.

Isso ainda acontece nos dias de hoje?

Não. Penso que as redes sociais e os meios de comunicação tornam tudo mais fácil. Nós nunca tivemos isso. Quando chegávamos à seleção, era a única vez em que nos encontrávamos. Agora, com as redes sociais, falamos e brincamos constantemente uns com os outros. Nós nunca tivemos isso. Éramos muito distantes.

E qualitativamente, como compara estas duas gerações?

Penso que não se podem comparar, porque são completamente diferentes. Olho para esta geração e vejo que, provavelmente, estão em melhor forma, são mais rápidos. Adaptaram-se ao futebol atual, levaram-no para outro nível. Agora, se acho que, tecnicamente, são melhores do que nós? Não. É apenas uma era diferente. Provavelmente, terão mais oportunidades agora quando não jogam regularmente. Continuam a poder jogar pela seleção. Isso não quer dizer que sejam maus jogadores, mas sim que os sistemas não lhes permitem, muitas vezes, jogar regularmente, como nós jogávamos.

Esta geração está mais perto de conquistar um título?

É difícil dizer. Esta será, provavelmente, a melhor oportunidade que terão em algum tempo. Têm alguns rapazes jovens que estão a aparecer, como o Jadon Sancho ou o Phil Foden, que podem acrescentar ao que já temos e melhorar a equipa. Têm uma boa oportunidade, mas olhas para a Croácia, para a República Checa, para Portugal… Eles também vão subir de nível, por isso será sempre uma batalha.

Está confiante para a Liga das Nações?

Sim! É confusa… Agora que nos apurámos, acho que já a percebo (risos). No futebol internacional, tens de estar confiante. Se não estiveres, não vale a pena estar lá. Mas vai ser duro.

Inglaterra vai jogar com a Holanda. É um dos adversários mais difíceis que poderia calhar?

É um dos mais difíceis. Para bater equipas de topo, como eles fizeram… Eles também estão numa fase de transição em relação àquilo que costumavam ser, mas continuam a jogar bem e a ganhar jogos.

Final do ciclo Cristiano Ronaldo-Messi? Não. Acho que Messi ainda tem mais qualquer coisa para dar

O que pensa da seleção portuguesa?

Tecnicamente, são sempre bons, têm sempre jogadores dotados. E têm uma mentalidade vencedora, de ganhar a todo o custo. Não têm necessariamente de jogar futebol bonito para vencer. Claro que gostariam, mas vencer é o principal. É isso que gosto em Portugal.

Além de Cristiano Ronaldo, qual considera que é o jogador português mais perigoso?

Bernardo Silva. Vejo muitos jogos do Manchester City, e ele sente-se tão confortável com a bola. Mas é assim que vocês [portugueses] jogam. Sente-se confortável com a bola, está muito bem. Penso que muito do que fizerem será construído em torno dele.

A atribuição da Bola de Ouro a Luka Modric foi justa?

Para o vencedor, sim. O que é engraçado, porque se olhares para quando ele foi para o Real Madrid, diziam, passados alguns meses, que era um dos piores reforços da história. Agora, é Bola de Ouro. É prova da mentalidade de que precisas para estar no topo, para ter sucesso. Há altura complicadas, mas, tens de estar preparado para ultrapassá-las e mostrar o que ele está a mostrar agora. Quanto a Messi ter ficado em quinto… Não. Mas o vencedor foi justificado.

Podemos falar de um final do ciclo Cristiano Ronaldo-Messi?

Não. Acho que Messi ainda tem mais qualquer coisa para dar (risos). Mas há outros jogadores jovens que querem sentar-se nesse trono. Será que têm a mentalidade que Messi e Ronaldo tiveram durante anos? Esse é o problema.

Inglaterra tem jogadores capazes de lutar pela Bola de Ouro no futuro? Fala-se de Sterling, Sancho…

Uma pergunta complicada… Provavelmente, não. Com o Sancho, é possível. Com o Sterling… também, mas precisa de marcar consistentemente. O Modric venceu porque é um médio criativo. Mas, quando olhas para o Sterling, olhas para o rácio de golos. E, quando olhas para o rácio de golos, vais comparar com Ronaldo, Messi… E será que ele consegue marcar 50 ou 60 golos num ano civil? Possivelmente, mas não neste momento. Penso que ainda é um produto demasiado bruto, mas tem oportunidade de lá chegar.

Já o Sancho, teve montes de oportunidades e muito potencial. Parece-me fenomenal. Tens de ser um rapaz muito confiante para deixar o Manchester City e ir para outro país, especialmente sendo inglês. Nós não gostamos de ir para algum lado onde não se fale inglês. Saiu, foi para o Borussia Dortmund, é um dos principais jogadores deles e só tem 18 anos. É muito bom. O próximo passo é ser mais consistente e fazê-lo nos palcos internacionais.

Sancho foi muito jovem para o estrangeiro. Willock, que no ano passado chegou ao Benfica, também. É um fenómeno que pode vir a tornar-se normal?

Penso que os jogadores estão a começar a aperceber-se de que, se são suficientemente bons aos 18 anos, por que não tentar ir para outro lado em vez de ficarem no banco até aos 23 ou 24 anos, sem jogarem aquilo de que precisam? Se és suficientemente bom aos 16/17 anos e não vais ter uma chance onde estás, tens de procurar oportunidades noutro lado.

Não é necessariamente relacionado com o dinheiro, porque estou certo de que o Jadon Sancho podia ter assinado um novo contrato com o Manchester City por muito dinheiro. Mas não tem a ver com isso. Eles querem jogar, querem mostrar-se. É o jogo que adoram e querem mostrar o que valem. Por isso, dão o salto. Pode não funcionar, porque tens de ser muito forte mentalmente para deixar a tua família e a tua cultura para trás para aprender outra língua, noutra cidade. Não é fácil.

Isso não acontecia muito com jogadores da sua geração. Porquê?

Vivíamos numa bolha. A Premier League estava a ficar cada vez maior, tínhamos visibilidade e oportunidades na equipa principal, porque não havia muitos meios para contratar jogadores estrangeiros. Vivíamos numa bolha que não tínhamos, necessariamente, de deixar, mas teria sido bom que o fizéssemos. O Paul Ince fez isso antes, tal como o David Platt. Teria sido bom se tivéssemos usado esse caminho de jogar no estrangeiro para aprender algumas outras coisas.

Fez quase toda a carreira em Inglaterra, com exceção aos dois anos em que jogou na Austrália. Gostava de ter disputado mais campeonatos?

Sim, sem dúvida. Gostava de o ter feito mais jovem. É bom experimentar outras culturas, outras formas de jogar, como Portugal ou Itália, cujo campeonato é muito duro e são mentalmente fortes. Taticamente, são, provavelmente, os melhores. Em Espanha há muita técnica, a Alemanha é mais dura, um pouco como Inglaterra. Parecemos ser o único país que não o faz. Olhamos para as nossas camadas jovens e temos internacionais alemães, noruegueses, espanhóis, portugueses… Os jogadores ingleses não vão para o estrangeiro. Não sei por quê. São mais caseiros, provavelmente (risos).

Nunca teve oportunidade de jogar noutro país? Portugal, por exemplo…

Não, em Portugal, não. Mas tive a possibilidade de jogar na Alemanha, em Itália… Mas só pensava em Inglaterra, o que era estranho. Mas foi assim que correu, e até não correu nada mal.

Mourinho precisa de tempo. Mas, na Premier League, estás sempre a dez jogos de ser despedido

Que opinião tem do futebol português?

Não sigo muito. Conheço o Sporting, o Benfica… Joguei contra o Boavista, quando era mais novo, na Taça UEFA. É um campeonato muito dotado tecnicamente. São fortes. O FC Porto também já chegou longe na Liga Europa e na Liga dos Campeões. Sabem que são muito fortes tecnicamente, mas, além de seis ou sete equipas, as restantes não são tão fortes, ao contrário do que acontece em Inglaterra ou na Alemanha, onde a qualidade se mantém em toda a Liga.

A Premier League tem, neste momento, três treinadores portugueses. O que acha deles?

Têm-se dado execionalmente bem, não têm (risos)? Trouxeram carisma, estrutura, planeamento. Trouxeram tudo para o nosso futebol, o que é bom. Podemos aprender muito com pessoas destas, e isso só pode ser bom para a Premier League. O treinador do Wolverhampton [Nuno Espírito Santo] tem estado muito bem. Implementou uma estrutura no Wolves, montou uma equipa com alguns jogadores portugueses. É uma equipa sólida, tem estado bem. O do Everton [Marco Silva]… É bom, é muito bom. Tecnicamente, vê o jogo muito bem. É interessante, enquanto ex-jogador, ver os treinadores a trabalhar assim. São os líderes, dão-te as instruções, sabem motivar-te, por isso têm de ser muito bons.

Não falou de José Mourinho…

É especial. Tem estado muito bem. No final, no caso do Mourinho, o historial fala por si mesmo. Não há como o questionar. Neste momento, está a atravessar um período muito complicado, o que acontece com qualquer jogador ou treinador. É um período que tem de ultrapassar, mas é impossível questionar o que Mourinho conquistou. Ganhou tudo o que há para ganhar. O que não ganhou, foi porque ainda não treinou uma seleção.

Será capaz de fazer novamente do Manchester United um candidato ao título?

Ele precisa de tempo. Não penso que o atual plantel seja tão forte do ponto de vista do número de opções quanto ele gostaria que fosse. Mas, como sabes, será que temos tempo no futebol? Especialmente na Premier League, onde estás sempre a dez jogos de ser despedido. É assim que as coisas funcionam, por causa do dinheiro que é movimentado.

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