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Manual de praxes: "Caloiro não é racional, é servil e resignado"

"Continua a ser uma mentira dizer que só vai à praxe quem quer", acredita o deputado bloquista Luís Monteiro.

Notícias ao Minuto

14:45 - 14/09/17 por Inês André de Figueiredo

Política Luís Monteiro

Um manual de sobrevivência do caloiro, distribuído na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, foi divulgado por Luís Monteiro, deputado do Bloco de Esquerda, e trouxe de volta a discussão em torno do tema das praxes. Na informação inicialmente avançada pelo jornal Público, o diretor da universidade em causa garantiu ser “impossível” a existência de praxe nas suas instalações.

“O caloiro não é um ser racional; a espécie em questão não goza de qualquer direito, salvo o da existência (até por vezes questionável); o caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado; o caloiro é assexuado, o caloiro deve sempre guarnecido de tabaco, porém jamais o consome sob que pretexto for”. As frases referidas são algumas das que se encontram nesse mesmo manual e que foram duramente criticadas pelo bloquista.

Em declarações ao Notícias ao Minuto, Luís Monteiro recordou os seus tempos de estudante, na Faculdade de Letras, e a forma como foi “assistindo ao que era o modus operandi da praxe, que tem algumas diferenças de faculdade para faculdade, mas em há um modus operandi mais ou menos geral conhecido”.

Numa análise ao manual que divulgou, o deputado mais novo da Assembleia da República realça que a primeira reação possível de ter “é que alguém continua a viver no século XIX”. “O tipo de linguagem utilizada, a cultura da subserviência, da subjugação, de um discurso machista, que marca uma visão da praxe que não pode ser a visão do Ensino Superior no século XXI, em 2017” deve ser é visto como uma “grande visão”.

“Continua a ser uma mentira dizer que só vai à praxe quem quer. [Isto] é verdade se houver alternativas reais a isso. Agora, para quem chega a uma cidade pela primeira vez, não conhece ninguém, a última alternativa, muitas vezes até pressionado na altura das matrículas, é justamente ir para a praxe ou não ter nenhum tipo de integração”, justifica, com a opinião de quem deixou o Ensino Superior há bem pouco tempo.

O jovem deputado acredita que há “falta mecanismos de denúncia e de fiscalização e de alternativas reais a quem não quer ir à praxe”, que o número disponibilizado “precisa de ser mais publicitado”, frisando que é necessário que “as instituições agarrem esse mecanismo e que criem gabinetes de apoio ao estudante, um serviço de proximidade”. Aliás, Luís Monteiro assegura, mesmo, que esta é uma responsabilidade “do país, das universidades, do Ministério do Ensino Superior”, em que todos “são chamados à questão e é preciso ter uma resposta em conjunto”.

Na entrevista recente dada ao Notícias ao Minuto, Luís Monteiro reforçou a ideia de que é necessário pôr um fim às praxes: “Também era tradição a escravatura e não é por isso que a defendemos”.

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