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"Costa tem tido um desempenho de quadro de honra como governante"

Ana Gomes foi a entrevistada deste sábado de Manuel Luís Goucha, no 'Conta-me', da TVI.

"Costa tem tido um desempenho de quadro de honra como governante"

A candidata à Presidência da República Ana Gomes foi a entrevistada, deste sábado, dia 26 de setembro, de Manuel Luís Goucha, no programa 'Conta-me', da TVI.

Durante a entrevista, a socialista falou de diversos temas. Da corrupção à extrema direita, dos problemas na Justiça e no futebol, da pandemia à crise e até da morte do marido. Contudo, a conversa fluiu sempre em redor da candidatura a Presidente  da República, da atuação de Marcelo Rebelo de Sousa  como Chefe de Estado e da demonstração de apoio de António Costa a este.

Ana Gomes começou por revelar que a decisão de se candidatar às eleições presidenciais "foi solitária", solidificada "em diversos ambientes", muitos concretizados na sua casa e dos quais guarda "muitas memórias doces".

Questionada sobre os motivos da sua candidatura, a antiga eurodeputada admitiu que, quando começaram a falar da possibilidade de se candidatar, "não estava nada virada para aí", mas que a demonstração de apoio de António Costa a Marcelo Rebelo de Sousa, na Autoeuropa, a fez refletir sobre essa possibilidade.

"Na altura surpreendeu-me e não achei que fosse positivo", disse, garantindo, contudo, que o fez "pelos portugueses" pois não tem "nada contra António Costa". "Muito pelo contrário, ele é meu camarada. Discordo é da posição do PS de não ir a jogo num ano em que as eleições são tão importantes para o país. O papel do Presidente da República é muito importante, o Presidente não governa, mas o Presidente tem uma magistratura de presidente", esclareceu, acrescentando que, ao dizer que estava "a refletir" sobre uma possível candidatura, o objetivo era levar o PS a reagir e a apresentar um candidato, o que não aconteceu.

"Foi um bocadinho esperando que o PS reagisse e apresenta-se um candidato. Entretanto ocorreu a doença do meu marido - que o levou muito rapidamente, num mês e meio - e durante esse tempo fomos fazendo uma análise da situação em Portugal, da conjuntura para estas eleições e, portanto, ele ajudou-me a decidir. Mesmo na véspera de ser internado, uma semana antes de falecer, disse-me que eu tinha de avançar. Isso em vários ambientes. E, tal como já disse, naquele período em que estava a pensar, quando tinha mesmo de tomar uma decisão, num sentido ou noutro, e onde boa parte dos meus problemas era se eu tinha força anímica, depois do falecimento do meu marido, recebi a carta de um jovem de Fânzeres, o Pedro Limões, e essa carta reforçou aquilo que o meu marido me tinha aconselhado. Eu tinha de avançar, tinha de avançar pelos jovens", contou Ana Gomes, acrescentando que uma das coisas que se propõe alcançar com a sua candidatura "é trazer, convocar para a política desde logo muitos jovens. Jovens que têm sido uma das faixas de abstenção".

De regresso a António Costa, Ana Gomes mostrou-se desiludida com a presença do nome do primeiro-ministro na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira, arguido na Operação Lex, às eleições do Benfica, mas não deixou de lhe tecer elogios na forma como tem gerido o país.

"António Costa que tem tido um desempenho de quadro de honra como governante, designadamente na boa gestão que tem feito relativamente a uma situação tão dramática e tão complicada como esta pandemia. Ele não precisava nada de estar nessa comissão de honra. Felizmente, que essa questão está resolvida, enfim... podia ter sido de outra maneira, mas de qualquer forma a reação que despertou é que os cidadãos não são parvos e não toleram mais", atirou, aproveitando para lançar farpas à corrupção em Portugal, essencialmente, no futebol e da qual tem sido tão crítica.

"Concorro para ganhar. Eu nunca tive medo de combates difíceis"

Já confrontada com a difícil tarefa de derrotar Marcelo Rebelo de Sousa, Ana Gomes recusou a ideia de derrota e acusou o atual Presidente da República de não ter um "rumo estratégico".

"Eu concorro para ganhar. Nunca tive medo de combates difíceis e nunca fugi a combates difíceis. A Presidência tem de ter a capacidade de defender a Constituição e o Presidente Marcelo tem, no geral, cumprido, mas é muito mais do que isso. É exercer a magistratura de influência, por palavras, em privado ou público, elogiando ou criticando atuações, exigindo ao Governo abertura, prestação de contas, capacidade de ouvir todos e ajudar a convocar todos os portugueses para definirmos um rumo estratégico do que o país precisa. Hoje não temos rumo estratégico", defendeu.

Apesar de admitir que Marcelo "tem tocado em alguns assuntos importantes, do ponto de vista social, dos aspetos essenciais, por exemplo, quanto ao sistema de Justiça", garantiu que este "não tem feito exigências e não tem tido a capacidade de obter as respostas de que precisa".

"Eu cuido do país, sempre cuidei"

Sobre as razões pela qual deve ser eleita Presidente da República, Ana Gomes salientou que "sempre cuidou do país" e que o seu principal objetivo é "unir os portugueses".

"Eu cuido do país, sempre cuidei. Nas lutas contra a ditadura, como estudante, nas lutas pela afirmação da democracia, como diplomata -  e não só no exterior, muitas vezes a minha função como diplomata foi a cuidar por dentro - , e agora como política. O meu objetivo é unir os portugueses, só unidos é que fazemos a diferença. Desde logo a começar pela afirmação da nossa identidade nacional, na qual tenho muito orgulho. Temos de levar o nosso olhar na construção da Europa. Temos de ter a nossa estratégia e hoje não temos", concluiu.

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