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A "falta" de contas do PS e o irrealismo do BE. Um debate 'aceso'

Catarina Martins e António Costa estiveram frente-frente num debate que antecede as eleições legislativas.

A "falta" de contas do PS e o irrealismo do BE. Um debate 'aceso'

O primeiro-ministro e a líder do Bloco de Esquerda sentaram-se, esta sexta-feira, 'à mesa' para debaterem os programas eleitorais, na antena da RTP3. 

Apesar da cordialidade, os líderes envolveram-se numa troca mais 'acesa' de palavras, sendo que Costa acusou o Bloco de Esquerda de apresentar um programa eleitoral irrealizável, que não corresponde à realidade, seja pelo valor previsto para a construção de habitações, seja pela proposta de nacionalização da Galp. Já a coordenadora bloquista acusou os socialistas de terem um programa com falta de contas.

Ao longo do debate, Costa vincou, várias vezes, que o plano de entendimento criado com o PCP, o BE e o PEV não cessará. Esta foi uma porta "aberta" e que o PS não pretende fechar. Assegurou o socialista que "este muro" não se vai reerguer. Com efeito, o líder do PS não deixa de lado uma reedição da Geringonça assim que forem conhecidos os resultados das eleições de 6 de outubro

"Iremos continuar a conversar seja qual for o resultado eleitoral. Não vou estar nesta campanha eleitoral com a obsessão de ter maioria. Temos o objetivo de ser reforçados, porque é importante para o país, porque o PS é o garante do equilíbrio que permitiu a estabilidade nesta legislatura", disse.

Quais são as condições para conversarem [BE e PS] depois das eleições, este ano?

Catarina Martins: "Nós estamos em condições diferentes das que estávamos há quatro anos. O caminho que fizemos foi muito importante. Seguramente tivemos fracassos como no caso dos professores ou dos precários, erros como o do Novo Banco ou do Banif, mas começámos a fazer um caminho de viragem importante em temas como o salário mínimo e a decida do IRS". 

Quer dizer que não é opção desta vez porque o caminho percorrido foi muito positivo?

Catarina Martins: "Quer dizer que há muito por fazer e o Bloco de Esquerda não falta a nenhuma condição que puxe pelas condições do emprego, do salário, da estabilidade das pessoas. Nesta legislatura fomos o partido que aprovou mais projetos-lei, deixámos sementes para o futuro. Hoje mesmo foi publicado o estatuto do cuidador informal. Agora temos de perceber a que crises temos de responder. Temos de responder à crise da habitação, temos um problema gravidade de precariedade".

Na noite das eleições ou no dia seguinte, qual é a expectativa do BE?

Catarina Martins: "Vamos deixar as pessoas votar, estamos aqui para debater as nossas propostas. O BE nunca faltou à estabilidade das pessoas".

É claro que é preciso o PS ter força porque é o fiel do equilíbrio desta solução

Em nome da clareza, independentemente dos resultados, no dia seguinte às eleições qual o seu compromisso com os eleitores?

António Costa: "É o que consta do nosso programa eleitoral. Os eleitores dirão o que acontece no dia a seguir. Há ideias que acho claras. Quando me candidatei às primárias do PS disse que devíamos pôr fim ao arco da governação. Nestes quatro anos, conseguimos cumprir todos os compromissos. É claro que é preciso o PS ter força porque é o fiel do equilíbrio desta solução".

Independente do resultado político, o diálogo deve ser alargado e necessariamente envolvendo o BE

Quer dizer que no dia seguinte às eleições, se as ganhar, voltará a tentar entender-se com os atuais parceiros?

António Costa: "Nada voltará a ser como dantes, o que acontece hoje na vida política portuguesa muda radicalmente o quadro que tínhamos. Independente do resultado político, o diálogo deve ser alargado e necessariamente envolvendo o BE. 

Sempre tive uma visão muito clara que a democracia assenta na existência de alternativas. E as alternativas serão sempre polarizadas à Direita pelo PSD e à Esquerda pelo PS. Não abri uma porta de diálogo com o BE, PCP e o PEV para agora ir fechá-la. Foram muitos anos que levámos a derrubar um muro, ninguém o vai reconstruir". 

Não abri uma porta de diálogo com o BE, PCP e o PEV para agora ir fechá-la. Foram muitos anos que levámos a derrubar um muro, ninguém o vai reconstruir

O que deduz destas palavras?

Catarina Martins: "Quem constrói os resultados e as soluções é quem vota. Ouvi Mário Centeno dizer que queria aumentar os trabalhadores da Função Pública segundo a inflação, o PS não apresenta contas no seu programa e no Programa de Estabilidade, o que lá está não chega sequer para aumentar a inflação".

Mas tem ambição [de integrar o Governo]?

Catarina Martins: "Todos os partidos vão a eleição para fazer Governo e o BE assumiu nestes quatro anos responsabilidade nas propostas que fez. Por exemplo, o imposto 'Mortágua' vai arrecadar 180 milhões de euros este ano e o aumento extraordinário das pensões são 134 milhões. O BE deu provas dessa capacidade e aprendeu muito com o trabalho que fez". 

Um programa de governo tem de fazer opções, não pode ser uma lista de Natal

Disse que um PS fraco e um BE forte não era bom para a estabilidade do país. Mantém essa ideia?

António Costa: "Nunca nos batemos pelo enfraquecimento de ninguém. A nossa meta é simplesmente ter a força necessária para responder aos problemas do país. Desejamos, como qualquer partido, ter o melhor resultado eleitoral possível. Temos um programa realista com as contas feitas. Um programa de governo tem de fazer opções, não pode ser uma lista de Natal. Uma coisa é o BE listar coisas que gostava de fazer,  outra é um programa de governo.

Há coisas que não consigo perceber, nomeadamente como é que o BE se propõe a contrair dívida para ir nacionalizar um conjunto de empresas. Gastar 10 mil milhões a nacionalizar a Galp significa o mesmo montante de despesa do SNS. Qual é o sentido desta despesa? Não vou gastar 10 mil milhões dos portugueses a nacionalizar a Galp, temos de reforçar o SNS. Temos a consciência que é preciso fazer mais e melhor na saúde". 

Catarina Martins: "O BE acha que as contas certas são muito importantes. O Tribunal diz que o BE é o partido de contas certas e estas coisas começam em 'casa'. Depois, é bem verdade que apresentamos contas do que queremos fazer, mas o PS não apresenta contas do que António Costa acabou de dizer. O que choca as pessoas é saber que nos últimos anos foram 25 mil milhões para a banca que não foram pagos na generalidade e isso sim é um escândalo e precisamos de escolher onde fazemos o investimento e o BE escolhe.

Há questões que podemos caricaturar mas devemos ter cuidado. A história das nacionalizações é um consenso à Esquerda, defende o BE e o PCP. O PS percebe a sua necessidade porque quando negociámos o acordo percebeu a necessidade de reverter as privatizações dos transportes coletivos. Não precisou de comprar o capital todo para ter o controlo da TAP, o que o BE propõe é uma prioridade na privatização dos CTT. E fazer a nacionalização do sistema global de gestão de energia da REN". 

Nesse caso é mesmo pena que o PS não apresente contas no plano eleitoral como o BE

Quanto às carreira especiais?

António Costa: "O Programa de Estabilidade foi apresentado em abril e o programa eleitoral em julho. Obviamente tem de ser atualizado em função do programa de governo".

Catarina Martins: "Nesse caso é mesmo pena que o PS não apresente contas no plano eleitoral como o BE". 

António Costa: "Catarina, se quer falar de contas dou-lhe um exemplo. Vocês apresentam um programa de construção de 100 mil novas habitações e fazem os cálculos a 60 mil euros o fogo. Esse valor que tomaram por referência tem por base a reabilitação de casas já construídas é absolutamente desconforme com a realidade. O valor de referência dos fogos de Almada para serem colocados no mercado a preços acessíveis é de 114 mil euros".

Catarina Martins: "O plano do PS diz que quer erradicar a falta de habitação até 2024 e não diz como nem quanto é que custa. A diferença dos números é que não falamos de construção, mas de reabilitação. Prevemos também que proprietários pobres possam aderir ao programa". 

Política económica

António Costa: "A chave do sucesso desta política económica foi ter assente na reposição de rendimentos. Não foi só o salário mínimo que aumentou. Temos também de combater a precariedade, nomeadamente com a legislação laboral que vai entrar em vigor". 

Catarina Martins: "A realidade é que um jovem no fim do contrato de seis meses em período experimental não vai ficar com um contrato sem termo, vai ser despedido sem nada". 

A quem vai ligar depois de conhecidos os resultados eleitorais?

Catarina Martins: "Há uma certeza que António Costa tem, que Jerónimo de Sousa tem que toda a gente tem. Que o BE estará sempre disponível para estabilidade e para responder pela vida das pessoas. A Direita não contará nunca com o Bloco de Esquerda, mas também se sabe que ninguém traz cheques em branco".

António Costa: "É uma questão que não me ocorreu ainda. Seguramente quero ligar à minha família. Claro que se for o Dr. Rui Rio a ganhar, vou ligar-lhe a felicitá-lo. Quem fixará o resultado eleitoral são os portugueses. Com o sem maioria, a porta de diálogo que abri não vou fechar". 

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