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Banif. Centeno diz que "não é verdade" que Governo agiu nas costas do BdP

O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, disse esta segunda-feira que "não é verdade" que o Governo tenha agido nas costas do regulador da banca, contrariando o defendido no livro do seu antecessor, Carlos Costa.

Banif. Centeno diz que "não é verdade" que Governo agiu nas costas do BdP
Notícias ao Minuto

18:02 - 21/11/22 por Lusa

País Banif

"Isso não é verdade", respondeu Mário Centeno, quando questionado pelo jornalista Anselmo Crespo se o Governo agiu nas costas do Banco de Portugal no caso do Banif, durante a conferência para assinalar o primeiro aniversário da CNN Portugal, em Lisboa.

Mário Centeno, que admitiu não ter lido o livro todo, mas apenas as partes que versam sobre a sua atuação enquanto ministro das Finanças, disse ainda que encontrou afirmações desapontantes no livro do ex-governador do BdP, no qual Carlos Costa acusa o Governo de ingerência em matéria de supervisão bancária.

"Tinha outra ideia de como se consegue tratar a verdade", apontou o governador do BdP.

Questionado pelos jornalistas à saída, para explicar em concreto o que não é verdade, Mário Centeno não respondeu.

À pergunta se exerceu pressão psicológica sobre Carlos Costa, Centeno pediu ao jornalista que olhasse cinco segundos para a sua cara. "Não houve nenhuma pressão psicológica, pois não?", questionou Mário Centeno, passados uns segundos em silêncio.

Também questionado se alguma vez se sentiu pressionado no exercício das funções de governador do BdP, Mário Centeno respondeu: "Nunca me senti pressionado para fazer nada daquilo que são as minhas obrigações, nunca, nem enquanto ministro, nem enquanto governador".

O governador do BdP reiterou ainda que "nunca" pressionou alguém no exercício das suas funções.

O primeiro-ministro e o antigo governador Carlos Costa estão em conflito, depois de o antecessor de Mário Centeno se ter afirmado alvo de pressões por parte de António Costa para não retirar Isabel dos Santos do BIC.

As revelações constam do livro "O Governador", que resulta de um conjunto de entrevistas do jornalista do Observador Luís Rosa a Carlos Costa, que liderou o Banco de Portugal entre 2010 e 2020, e tem provocado polémica.

Com prefácio de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, a publicação revela factos até agora desconhecidos sobre a intervenção da 'troika', o caso Banco Espírito Santo, a resolução do Banif, as relações tensas com o antigo primeiro-ministro José Sócrates, com o atual, António Costa, e antigo ministro das Finanças Mário Centeno bem como as guerras com o ex-banqueiro Ricardo Salgado e a família Espírito Santo.

António Costa anunciou que irá processar o antigo governador, a quem acusou de ter escrito um livro com mentiras e deturpações a seu respeito e de ter montado uma operação política de ataque ao seu caráter, depois de este ter reafirmado que houve "tentativa de intromissão do poder político junto do Banco de Portugal".

[Notícia atualizada às 18h17]

Leia Também: Costa contra Costa? "Troca de galhardetes bastante hipócrita"

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