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Ferreira Duarte soube do furto de Tancos pelas notícias, um dia depois

O coronel Ferreira Duarte, responsável por uma das unidades que faziam a vigilância dos paióis de Tancos, disse hoje que soube do furto de material de guerra pelas notícias, no dia seguinte.

Ferreira Duarte soube do furto de Tancos pelas notícias, um dia depois
Notícias ao Minuto

22:29 - 10/01/19 por Lusa

País Audição

Numa audição na comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos, o coronel afirmou que soube do furto, ocorrido no dia 28 de junho, "pelas notícias". O furto só foi divulgado à comunicação social um dia depois, em 29 de junho, o que levou o PS a manifestar estranheza.

O deputado socialista Diogo Leão observou que se o furto ocorreu no dia 28 seria de esperar que os comandantes das unidades responsáveis pela vigilância dos paióis fossem imediatamente avisados, no sentido de serem tomadas medidas.

O Regimento de Infantaria n.º 15, sedeado em Tomar, era uma das unidades responsáveis por deslocar militares para fazerem a vigilância aos agora desativados paióis nacionais de Tancos, mas à data do furto, 28 de junho de 2017, a unidade que tinha essa missão era a de Engenharia n.º 1, em Tancos, sublinhou o coronel Ferreira Duarte.

O militar desvalorizou o facto de ter sabido em primeiro lugar pelas notícias, manifestando-se convicto de que "quem tinha de saber, soube imediatamente", acrescentando que a unidade de Engenharia n.º 1 foi informada.

"Nessa altura não era eu que estava responsável pelos depósitos. A responsabilidade do regimento 15 era de março e abril e depois setembro e outubro. Tomámos conhecimento oficialmente e de seguida recebemos diretivas específicas para melhorar e aumentar o pessoal", afirmou.

Questionado pelos deputados, o coronel Ferreira Duarte disse que estava ciente das falhas e deficiências das instalações físicas dos paióis, como descreveu o deputado do BE João Vasconcelos, e que por isso mesmo recomendava "cuidados redobrados" aos militares que destacava para as rondas.

"Estávamos conscientes do que estava a suceder e tentávamos compensar passando essa informação a quem ia cumprir a missão para terem cuidados redobrados. Essa informação era do conhecimento do escalão superior", declarou.

As patrulhas podiam ser apeadas ou montadas, realizadas fora do perímetro, em horas que variavam e num percurso em que os militares avaliavam o estado da vedação e a visibilidade para dentro das instalações, referiu, frisando que todos os elementos recolhidos eram enviados à Brigada de Reação Rápida.

"Sempre que a equipa que fazia a missão relatava problemas, seja o mato alto, a questão da videovigilância, todas as deficiências encontradas... era um procedimento normal. Se fosse algum incidente específico fazia um relatório imediato, via Regimento, à Unidade que delineava o plano de vigilância", precisou.

O militar rejeitou a ideia de que o comando do Exército soubesse das deficiências das instalações dos paióis e que mesmo assim nada fazia para as melhorar, pondo em risco a segurança, sublinhando que "alguma coisa estava a ser feita".

"Nós víamos o muro a ser feito. Estava previsto o SICAV [sistema de vigilância eletrónico]. Não andava com a velocidade que gostaríamos", disse, acrescentando que "a manta é curta".

Quanto à falta de efetivos, o militar notou que é um problema "transversal" às unidades do Exército e "se calhar às Forças Armadas" e sustentou que, perante os recursos que tem, o Exército tem de fazer opções, assumindo os riscos que daí decorrem.

"Agora, com as tarefas acrescidas que temos com o apoio ao combate aos incêndios e emergência, continuamos a fazer as tarefas, mas temos de ser imaginativos", admitiu.

Evitando dar opiniões pessoais, o militar frisou que o Exército é o primeiro interessado em saber como aconteceu e não foge das responsabilidades, reconhecendo que "alguma coisa correu mal".

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

Entre os detidos está o diretor da PJM e um civil (que já foi militar), principal suspeito da prática do furto, encontrando-se ambos em prisão preventiva, num caso que levou à demissão de Azeredo Lopes do cargo de ministro da Defesa e cujas implicações políticas levaram à criação de uma comissão parlamentar de inquérito.

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