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"Corremos sempre o risco de nos próximos anos ter o maior fogo da Europa"

Francisco Louçã considera que apesar do esforço de limpeza da floresta no último ano, o problema das matas não cuidadas e que podem pegar fogo vai persistir. Afirma que o incêndio de Monchique provou, mais uma vez, que "onde há eucalipto o fogo é mais intenso".

"Corremos sempre o risco de nos próximos anos ter o maior fogo da Europa"
Notícias ao Minuto

23:28 - 10/08/18 por Fábio Nunes 

País Francisco Louçã

O incêndio de Monchique voltou a pôr Portugal em destaque no mapa europeu pelos piores motivos. Como destacou  Francisco Louçã no seu espaço de comentário semanal na SIC Notícias, o fogo na serra de Monchique “foi o maior fogo da Europa este ano”, algo que já se tinha verificado há um ano.

“Portugal já tinha sofrido os efeitos do maior fogo da Europa o ano passado, aliás com consequências trágicas. Houve uma campanha de mobilização, de sensibilização e de limpeza de alguma parte significativa de florestas e de matas. Nunca houve nenhum governo tão empenhado durante o ano, fora da época de incêndios, em preparar e evitar estas calamidades. E apesar de tudo isso, ainda tivemos o maior fogo da Europa”, realçou.

Uma situação que deixa a nu um problema que continua por resolver na prevenção dos incêndios.

“Há um aspeto que deve entrar no debate político mais uma vez. É o problema de saber se mesmo com este esforço de limpeza da floresta pelos proprietários ativos, se isso basta para que haja uma floresta com uma prevenção razoável, em que as matas não cuidadas não venham a pegar fogo aquelas dos proprietários que fizeram um esforço de limpeza e de prevenção. E a resposta é que não. Esse esforço não basta porque há outra parte dessas propriedades florestais, sobretudo das pequenas propriedades, que não têm dono, não têm dono conhecido ou o dono não tem capacidade para limpar essas matas”, disse o antigo líder do Bloco de Esquerda.

“O problema da pequena propriedade florestal, da ausência da intervenção pública, da limitação dos meios de que as autarquias dispõem para fazerem elas próprias a limpeza das matas, todas essas limitações põem um problema essencial que é o de que o regime florestal português vai sempre permitir e até promover grandes fogos. Corremos sempre este risco de nos próximos anos ter o maior fogo da Europa e a maior tragédia florestal na Europa”, acrescentou Louçã.

Mais uma vez o problema do eucaliptal volta a ser falado e o economista considera que isso também tem de ser resolvido.

“A mata era composta por uma grande parte de eucalipto. Talvez valha a pena pensar no significado e na importância e na incidência das campanhas de defesa do eucalipto, a que alguns chamaram com uma certa prosápia de petróleo verde. Durante este ano, muitos insistiram que o eucalipto era um espantalho, que não tinha responsabilidade. Cá está, o fogo de Monchique provou que onde há eucalipto o fogo é mais intenso, propaga-se mais depressa e portanto cria uma pilha incendiária muito perigosa para as populações e para esta zona rural. Apesar da preparação, apesar do esforço, o eucalipto ardeu e fez arder a floresta portuguesa”, salientou.

“Para resolver os riscos de incêndio, Portugal terá que reduzir a mancha do eucalipto, terá que reordenar a sua floresta, terá que lhe dar sustentabilidade económica e boas condições para proteger as pessoas que vivem no interior do país e todos os anos sabem que vêm os incêndios”, afirmou ainda Francisco Louçã.

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