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D. Manuel Clemente: Portugueses podiam impulsionar a interculturalidade

O cardeal-patriarca de Lisboa defendeu hoje que os portugueses, que foram "o arranque da globalização", podem ser também os impulsionadores da interculturalidade, e deu o exemplo da "grande Lisboa", onde coexistem pacificamente mais de 100 nacionalidades.

D. Manuel Clemente: Portugueses podiam impulsionar a interculturalidade
Notícias ao Minuto

22:20 - 22/05/18 por Lusa

País Cardeal-patriarca

D. Manuel Clemente falava numa conferência sobre "A religião na sociedade atual", inserida num ciclo de conferências do Chiado (fórum de discussão sobre grandes questões atuais) e organizada pelo Movimento para a Cidadania Sénior (Cidsenior) e pelo Centro Nacional de Cultura.

Depois de fazer um percurso histórico das sociedades e da religião, o cardeal-patriarca centrou-se na actualidade, elogiando por exemplo os avanços no diálogo entre as religiões, mas lamentando a supremacia do "eu" e do uso da Internet de uma forma que considerou má, exemplificada no exagero do uso do telemóvel .

"Também uso diariamente a Internet, mas não dispenso a conversa pessoal", diria na resposta a uma pergunta da audiência, acrescentando: "a cidade perde muito do seu conteúdo", e questionando: "nós realmente acompanhamo-nos?".

É por isso que, disse, "efectivar comportamentos que perspectivem futuro é o desafio das grandes cidades".

E a "grande Lisboa" tem uma tal variedade de culturas que pode "ensaiar a interculturalidade", porque tem um passado e tem uma grande variedade de culturas que coexistem de forma feliz.

Antes Manuel Clemente já tinha lamentado os "apelos ao ter" ao "tudo para mim", uma atitude "quase infantil".

"Às vezes não se cresce e fica-se com essas apetências primárias. Não se cresce em termos do outro", disse, acrescentando que tal se exacerbou a partir dos anos 60 e sobretudo dos anos 80 do século passado, quando já tinham acabado os grandes desígnios e as ideologias tinham entrado em crise.

"Hoje é uma época de grande fragmentação, com uma globalização que não sabemos como dominar ou se é ela que nos domina a nós. Sem falar dos grandes impérios da comunicação, que estão a decidir agora o que amanhã devemos pensar", disse.

E depois, já quase no final da intervenção, confessou: "não sei para onde caminhamos". Falava da desinformação, das "verdades de hoje, desmentidas amanhã".

"Temos de filtrar isto em grupo. É isso que depois marca e cria futuro. A convicção repartida numa comunidade cria futuro", disse.

Também numa resposta a uma pergunta da audiência D. Manuel Clemente elogiou os progressos no ecumenismo e no diálogo inter-religioso , afirmando que tudo quanto há nesse sentido é bom e dando exemplos desse diálogo entre religiões, um deles uma declaração comum de várias religiões, na semana passada, sobre a proteção da vida humana, algo impensável há me menos de meio século.

E foi ainda numa resposta à questão da controvérsia sobre a criação ou não de um Museu das Descobertas, quando lhe perguntaram se seria preferível um Museu das Missões, que Manuel Clemente respondeu que nem um nem outro, que preferia Museu do Mar, porque foi por ele que tudo começou.

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