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Eurodeputados preocupados com "tom do debate" na Eslovénia

A delegação da comissão de Liberdades Cívicas do Parlamento Europeu (PE) que se deslocou à Eslovénia para avaliar a situação em áreas como o Estado de direito manifestou-se hoje preocupada com "o tom do debate" num país "extremamente polarizado".

Eurodeputados preocupados com "tom do debate" na Eslovénia

Numa conferência de imprensa hoje em Ljubljana, no final de uma visita de três dias, a eurodeputada holandesa Sophie in 't Veld, que encabeçou a delegação de sete eurodeputados, escusou-se a comentar em concreto os ataques de que foi alvo na véspera por parte do primeiro-ministro, Janez Jansa (na imagem) -- que acusou os parlamentares de serem "marionetas" do empresário milionário George Soros --, observando apenas que quem exerce funções governativas deve ser construtivo e apaziguador e não entrar em debates impróprios de uma sociedade civilizada.

"Não tenho muito a dizer. Numa observação mais geral, posso afirmar que aqueles que estão no poder têm uma responsabilidade especial pelo tom do debate, devendo assegurar-se de que contribuem para o reforço da confiança nas instituições democráticas, em vez de enfraquecer essa confiança [...]. Mas não tenho comentários a fazer sobre os 'tweets' da última noite", declarou a deputada.

A deputada do grupo Renovar a Europa (liberais) comentou ainda que "é chocante que membros do Governo se envolvam num debate que não é próprio de uma sociedade civilizada e democrática".

Sublinhando por diversas vezes que esta delegação parlamentar é apenas de "monitorização, e não um tribunal" que vá emitir um veredicto, Sophie in 't Veld explicou que, no regresso a Bruxelas, elaborará um relatório escrito a ser remetido à comissão parlamentar de Liberdades Cívicas, pelo que as suas observações de hoje são "preliminares", mas deu conta ainda assim das principais conclusões da missão, a mais tranquilizadora das quais a constatação de que "as instituições funcionam".

"Também não vejo que haja uma destruição sistemática das instituições democráticas como aquela a que assistimos noutros Estados-membros", observou, acrescentando que "não vale a pena mencionar quais" os países a que se refere.

Todavia, sublinhou, há motivos de preocupação que justificam que a monitorização prossiga, apontando "o clima de extrema polarização e o tom de debate extremamente quente" no país, combinado com aspetos inquietantes como a falta de financiamento à agência noticiosa pública STA, a ausência da nomeação de um procurador para a nova Procuradoria europeia, e os relatos de "pressões e intimidação" de que vários atores institucionais e da imprensa se queixaram aos eurodeputados.

Garantindo que a delegação parlamentar escutou o leque mais alargado possível de atores para ouvir os diferentes pontos de vista, Sophie in t'Velde lamentou que não tenha sido possível reunir-se com o primeiro-ministro Janez Jansa e ministros do seu Governo, "que, infelizmente, não estavam disponíveis".

Janza, que exerce atualmente a presidência semestral rotativa do Conselho da UE, envolveu-se na quinta-feira em mais uma polémica, ao recorrer à sua conta oficial na rede social Twitter para atacar os eurodeputados da delegação, o que mereceu o repúdio de várias instituições e líderes.

A Comissão Europeia condenou hoje as publicações da véspera do chefe de Governo esloveno, apontando que "as redes sociais devem ser um espaço para debates construtivos e respeitosos, e não um espaço para ataques pessoais contra indivíduos, quer sejam figuras públicas ou privadas, como foi o caso do 'tweet' mencionado", declarou Christian Wigand, porta-voz responsável pela Justiça e Estado de direito no executivo comunitário.

A publicação de Jansa - um quadro em que Soros, uma personalidade odiada pelos teóricos da conspiração e antissemitas europeus, aparecia ligado a vários eurodeputados --, numa altura em que se encontra uma delegação parlamentar na Eslovénia para avaliar a situação do Estado de direito no país, mereceu também a condenação por parte do presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, que exortou o primeiro-ministro esloveno a pôr cobro "às provocações" contra membros da assembleia.

"Ataques a membros desta casa são também ataques aos cidadãos europeus. Uma colaboração construtiva durante a presidência rotativa do Conselho só pode fundar-se no respeito e confiança mútuos", escreveu Sassoli também na rede social Twitter.

Já o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, sem mencionar quaisquer nomes, publicou igualmente um 'tweet' na quinta-feira à noite, no qual escreve simplesmente que "os membros do Parlamento Europeu devem poder trabalhar livremente sem qualquer forma de pressão" e que "o respeito mútuo entre as instituições da UE e no seio do Conselho Europeu são a única forma de seguir em frente".

A reação mais encalorada foi a do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que condenou "nos termos mais fortes" a mensagem "de mau gosto" do seu homólogo esloveno e convocou mesmo o embaixador da Eslovénia nos Países Baixos.

"O Governo acaba de transmitir este mesmo sentimento ao embaixador da Eslovénia na Haia", acrescentou Rutte, que teve recentemente várias controvérsias com dirigentes da Europa Central.

O primeiro-ministro esloveno respondeu, com várias mensagens no Twitter, a Rutte, referindo-se nomeadamente ao assassínio em Amesterdão do jornalista especializado em assuntos criminais Peter R. De Vries.

"Pois bem, Mark, não perca tempo com os embaixadores e a liberdade da imprensa na Eslovénia. Com Sophie in 't Veld, protejam os vossos jornalistas contra os assassínios na rua", retorquiu.

Leia Também: Mark Rutte critica homólogo esloveno por mensagem "de mau gosto"

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