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Independentistas pacíficos contra violência de minoria de radicais

Os militantes independentistas catalães, na sua grande maioria pacíficos, sentem-se ultrapassados pela situação provocada por jovens radicais violentos cuja ação, diz um analista contactado pela Lusa, apenas vai beneficiar Madrid a justificar-se perante a comunidade internacional.

Independentistas pacíficos contra violência de minoria de radicais

"Estou muito triste com o que está a acontecer. A esmagadora maioria dos apoiantes da independência querem que o processo seja pacífico e está contra estas manifestações de violência", assegurou à agência Lusa Francesc Llaquet, analista numa organização não-governamental.

Há quatro dias consecutivos que grupos de jovens radicais independentistas protagonizam atos violentos, no seguimento de concentrações pacíficas ao fim do dia, e enfrentam a polícia que tem tido dificuldade em os deter.

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017.

A noite de quinta-feira também foi caracterizada pelo aparecimento de um grupo de extrema-direita a favor da unidade de Espanha que atacou militantes independentistas.

Francesc Llaquet não tem dúvidas em afirmar que esta situação beneficia o Governo central de Madrid e o relato que faz à comunidade internacional para manter a unidade de Espanha.

Para este simpatizante da independência da Catalunha, a região há muito que se devia ter separado de Espanha, que nunca permitiu a autonomia devida e, por outro lado, "rouba" demasiados recursos que deviam ser re-investidos na comunidade autónoma.

Llaquet está convencido que os grupos violentos são formados por "jovens fartos de esperar" que "não compreendem" a sentença do tribunal que condenou os que os independentistas consideram ser "presos políticos".

Os juízes do Supremo espanhol decidiram condenar nove dos principais responsáveis pela tentativa de independência de outubro de 2017 a penas entre nove a 13 anos de prisão por delitos de sedição (contestação contra a autoridade) e peculato (desvio de dinheiros públicos).

"Também estou convencido de que o atual Governo [independentista] catalão não tem estado à altura dos acontecimentos", considerou Llaquet.

O presidente do executivo regional, Quim Torra, tem sido muito criticado, incluindo pelos partidos separatistas, por não ter condenado desde o início os atos de violência ocorridos e desconcertou todos ao propor, na quinta-feira, que se voltasse a realizar um novo referendo de autodeterminação na região.

Outros catalães independentistas têm manifestado a sua oposição aos acontecimentos dos últimos dias.

Entre eles, uma funcionária de uma loja de pronto-a-vestir, Eva, que garantiu à Lusa que o movimento separatista sempre foi "pacífico" e "contra a violência".

"Isto foi provocado por uma minoria de jovens, como acontece em qualquer parte do Mundo" e os atuais "líderes políticos pró-independência não estão envolvidos", assegurou.

Os estudos de opinião indicam que na Catalunha a população está dividida em duas partes entre os que pretendem a independência e aqueles que defendem a unidade de Espanha.

A região, que é a mais rica de Espanha com 7,5 milhões de pessoas, é banhada pelo Mar Mediterrâneo e faz fronteira com a França, tendo um território que é um terço do de Portugal.

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