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Quem é Boris Johnson, o favorito para suceder a Theresa May?

O antigo ministro britânico dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson é o favorito para suceder a Theresa May como chefe do governo, é considerado um dos mais carismáticos e populares políticos britânicos, mas também é uma personagem controversa e divisiva.

Quem é Boris Johnson, o favorito para suceder a Theresa May?

Na quarta-feira, o líder parlamentar dos nacionalistas escoceses, Ian Blackford, pôs em causa a idoneidade de Johnson para se tornar primeiro-ministro, por ter usado expressões como "caixas de correio" para descrever mulheres muçulmanas que usam o 'niqab', véu que cobre a cara e cabelo exceto os olhos, e "sorrisos melancia" para africanos.

"Se isso não é ser racista, não sei o que é", acusou, sob protestos, no parlamento.

Os exemplos de termos insultuosos usados são numerosos e não pouparam líderes como o presidente turco Recep Erdogan, sobre o qual Boris Johnson referiu ter um interesse sexual em cabras, ou o ex-presidente norte-americano George W. Bush, a quem chamou "texano belicista estrábico".

Quando foi ministro dos Negócios Estrangeiros, Johnson disse erradamente que a anglo-iraniana Nazanin Zaghari-Ratcliffe, detida pelas autoridades iranianas, tinha ido ao país dar aulas de jornalismo, o que, alegadamente, terá contribuído para agravar a sentença de prisão.

Porém, Boris Johnson, 55 anos, é considerado um dos heróis do Brexit, não só por ter protagonizado a campanha vitoriosa durante o referendo de 2016 que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), mas também por ser um crítico da estratégia de Theresa May.

Nascido em Nova Iorque, nos Estados Unidos, mas com antepassados turcos, Alexander Boris de Pfeffel Johnson estudou no colégio interno de Eton, que educou muitos primeiros-ministros, aristocratas e membros da realeza britânicos e, mais tarde, na universidade de Oxford.

Antes de entrar na política, foi jornalista, primeiro no diário conservador The Times, do qual foi despedido por ter inventado uma citação, e depois no Daily Telegraph, onde se destacou como correspondente em Bruxelas devido aos artigos críticos das instituições europeias.

O antigo editor do Times Martin Fletcher escreveu na revista New Statesman que Boris Johnson tinha como missão inflamar o euroceticismo e "desacreditar a UE em todas as oportunidades" e nas últimas semanas tem reiterado a desconsideração pelo deputado conservador.

"Este charlatão está agora descaradamente a aproveitar a crise nacional que ele ajudou a provocar através de mentiras, do seu jornalismo anti-UE e mentiras durante a campanha do referendo", afirmou.

Porém, 'Bojo', como é conhecido, tem no currículo sucessos eleitorais, como as duas eleições como 'mayor' de Londres contra o trabalhista Ken Livingstone, cujos mandatos incluem os Jogos Olímpicos de 2012 e a introdução de novos autocarros e bicicletas de aluguer.

Uma sondagem publicada na semana passada pelo diário Daily Telegraph indicava que, com ele à frente, o partido Conservador seria capaz de vencer umas eleições legislativas com uma maioria absoluta.

Este resultado seria possível graças ao voto dos eurocéticos, mas também de eleitores desconfiados com as políticas de esquerda do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que incluem a nacionalização de empresas de energia e de transportes.

Boris Johnson tem invocado a determinação em implementar o Brexit até 31 de outubro, não excluindo uma saída sem acordo.

"Existe uma escolha real entre implementar o Brexit ou a potencial extinção deste partido. Eu acredito que sou o mais bem colocado para levantar este partido, vencer Jeremy Corbyn e colocar (Nigel) Farage (líder do Partido do Brexit) de novo na caixa", resumiu, quando lançou a campanha para suceder a Theresa May.

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