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Antigos trabalhadores da ExxonMobil em greve de fome por indemnização

Duas dezenas de antigos trabalhadores da ExxonMobil estão há 10 dias em greve de fome, em Caracas, para exigir que o Governo do Presidente Nicolás Maduro lhes pague uma indemnização a que dizem ter direito, mas que nunca lhes foi paga.

Antigos trabalhadores da ExxonMobil em greve de fome por indemnização

A greve de fome decorre na Plaza de La Moneda, nas proximidades do palácio presidencial de Miraflores. Inicialmente eram 50 grevistas mas hoje estão reduzidos a duas dezenas, que dizem representar quase 6 mil antigos trabalhadores que reclamam o pagamento.

"Este problema data de 1997, de quando a ExxonMobil trabalhava na Faixa Petrolífera do Orinoco em associação com a Petróleos da Venezuela SA (PDVSA, petrolífera estatal venezuelana)", começou por explicar o porta-voz dos trabalhadores.

Pedro Amado explicou, em declarações à Agência Lusa, que a Venezuela avançou com uma queixa contra a ExxonMobil e o Estado venezuelano recebeu 5.200 milhões de dólares de indemnização.

"Pagaram a 3.800 pessoas, mas os trabalhadores que viviam nos campos, na Faixa Petrolífera do Orinoco não receberam. Quando soubemos decidimos iniciar uma luta, porque ainda há 6 mil pessoas sem receber a indemnização", disse.

A situação levou a que 1.185 viajassem, há quase 17 meses, para Caracas, onde ainda se encontram 586 em protesto.

"Fomos a todos os ministérios, esgotámos todos os recursos até que há três meses conseguimos contactar com o Presidente da República (Nicolás Maduro) que ordenou ao ministro do seu gabinete (presidencial) que encontrasse uma solução para este problema mas ninguém nos chamou nem se apresentou e por isso esta greve de fome, porque as pessoas estão desesperadas e não têm outro recurso senão fazer greve de fome", explicou.

Pedro Amado explicou que o grupo era de 50 mas 30 tiveram que desistir e ficaram apenas 20 que estão na disposição de continuar enquanto não lhes pagarem. Sublinha que a Constituição da Venezuela determina que "os direitos laborais dos trabalhadores são irrenunciáveis".

A falta de resposta levou-os a pedir ajuda em diversas instâncias, inclusive ao papa Francisco.

Para os trabalhadores há indolência neste caso, defendendo que o Presidente Maduro tem que assumir a sua responsabilidade e ordenar ele mesmo o pagamento.

Por outro lado, Amado explicou que têm sobrevivido com a ajuda de igrejas cristãs e que recolhem as sobras das verduras dos mercados para se alimentarem.

Quanto à segurança nas ruas, explicou que se observam entre eles e que a Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar), que se encontra nas proximidades os impede de sair da praça, de avançar até à rua, para protestar.

Por outro lado, José Gregório Mai explicou que nos quase 17 meses que estão em Caracas já "faleceram 17 companheiros" e "ninguém dá resposta sobre isto".

"O Presidente (Nicolás Maduro, nos seus discursos) põe a mão no coração e fala em paz. Eu pergunto-lhe, se falar de paz, é falar de amor, de esperança, e o que é isto que estamos vivendo aqui?" explica afirmando de imediato que "falam de um governo socialista, de democracia revolucionária, mas parece não haver democracia, porque se houvesse teriam vindo, dado a cara pessoalmente".

Este ex-trabalhador queixa-se que quando alguém sai a protestar para reivindicar direitos laborais é acusado de ser "guarimbero" (criminosos, perturbadores) mas defende-se que são apenas alguém que "reclama algo a que têm direito".

"Comemos das sobras, das ruas. Nas marchas (pró regime) servem água, dão comida e nós estamos nisto há 17 meses, vivemos num país com tantos recursos e nem água nos trouxeram", frisou.

Em greve de fome, Ricardo Bello explicou à Lusa que se sentia "débil" e que apenas tem "uns 50 quilos" dos 84 que pesava.

"Que nos paguem, que o presidente atenda ao seu povo. Nunca pensei que chegaria a este extremo. Fomos a todos os lados, à provedoria de justiça à petrolífera, a todas as partes e ninguém nos deu resposta. O último recurso era ir a Miraflores (palácio presidencial) fomos para lá fazer greve e nada", explicou.

Grato porque a Cruz Vermelha os visita dia sim dia não, lamenta que não haja um médico no sítio durante a noite.

"Que Deus tenha misericórdia de todos nós e peço ao Presidente da República que pense em nós. Estamos a poucos metros do palácio de Miraflores. Não vou daqui sem ter uma resposta do Presidente", disse.

Oneida Bello está também na praça porque o filho reclama a indemnização ou uma pensão, mas lamenta que quase 17 meses depois ainda não tenha "uma resposta do Governo".

"Queremos que nos paguem. Sou de Bolívar (Estado do sudeste da Venezuela) tive que vir à boleia porque não temos dinheiro para pagar nada e aqui comemos o que conseguimos por aí, nos mercados, os restos de verduras e dormimos no chá", lamenta.

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