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Ramadão, que se inicia domingo, é período de mais ataques de jihadistas

O Ramadão, mês sagrado do Islão, começa este ano no próximo domingo, dia 05, e termina em 4 de junho, sendo tradicionalmente um período de maior atividade terrorista global de motivação religiosa, demonstram vários estudos.

Ramadão, que se inicia domingo, é período de mais ataques de jihadistas

Os movimentos jihadistas aproveitam o mês sagrado do islamismo para fins terroristas, intensificando durante esse período os ataques, que justificam como último sacrifício para a sua fé, adicionando uma vertente geopolítica ao significado religioso desta data.

Os investigadores dizem que o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI) tem interpretado as solicitações religiosas dos muçulmanos durante o Ramadão como uma base teológica para encorajar atos de violência política.

Com base em dados do Global Terrorism Database (uma base de dados 'open-source' com informação de ataques terroristas a nível global, de 1970 a 2017), conclui-se que a média de ataques terroristas é 6% mais elevada nos dias de Ramadão do que nos restantes dias do ano.

Mais elevada ainda é a diferença entre mortes provocadas por ataques terroristas nos dias de Ramadão: há 17% mais mortes provocadas por ataques terroristas nos dias de jejum dos que professam aquela religião.

Contudo, os investigadores chamam a atenção para a tentação de uma ligação direta entre o Ramadão e a propensão para ataques terroristas, dizendo que esta coincidência de aumento de casos e de mortes deve ser associada a outros fatores (nomeadamente, questões meteorológicas -- no Ramadão, que acontece entre junho e outubro, geralmente está melhor tempo e há mais pessoas nas ruas).

Alguns estudos recentes apontam mesmo em sentido contrário, fazendo uma análise sociológica que conclui que o Ramadão é o período em que o fenómeno do terrorismo tem menor apoio popular entre o universo de membros associados ao fundamentalismo religioso.

Um grupo de investigadores europeus publicou este ano um trabalho em que procura demonstrar que o mês de jejum e abstinência islâmica ajuda a diminuir o apoio popular ao terrorismo e às capacidades de grupos terroristas.

"Devemos ter cuidado com as conclusões que extraímos das relações entre fenómenos religiosos e políticos, porque muitas variáveis se intrometem nas análises", explica Roland Hodler, professor de Economia da Universidade de St. Gallen, no Reino Unido, e um dos membros desse grupo de análise.

Contudo, todos os estudos reconhecem que, estatisticamente, o fenómeno do terrorismo aumenta a sua frequência no período que coincide com o Ramadão, um dos cinco pilares do Islão.

A verdade é que até as publicações especializadas em ajudar empresários ocidentais a lidar com o fenómeno do Ramadão, como a Stratfor, alertam para riscos como atrasos de atendimento em estabelecimentos hoteleiros, mas também para a intensificação de medidas de segurança e para o aumento de probabilidade de ataques terroristas.

A agência não-governamental Global Risk menciona vários exemplos de ataques terroristas violentos perpetrados por radicais islâmicos durante o período do Ramadão, como o ataque de 12 de junho de 2016, quando Omar Mateen matou 49 pessoas num clube noturno na Florida, nos EUA, que foi um dos mais violentos episódios terroristas em solo norte-americano desde o 11 de setembro.

No mesmo ano, em 01 de julho, atiradores fizeram 24 mortes em Daca, capital do Bangladesh, e dois dias depois o EI reivindicou a explosão de um veículo armadilhado que matou 300 pessoas em Bagdade, no Iraque.

E já em 2015, em 26 de junho, em pleno Ramadão, múltiplos ataques violentos ocorreram em França, no Koweit, na Síria, na Somália e na Tunísia.

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