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Protestos de 'coletes amarelos' em Bruxelas não chegaram ao coração da UE

Centenas de 'coletes amarelos' tentaram hoje manifestar-se no "quarteirão europeu" de Bruxelas, mas, barrados por um impressionante dispositivo policial montado para proteger as instituições da UE, tiveram de protestar à distância, prometendo no entanto voltar às ruas.

Protestos de 'coletes amarelos' em Bruxelas não chegaram ao coração da UE
Notícias ao Minuto

15:51 - 08/12/18 por Lusa

Mundo Reportagem

Numa réplica dos protestos que decorrem em França, mas numa dimensão bem menor, os 'coletes amarelos' belgas saíram hoje pela segunda vez à rua na capital do Reino e da União Europeia, com o objetivo de se concentrarem no quarteirão de Schuman para conferirem um "cariz europeu" à ação, mas desta feita a polícia estava bem preparada à sua espera -- ao contrário do que sucedeu em 30 de novembro passado -, e as instituições europeias mais protegidas do que em dias de cimeiras de chefes de Estado e de Governo, mesmo que praticamente vazias, dado ser sábado.

Os poucos confrontos registados hoje ocorreram quando alguns manifestantes tentaram forçar o acesso a Schuman, mas rapidamente a situação acalmou, até porque é flagrante o desequilíbrio de forças nas ruas de Bruxelas: para centenas de 'coletes amarelos', as autoridades -- que receavam uma aglomeração maior e mais violenta - responderam com quase um milhar de "polícias de choque", polícia a cavalo, canhões de água e barreiras de arame farpado em dezenas de ruas e avenidas.

A título preventivo, a polícia procedeu ainda a cerca de uma centena de detenções, sobretudo nas principais estações ferroviárias de Bruxelas, ponto de chegada dos 'coletes amarelos' vindos de outras localidades da Bélgica e considerados potencialmente perigosos.

Face ao enorme perímetro de segurança montado em torno das instituições comunitárias, os 'coletes amarelos' ficaram praticamente confinados a uma avenida a cerca de quilómetro e meio de Schuman, onde a Lusa ouviu alguns dos manifestantes, que acreditam que este movimento, "irmão" daquele que ocorre em França, vai crescer e obrigar o Governo belga a "abrir os olhos".

Christine, 50 anos, trabalhadora numa empresa farmacêutica, diz que saiu à rua "para ser mais um «colete amarelo»", num movimento que acredita que fará despertar o Governo, até porque se trata de "algo completamente novo, não se trata de manifestações convocadas por sindicatos, mas sim um verdadeiro movimento de cidadania".

Apontando que, tal como em França, o aumento da carga fiscal sobre os combustíveis "foi a gota de água que fez transbordar o copo", Christine diz que os belgas aceitam pagar os seus impostos mas querem "algo em troca, designadamente ao nível de prestação de cuidados de saúde e educação".

"No dia em que recebo o ordenado, mais de metade já se foi. Eu conto literalmente os cêntimos ao final do mês. É um aperto no coração, todos os dias vou ver o meu saldo de conta", queixa-se.

Sentada no asfalto de uma das muitas estradas hoje cortadas ao trânsito, sob o olhar atento da polícia antimotim que, a apenas dois metros, formou um cordão de segurança perto da embaixada norte-americana, Claudia, estudante de 24 anos, também se queixa à Lusa que "não é possível ter uma vida digna quando o dinheiro não chega ao fim do mês", e diz que é chegada a altura de as pessoas se manifestarem, em França, na Bélgica "e um pouco por todo o lado".

"Contra o que é que me manifesto? Tem tempo? É que são tantas coisas", responde com um sorriso, interrompida pelo som de petardos que fazem sempre recear uma carga policial.

"Queremos acima de tudo viver de uma forma digna. Para pagar os estudos eu também trabalhava, mas perdi o trabalho há seis meses. E nesses seis meses perdi sete quilos. É muito triste não podermos sequer desfrutar esta época natalícia. Como o podemos fazer sem dinheiro? O [primeiro-ministro belga] Charles Michel, esse sim, pode comprar presentes de natal. Eu não", protesta.

O Governo liderado por Charles Michel é de resto o alvo de todas as críticas e cânticos dos manifestantes, que tentam, sem sucesso, em verdadeiros monólogos, "convencer" os polícias diante de si que também eles deveriam protestar contra o estado das coisas.

"A questão não é só o imposto sobre o combustível. Com este Governo, há dois, três anos que temos vindo a perder poder de compra. Eu trabalho para mim e não só: ao final do mês os meus pais pedem-me dinheiro", exclama Hayri, taxista de 48 anos, que se revolta por "haver sempre dinheiro para injetar nos bancos", mas não para os serviços mais básicos para a população.

Sozinho e, como os restantes 'coletes amarelos', um pouco "perdido", vendo os caminhos barrados em todas as direções pela polícia, Hayri garante que não desanima e acredita que "este movimento vai crescer, porque é preciso fazer algo e as pessoas estão a despertar".

"Hoje vim sozinho, mas da próxima vez trago os meus filhos. Seremos cada vez mais, dia e noite, dia e noite", promete.

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