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Vendedores de banana do norte de Moçambique tentam sobreviver a praga

Sebastião Avirane, 38 anos, vendedor de banana, começou a notar uma redução das quantidades de fruta no mercado local desde 2007.

Vendedores de banana do norte de Moçambique tentam sobreviver a praga
Notícias ao Minuto

10:02 - 17/03/19 por Lusa

Economia Alimentação

A praga estava instalada: era o Mal do Panamá e afetou significativamente a Matanuska, uma das maiores empresas de banana do distrito de Monapo, em Nampula, norte de Moçambique.

Com a declaração de falência, em 2018, estima-se que 2.500 pessoas tenham sido afetadas, direta e indiretamente.

A família de Sebastião era uma das beneficiárias e vender banana dava sustento para os quatro filhos e esposa.

"Eu conseguia levantar quatro cestos grandes de banana para vender aqui na padaria Nampula, para mulheres que revendem na cidade. Agora, a fruta quase desapareceu. Tenho que vender outros produtos como essa abacate, maçaroca [de milho] e mandioca, para aumentar a mercadoria. Não posso parar", diz Sebastião.

Ana Castelo substituiu há cinco meses a venda de banana nas ruas da cidade de Nampula por bolinhos que confeciona e comercializa no seu quintal, no bairro de Mutomote.

A mudança tem a mesma justificação, "não há muita banana no mercado como antigamente e os nossos clientes não percebem quando subimos os preços".

"Eles estavam acostumados aos preços anteriores, de cinco a dez meticais (alguns cêntimos de euros) e hoje só é possível entregar três a seis bananas com dez a vinte meticais".

O Mal do Panamá - ou fusariose - é uma doença da planta da bananeira provocada por um fungo no solo que ataca a planta pela raiz, obstruindo a circulação da seiva nos vasos.

O fungo pode perdurar por décadas no solo, a sua remoção é difícil e tem várias formas de disseminação, pela água, equipamentos ou plantas contaminadas, levando ao contacto de raízes saudáveis com esporos liberados por plantas doentes.

O nome surge depois de os primeiros relatos de grandes prejuízos terem sido relatados na América Central e do Sul no início do século XX.

Em Nampula, a empresa Jacarandá ainda tenta sobreviver à praga, mas a luta é dura.

Só nos terrenos desta firma, o fungo já terá devastado 50 hectares da área de produção.

Enquanto isso, o Ministério da Agricultura quer, com o apoio de parceiros, recuperar a indústria da banana até aos níveis em que já esteve com o funcionamento da empresa Matanuska, que exportava a fruta para vários países de África.

Técnicos governamentais realizaram um encontro, recentemente, em Nampula, sobre as medidas de combate ao Mal do Panamá e recomendaram uma aposta na investigação.

Já em 2014, a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) exortara os países, especialmente da América Latina, a reforçarem a prevenção deste fungo.

Segundo a FAO, a melhor maneira de combater a doença é evitar a sua propagação, o que inclui evitar o movimento de materiais de plantas doentes e as partículas do solo contaminadas.

Há um ano, o Governo moçambicano proibiu a circulação de banana produzida em Cabo Delgado e Nampula, bem como "a movimentação de material de propagação, nomeadamente socas (rebentos) e plântulas".

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