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Reconversão económica causa apreensão entre os comerciantes venezuelanos

Pequenos e médios comerciantes de Caracas, entre eles os portugueses, estão apreensivos com a reconversão económica que a partir de segunda-feira eliminará cinco zeros ao bolívar forte para o converter na nova moeda, o bolívar soberano (Bs.S).

Reconversão económica causa apreensão entre os comerciantes venezuelanos
Notícias ao Minuto

11:48 - 19/08/18 por Lusa

Economia Venezuela

O receio estende-se à entrada em vigor do novo valor para o salário mínimo, que aumenta 35 vezes a partir das 00h00 de segunda-feira.

"Não sabemos como aplicar a reconversão (...) há que fazer contas para tirar cinco zeros, se fossem três os números passavam de milhões a milhares. Estamos apreensivos, inseguros", disse um comerciante à agência Lusa.

Leo Araguren, 45 anos, é sócio de uma queijaria, onde vende queijos e charcutaria, em San Bernardino, que desde sábado está fechada "até ver como vão ficar os preços".

Segundo este comerciante, as pessoas queixavam-se dos altos preços dos produtos, quando o salário mínimo integral (com todos os impostos) era de quase 5,2 milhões de bolívares e automaticamente tiravam três zeros aos preços.

"Havia clientes que antes compravam um quilograma de queijo e agora compram apenas um pouco de queijo ralado para o esparguete. Não temos um grande 'stock' e os preços já variavam quase todos os dias. Com a reconversão e um aumento de salário esperamos que tudo aumente de preço", frisou.

Até sexta-feira "um quilograma de queijo amarelo rondava os 19 milhões de bolívares, o queijo mozarella estava pelos 13 milhões de bolívares, o fiambre em 16 milhões e um cartão de (30) ovos, mais de 4 milhões (...) não é preciso ser matemático para perceber a relação entre o salário e os preços", explica Araguren.

Outro comerciante, o lusodescendente Juan de Sousa, proprietário de uma pequena mercearia, não sabe como vai ser com a entrada em vigor da reconversão económica e diz apenas que por ser feriado na segunda-feira, ainda não sabe se abre as portas do seu comércio na terça-feira.

"Confesso que tenho algum receio com o que poderá acontecer. As pessoas estão confundidas, têm o olhar como perdido. Houve um tempo em que faltava o que era básico. Hoje há pessoas que têm dificuldades até para comprar uma fruta, uma banana ou uma laranja. Algumas pedem as coisas e depois deixam na caixa porque não podem pagar", disse.

"Preocupado, desanimado e de mãos atadas" está também o comerciante António Rodrigues, proprietário de uma loja de víveres no Mercado de Quinta Crespo, que na semana passada, quando o mercado estava fechado, foi alvo de um roubo em que os ladrões levaram mais da metade da mercadoria.

"Tenho família para manter, não tenho investimentos nem poupanças em Portugal e não tenho para onde ir. O meu negócio era o mais abastecido do tipo, no mercado. Tanto assim que há pouco esteve aqui um ministro que falou desde aqui para a televisão", frisou.

Natural da Ponta do Sol, na ilha da Madeira, este emigrante já pensou pedir às autoridades portuguesas para conseguir uma ajuda económica para retomar o negócio que, no seu entender, será difícil, devido à crise político económica e social no país.

Várias pessoas disseram à Agência Lusa, que é difícil entender as medidas económicas que o Governo venezuelano está a aplicar e que esperam sejam acompanhadas por outras que permitam estimular a economia e melhorar as condições de vida num país "que é rico em petróleo mas onde a população é cada vez mais pobre".

No próximo dia 20 de agosto entra em vigor na Venezuela uma reconversão monetária que eliminará cinco zeros ao atual bolívar forte para dar origem ao bolívar soberano.

Como parte do processo de adaptação o Governo decretou segunda-feira como dia feriado.

Na passada sexta-feira o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou o aumento do salário mínimo mensal, que passou de 5.19 Bs.S para 1.800 Bs.S (de 1,14 euros para 39,50 euros).

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