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Só se falou de F1 em Portugal durante um dia. Culpa do… Bandeira Amarela?

Falta precisamente uma semana para o início do Grande Prémio de Portugal em Formula 1. Um regresso ao nosso país após 24 anos de ausência que fez os amantes da modalidade explodirem de alegria. Adeptos esses que não se coibiram de mostrar toda a sua vontade em que a F1 viesse ao nosso país e talvez tenha havido dois grandes impulsionadores para que muito 'barulho' tenha sido feito.

Só se falou de F1 em Portugal durante um dia. Culpa do… Bandeira Amarela?

Ainda não tinha sido confirmada a vinda da Formula 1 a Portugal e já muito se especulava com a mesma. O esforço do Autódromo Internacional do Algarve, da FPAK e mais concretamente de Paulo Pinheiro foi premiado, mas não podemos descurar o papel dos adeptos portugueses.

No dia 12 de junho deste ano, a incógnita sobre a realização de um Grande Prémio em Portugal mantinha-se, mas não se falou de outra coisa nas redes sociais. A hashtag #Portimao2020 ganhou vida e muito por culpa de dois apaixonados por automobilismo que, em 2018 idealizaram e, em 2019 criaram o podcast Bandeira Amarela.

Diogo Cunha e João Correia Leite são as caras deste projeto dedicado à Formula 1 e foram eles que deram o empurrão que pode ter feito a diferença: Pediram aos seus seguidores para espalhar ao máximo a palavra para que só se falasse na possibilidade de ser realizado um Grande Prémio de Portugal em 2020.

A verdade é que, culpa deles ou não, no dia 12 de junho #Portimao2020 chegou a ser o tema mais falado no Twitter, o que coincidiu também com uma votação levada a cabo pela própria F1 - que desta forma ficou a saber que, entre quatro opções disponíveis, a vinda a Portimão era a mais desejada pelos adeptos.

Tudo isto serviu como ponto de partida para o Desporto ao Minuto conversar com estes dois amantes de desporto motorizado, a propósito da rubrica 'Dos 0 aos 100'. Pedimos também uma pequena antevisão ao Grande Prémio de Portugal e, para quem ainda não os conhece, o melhor é ficar a saber: O Bandeira Amarela é um podcast descontraído, onde todos os temas que tenham a ver com automobilismo podem entrar. Para quem já os conhece melhor, não será estranho dizer que os dois responsáveis pelo projeto não são peritos na adivinhação, por mais que tentem, e são também eles fiéis críticos dos pneus da Pirelli utilizados na Formula 1.

GP de Portugal? É bom saber que incentivámos a que isto acontecesse nem que seja com 0,001% de apoioO GP de Portugal foi confirmado depois de muita especulação, mas antes dessa boa-nova houve uma onda de grande ‘barulho’ por parte dos fãs em Portugal. Em grande parte, pode dizer-se que isso começou por culpa vossa, quando lançaram a #Portimao2020?

João Correia Leite: Sinceramente não sei se teve alguma influência ou não. Se calhar acabou por ter influência, porque nesse mesmo dia, passado um bocado de termos feito essa hashtag, a Formula 1 lançou uma votação onde estava Portimão. Foi uma coincidência, mas que serviu para mobilizar o pessoal a ir votar para fazer um bocadinho de ‘barulho’ e, talvez, dizer que estávamos aqui e que há muita gente que em Portugal gosta de automobilismo e que gostávamos de ter cá a F1. Agora se dependeu de nós? Acho que não… Criámos a hashtag, mas depois aquilo acabou por chegar a contas que têm de facto muito alcance e foi aí que aconteceu o ‘boom’ e foi parar ao ‘trending’ do Twitter. Acabámos até por ganhar a votação por larga margem.

Diogo Cunha: Foi um capote, basicamente [risos].

João Correia Leite: Sim, acho que foi uma tempestade perfeita e que serviu para dizermos ‘olhem, estamos aqui e gostamos muito de Formula 1’.

Diogo Cunha: E quanto à vinda do Grande Prémio propriamente dito é resultado de um grande trabalho de bastidores que ocorreu entre toda a equipa do Autódromo Internacional do Algarve, do Paulo Pinheiro, do apoio da FPAK… Depois, o resto, acaba por ser um pouco daquilo que o João disse. Serviu para que reparassem em nós, para que a F1 soubesse que há muito público a querer vê-los em Portugal, e é bom saber que incentivámos a que isto acontecesse nem que seja com 0,001% de apoio.

Notícias ao MinutoImagem retirada do Twitter no dia 12/06© D.R.

Vocês são já um canal amplamente conhecido pelos adeptos da modalidade, já participaram inclusive em algumas emissões na Eleven Sports3, mas como é que nasceu toda esta ideia de criar o podcast ‘Bandeira Amarela’?

JCL: Esta resposta é para ti, Diogo. A culpa disto tudo é tua.

DC: Ah, é minha? [risos] Isto começa de uma maneira muito simples. Um dia mando uma mensagem ao João a dizer: ‘acho que devíamos fazer um podcast de Formula 1’. Ao que ele respondeu: ‘Está bem, vamos a isso’. [risos] Foi tão simples como isto. Faço muitas horas no carro em deslocações profissionais e o rádio acaba por ser uma grande companhia, seja a ouvir música, seja a ouvir podcasts. E como gosto de ouvir, sentia falta de algo ligado, por exemplo, ao automobilismo e à Formula 1. No passado já havia uma coisa parecida, mas ainda nem se falava em Internet quanto mais em podcasts. No final dos anos 90, penso eu, existia o ‘Especial de Corrida’ na RFM com alguns dinossauros da F1 em Portugal, e gostava muito de ouvir isso. Houve então esse dia que vinha no carro e lembrei-me que gostava de ouvir uma coisa dessas. Ah não há? Então se não há, fazemos!

Para quem não vos conhece bem, quem são e o que fazem da vida as caras por detrás deste projeto que, diga-se, é não remunerado e que cujo ‘combustível’ é apenas o amor pelo automobilismo?

JCL: De facto não é remunerado, mas isto é o nosso hobbie. Eu e o Diogo somos engenheiros, quer dizer… ao Diogo falta-lhe uma cadeira por isso, não sei se alguma vez lhe vou poder chamar engenheiro ou não [risos]. Desde criança que vemos Formula 1 e automobilismo e é dessa forma que o ‘Bandeira Amarela’ acaba por ser alimentado.

DC: Não posso contestar essa afirmação porque realmente falta-me uma cadeira para terminar o mestrado. Mas, terminando o que o João estava a dizer, isto acaba por surgir com alguma naturalidade. Não mandei a mensagem ao João por acaso e, no fundo, o que fazemos é colocar em áudio as nossas conversas.

JCL: Com menos palavrões…

DC: [risos] Sim, mais filtradas. Nós já somos amigos há mais tempo do que gosto de admitir e, desde que nos conhecemos, o automobilismo é um interesse em comum e do qual estamos constantemente a falar e a comentar. Foi assim que surgiu esta ideia. E se nos sentássemos e falássemos sobre isto? Pode ninguém ouvir, mas nós entretemo-nos e fazemos algo de que gostamos.

Passemos então àquilo em que vocês são peritos... ou não: a adivinhação. O que podemos esperar do Grande Prémio de Portugal em Formula 1?

JCL: Acho que a corrida vai ser muito interessante do ponto de vista em que as equipas têm mesmo muito pouco conhecimento do circuito. Se tu vires de cima o layout do circuito até parece uma coisa simples, mas de facto as elevações que tem podem causar problemas às equipas e aos pilotos. Há muitas curvas que podem tornar-se curvas cegas e isso pode ser muito interessante do ponto de vista dos adeptos.

DC: Não é por acaso que chamam ao circuito a montanha russa do Algarve.

JCLExato! A nível de organização estou curioso porque vivemos numa situação de pandemia e espero que todos os que lá estejam se comportem bem. Vai depender muito mais das pessoas que lá estão do que propriamente da organização, por muitos esforços que façam. Já enviaram até uma planta dos parques de estacionamento que pretendem que tenham o mínimo de cruzamento possível entre as pessoas e compete-nos muito a nós ter este respeito pelos outros. Devemos manter o nível máximo de segurança para todos.

DC: O João falou bem. Não acontece muito, mas desta vez falou [risos]. Em termos de corrida, o facto de o circuito ser desconhecido para quase todos os pilotos vai ser interessante. Portimão vai ser uma estreia absoluta para quase toda a gente, inclusive para a Pirelli. Ainda na semana passada ouvi o Mario Isola, presidente da Pirelli, a dizer que eles tinham muitos dados de outras competições que lhes permitem manter-se atualizados em Nurburgring, mas de Portimão não há.

Acreditam que esta vinda da F1 a Portugal pode ser caso único ou que em 2021 haverá novamente uma bela surpresa?

DC: Não diria que é impossível. Recentemente o Chase Carey, ainda CEO da Liberty, referiu que esperavam anunciar em breve o calendário para 2021, naturalmente englobando as pistas que tinham contrato para este ano. No entanto, a Covid-19 não vai desaparecer de um dia para o outro, acho que já todos percebemos isso, e naturalmente isso vai continuar a colocar constrangimentos à FIA. Particularmente aos circuitos citadinos, que este ano foram todos cancelados. Apesar de o protocolo da F1 estar muito bem afinado e ter funcionado até agora para prevenir surtos de Covid-19 dentro da ‘bolha’, num circuito citadino é muito mais complicado manter esse controlo. Por isso é que corridas como Mónaco, Canadá, Baku e Vietname foram canceladas, porque não havia condições para a realização, nem mesmo à porta fechada, não consegues evitar que as pessoas se juntem. Baku pode sofrer ainda com o conflito entre o Azerbaijão e a Arménia, o Japão tem os Jogos Olímpicos e acredito que todos os esforços sejam nesse sentido, mesmo que sacrifiquem outros eventos. Interlagos também não deverá ter contrato renovado… Há muitas incógnitas para 2021, há muita coisa que pode acontecer, e os circuitos que entraram este ano no calendário vão estar como circuitos de reserva e não seria surpreendente que alguns fizessem mesmo parte do calendário. A confirmação destas dificuldades na construção do calendário vê-se por ainda não existir calendário. Em condições normais já estaria tudo fechado há meses.

JCL: Juntando só aqui alguma água fria à fervura do Diogo, nós já tivemos um pequeno olhar sobre um possível calendário lançado pelo ‘Racefans’, que costuma estar bem informado, e não estava lá presente Portugal. À partida, Portugal está de fora de um calendário principal pelo valor que é preciso pagar à FIA. Depois podemos é entrar como circuito substituto, mas resta saber em que número porque ainda podemos ter à frente um circuito alemão ou italiano.

Formula 1, MotoGP, Félix da Costa campeão de Formula E, Filipe Albuquerque vencedor de Le Mans e campeão no WEC… Acham que neste momento vivemos uma página de ouro nos desportos motorizados?

JCL: Dizia-se que nos anos 80/90 tivemos a geração de ouro, não é? Acho que estamos muito perto de dizer que esta é a geração de platina, porque tens um campeão de Formula E, que para o ano pode ser campeão do mundo porque a FE passa a ser um Campeonato Mundial, tens o Miguel Oliveira que ganha já Grandes Prémios de MotoGP e que vai para uma equipa de fábrica para o ano, tens o Filipe Albuquerque que é neste momento líder do Campeonato Mundial de Resistência (WEC), do Campeonato da Europa de Resistência (ELMS) e ganhou as 24 horas de Le Mans. Tens ainda o Henrique Chaves e o Miguel Ramos que são líderes do International GT Open. E não só… Há ainda o João Barbosa e o Álvaro Parente no IMSA. Acho que só não vê quem não quer. Não me lembro de em nenhum registo histórico termos tantos pilotos a um nível tão alto por esse mundo fora, e é das coisas que mais prazer me dá ver através do ‘Bandeira Amarela’.

DC: Só não digo que 2020 é um ano perfeito para o automobilismo português porque ficámos sem duas das joias da coroa por causa da Covid: o Rally de Portugal e a prova do Mundial de Rallycross em Montalegre. Tenho também pena que não haja nenhum piloto português no WRC com um projeto como teve, por exemplo, o Rui Madeira quando ganhou a Taça FIA ou mesmo o projeto do Armindo Araújo quando teve o projeto com a MINI. Pode ser que brevemente existam mais projetos internacionais de relevo.

JCL: Tens agora a iniciativa da FIA ‘Girls on Tracking’, onde estão duas portuguesas. Tens também a Maria Neto que é campeã nacional de karting na equipa do Fernando Alonso. Há ainda os miúdos do karting nacional, lembro-me assim de repente do Rodrigo Seabra e do Noah Monteiro, que são pilotos muito rápidos e acho que temos um futuro interessante. Depende depois da cobertura e exposição que irão ter porque hoje em dia é mesmo assim, se não tiverem cobertura é como se não existisse mercado e torna-se mais difícil.Pneus da Pirelli? Não me façam entrar no circuito e perguntar se é preciso ir ali à NorautoE qual a vossa opinião sobre aquela velha questão: ‘Portugal é um país que só fala de futebol’?

JCLPrimeiro… acho que é mentira. É óbvio que competir com a popularidade do futebol não faz sentido, mas acho que os portugueses têm uma paixão muito grande por outras modalidades e nem tudo se resume ao futebol. Custa-me ver que, por vezes, não é dada a atenção devida aos feitos que o automobilismo português alcança. Acaba por ser um ciclo vicioso. Diz-se que não há mercado, os jornais ditos desportivos começaram a centrar-se muito no futebol e crias um ciclo vicioso. Se não mostras, acaba por ser difícil que as pessoas conheçam. Isto é válido para o automobilismo, como para outras modalidades.

DC: Entendo que o público alvo desses jornais não seja a malta do automobilismo e depois é um ciclo vicioso porque, se procurar algo de automobilismo, vou procurar a fontes que sei me vão oferecer outro rigor e outro tipo de cobertura. Porém, se não aproveitam momentos como as conquistas dos portugueses sabendo que há interessados… Há muitas pessoas que gostam e vibram com o automobilismo. Não acredito que uma capa com um campeão português de Formula E não capte a atenção de muitas pessoas, mas vi que até preferiram dar destaque na capa às tatuagens de um jogador do Benfica.

Por fim, não poderia deixar de vos perguntar isto e os vossos seguidores estranhariam se não o fizesse: Querem deixar algum conselho à Pirelli relativamente à escolha dos pneus para a corrida em Portimão?

DC: [Risos]

JCL: Peçam à Michelin! [risos] O asfalto é novo, por isso, levem os pneus mais macios que têm.

DC: Depois páram de três em três voltas [risos].

JCL: Sinceramente, se eles conseguissem levar um pneu que permitisse aos pilotos puxar pelos carros, porque acho que vai ser lindíssimo ver aqueles carros nas colinas de Portimão, já chegava. Agora, se eles passarem por mim e a levantar o pé, aí se calhar já sou menino para entrar no circuito e perguntar: ‘Então pá, como é? É preciso ir ali à Norauto buscar pneus?’

DC: Só espero que não comecem a rebentar a meio da corrida para vermos alguma ação em pista como o João estava a dizer. Deixem-nos lutar e puxar pelos carros sem terem de estar a pensar se os pneus aguentam mais voltas ou não. Deixem-nos correr.

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Mais 3 GPs cancelados? Ok, esta na hora de fazermos barulho e enchermos isto de #Portimão2020 #F1 #PodcastBA

Uma publicação partilhada por Bandeira Amarela (@bandeiramarela) a 12 de Jun, 2020 às 2:15 PDT

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