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"Sair do país é obrigatório. Os portugueses têm sempre sucesso lá fora"

Conhecido do grande público desde que foi convidado para ser jurado em programas de dança na televisão, César Augusto Moniz possui um currículo na área que vai para lá das aparições públicas. Em entrevista ao Notícias ao Minuto recorda a sua carreira e revela-nos o descontentamento pela falta de aposta numa área sem a qual acha que o país seria um caos.

"Sair do país é obrigatório. Os portugueses têm sempre sucesso lá fora"
Notícias ao Minuto

11/09/17 por Andrea Pinto

Cultura César Augusto Moniz

Foi durante o ensino secundário, e desafiado por uma namorada, que deu os primeiros passos na dança. Uma experiência que mudou para sempre a sua vida e o levou a trocar a Química pelos palcos, mesmo contra a vontade dos pais. Uma decisão que considera ter sido tomada já "tarde", mas que não o impediu de singrar de forma brilhante na área.

Detentor de um vasto currículo enquanto bailarino, coreógrafo e produtor de espetáculos, César Augusto Moniz conhece bem o mundo da dança e a falta de apoio que esta arte recebe no nosso país. Prova disso é o facto de só se ter tornado conhecido do grande público depois de ter começado a aparecer na televisão enquanto jurado de programas como 'Achas que sabes dançar?' ou 'Let's Dance'.

É também por isso que é o primeiro a dizer aos jovens bailarinos para saírem do país, embora considere Portugal "um paraíso" para viver.

O entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto é a prova de que Portugal é um país de talentos por descobrir e traz consigo um conselho para que não se deixe de apostar numa arte que "alimenta a alma das pessoas".

Como é que surge o amor pela dança e como é que dá os seus primeiros nesta área?

Estava a estudar Química porque queria ser cientista e de repente, acho que o universo trabalhou de forma muito rápida na minha vida e na minha missão. Estava a acabar o 12.º ano e ia para o Instituto Superior Técnico para seguir engenharia química, na área da investigação, que era o que gostava. E de repente, estava no Sporting como atleta, primeiro no atletismo e depois na ginástica aplicada, e tive uma namorada que gostava muito de dançar e desafiou-me para competirmos num concurso da escola. E eu, sem saber dançar, embora achasse que tinha o ritmo da ginástica, meti-me no concurso e ganhei o primeiro lugar a solo e o primeiro lugar a pares.

Um membro do júri, que era professor na escola, e que conhecia o Rui Horta, disse-me que achava que tinha talento e que me queria apresentar ao Rui Horta para eu conhecer o trabalho dele. Ele achou que eu tinha talento e perguntou-me se eu não queria ir para um grupo experimental de dança jazz e fazer uma digressão pelo país. Achei que era uma boa oportunidade de sair de casa dos meus pais, porque era filho único. Aceitei e comecei esta aventura nas férias. Entretanto, quando voltámos em setembro fui à Gulbenkian porque achava que para dançar bem jazz precisava de uma boa base do clássico. Isto foi a meio do 11.º ano e no 12.º já estava na escola do ballet Gulbenkian, até que o Jorge Salavisa, passado um ano, me disse: “Gostava muito que entrasses para a companhia”. Fiquei um bocado aparvalhado e disse-lhe que ainda não tinha bases nenhumas mas ele achou que eu tinha boas potencialidades e ofereceu-me um contrato.

Foi aí que a Química ficou para trás?

A paixão da dança entrou em mim e a Química ficou em segundo lugar. Entrei para o Ballet Gulbenkian, mesmo com os meus pais sendo contra a minha decisão. Fiquei um ano como estagiário, ganhei uma bolsa de estudo para ir para Cannes para ir estudar para uma das melhores escolas da Europa, a Dança Rosella Hightower, onde fiquei durante o verão, e depois deram-me uma nova bolsa de estudo de um ano. Nesssa altura, quando voltei a Lisboa disse ao Jorge que ainda não tinha as bases de que gostaria e que iria voltar para a escola. Ele disse-me que eu ia passar de estagiário para bailarino se ficasse em Lisboa, mas eu achava que precisava de bases porque sou muito perfecionsta e acabei por voltar para Cannes.

Quando regressa novamente a Portugal?

Entretanto o [Jorge] Salavisa foi ver-me no verão e voltou a dizer-me que tinha de voltar para o Ballet Gulbenkian porque tinha lá muitas oportunidades de trabalho. Mas entretanto já me tinham convidado para ir para a Companhia do Maurice Béjart. Nessa altura tive de pensar duas vezes: ou voltava para Lisboa e estava com os meus pais, de quem já tinha saudades, e ficava no Ballet Gulbenkian, ou ia embora. E decidi ir para Lisboa.

Reformei-me porque já era tempo e acabei como coreógrafo pelo mundo inteiroMas não definitivamente?

Meses depois de voltar, fui promovido como solista e a partir daí continuei a desenvolver-me como bailarino. Sete anos depois, e quando já estava saturado do Ballet Gulbenkian, apareceu o coreógrafo Nacho Duato que me convidou para uma coreografia que ia montar connosco. No final da estreia da peça dele cá em Lisboa, ele disse que ia ser diretor da Companhia Nacional de Dança em Espanha e gostava que eu fosse como seu convidado. Tinha escolhido alguns bailarinos para lhe dar apoio como diretor e eu fui um deles. Fiquei lá, fizemos tournées pelo mundo inteiro, mas uma vez mais o Jorge veio atrás de mim resgatar-me e disse-me para voltar. Disse-me que estava a reestruturar o Ballet Gulbenkian e disse-me que não podia garantir a minha reforma se eu não voltasse. E aí comecei a pensar no meu futuro. A Gulbenkian tinha talento, eu já tinha saudades dos meus pais e entretanto resolvi voltar para Portugal e fiquei na Gulbenkian até ao final da minha carreira de bailarino, com 38 anos. 

Reformei-me porque já era tempo e acabei como coreógrafo pelo mundo inteiro. Criei a minha própria companhia, a Kamu Suna Ballet Company, e quando me convidaram para ser presidente do júri do ‘Sabes Dançar’ foi quando a fechei. Por acaso incluía alguns dos primeiros bailarinos do Ballet Gulbenkian. O trabalho na televisão era muito intenso e ao mesmo tempo caiu a crise e decidi acabar com a companhia, pois não tínhamos apoios do Estado, os bailarinos tinham ordenados muito elevados e eu tinha de pagá-los ao final do mês.

Depois do ‘Achas que Sabes Dançar’ fui para a RTP num projeto que era os ‘Bastidores da dança’ e logo depois participei em projetos pelo mundo inteiro. O último foi em Tóquio, no Japão, de onde vim exausto e disse ‘Acabou. Não quero coreografar mais, vou só dirigir e liderar projetos culturais’.

A verdade é que a minha carreira foi sempre, de certa maneira, brilhante. Fui abençoado Disse que a ideia de ser bailarino não agradava inicialmente aos seus pais. Porquê?

Porque eu adorava a Química e eles adoravam isso. A minha mãe estava ligada à Ciência e o meu pai estava, de certa forma, ligado à Medicina e à Ciência. Gostavam, e estavam à espera, que eu tivesse uma carreira nessa área. E eu também. Portanto, na altura ficaram muito surpreendidos e questionaram-me sobre como é que eu seria bailarino em Portugal, onde esta profissão não tem futuro.

A verdade é que a minha carreira foi sempre, de certa maneira, brilhante. Felizmente sempre tive sucesso por onde passei e só posso dizer que foi fantástico e que fui abençoado com a carreira que tive e que tenho. Os meus pais, no final disto tudo, ainda me dizem: “Se calhar não tinhas estragado o teu corpo, podias ter feito outra carreira”, mas eu digo-lhes que foi uma paixão para mim e que foi bem sucedida. A minha mãe agora já consegue, quando me vê na TV, aceitar que tomei a melhor decisão mas ainda lhe custa um bocadinho às vezes. O meu pai era mais tranquilo e aceitou melhor apesar de ser homem e de haver os preconceitos da sociedade.

O facto de ser rapaz, em algum momento, foi um entrave?

Isso não me dificultou nada. Não senti qualquer dificuldade pelo facto de ser rapaz na minha carreira, de todo.

Nunca aceitei nem nunca acolhi a maioria dos preconceitos que esta sociedade impõe às pessoasMas disse há pouco que essa ideia de ser um rapaz a dançar às vezes não é bem vista…

Nesse sentido, sim, senti esse preconceito. Mas a verdade é que eu sempre me borrifei para aquilo que as pessoas pensavam ou deixavam de pensar de mim. Eu na verdade o que queria era ser feliz e a paixão pela dança era tão grande que sinceramente nem sequer me preocupava. Sou um homem que não se preocupa demasiado com o que os outros pensam.

Nunca tive muitas críticas enquanto bailarino, mas às vezes ouvia críticos, cujos nomes não vou dizer, que faziam críticas ridículas. Eram tão descabidas e vindas de pessoas que nem sequer tinham sido bailarinas... a sério que eu pensava: 'Mas isto é o quê? Críticas de pessoas que nem sabem dançar?'. Claro que se havia uma crítica que era no sentido positivo, que era construtiva, aí sim, refletia, observava, e aceitava. 

Tenho uma forma de estar na vida que é muito espiritual. Ou seja, a forma como vejo o universo, as coisas, as pessoas e mundo é um bocadinho fora do comum. Não por ser melhor que os outros, porque sou um ser humano com muitas dificuldades e imperfeições, mas por ter uma visão muito diferente. Os preconceitos que as sociedades têm criado ao longo de milénios, as religiões com os seus dogmas, são tão nocivos que, com a visão espiritual que tenho das coisas, nunca aceitei nem nunca acolhi a maioria dos preconceitos que esta sociedade impõe às pessoas. E como o meio artístico é tão aberto ao nível da mentalidade, nunca senti os preconceitos e essas formas de pensar antigas e dogmáticas nunca me afetaram.

Como é que acha que se desmistifica a ideia de que um rapaz não pode ou não sabe dançar?

Acho que isso é um preconceito tão limitativo que nem sequer vou estar a julgar. Posso apenas dizer que é um preconceito da sociedade, como há muitos, e é errado. Não é algo que pertença ao século XXI. A humanidade tem tendência a evoluir e essa evolução passa por eliminar dogmas que controlam as pessoas, fazem as pessoas infelizes, e não são ajustados à época em que nós vivemos e que provocam, muitas vezes, grandes conflitos. Como sou a favor da paz acho que os dogmas religiosos ou qualquer outro tipo de dogma ou preconceito que a sociedade vai construindo, são completamente descabidos. Vejo um mundo bem melhor no futuro porque acho que as pessoas têm cada vez mais tendência a abrirem-se, a ter solidariedade e compaixão pelos outros. E essa compaixão passa pela flexibilidade de aceitarmos os outros como eles são. Olharmos para os outros com compaixão e aceitarmos as pessoas com todas as diferenças que têm e perceber que são seres humanos como nós.

O que faz de alguém um bom bailarino? Tem de se ter um dom inato ou é possível sê-lo com muito trabalho?

Acredito que já nascemos com uma missão, ou várias, que se vão manifestando ao longo da nossa vida. Creio que, normalmente, já há uma predisposição daquela alma para ser um artista, porque não é qualquer pessoa que é artista, ou que é um pedreiro ou um médico. Há uma predisposição no ADN, a nível físico, de talento emocional e artístico que vem connosco. Há, no entanto, bailarinos que não têm isso, mas que trabalham, trabalham, trabalham com a inteligência - mental e emocional - e conseguem obter grandes resultados, às vezes até melhores do que os do que já tem esse talento físico.

Acho que [ser um bom bailarino] é 90% trabalho, dedicação, persistência e uma vontade de ferro porque a dança é muito difícil e exige muito sacrifício sobretudo para os jovens. Na realidade comecei tarde e isso exigiu de mim uma dedicação extrema. Além disso, é preciso paixão porque abdicamos da nossa juventude para nos dedicarmos a isto. É preciso uma dedicação a 100%, uma vontade de ferro, não olhar para trás, para críticas ou julgamentos, seguir em frente com umas palas como os burros, definir os sonhos e trabalhar, trabalhar, trabalhar com muita persistência e dedicação. E os resultados obtêm-se.

A arte é uma coisa divina, ela alimenta a alma das pessoasO César tem, como já mencionou, um currículo bastante extenso, mas o público em geral só começou a ouvir falar de si quando foi convidado para ser jurado do programa ‘Achas que sabes dançar?’, em 2010. Isto é um sinal de que as pessoas ligam pouco à arte ou que há uma fraca aposta nesta área?

Não diria que as pessoas ligam pouco às artes. Acho é que as artes não têm a visibilidade que deveriam ter, o peso e importância que deveriam ter. A arte é uma coisa divina, ela alimenta a alma das pessoas. A arte é algo extraordinário. Se não houvesse arte no nosso planeta isto era caótico. A arte embeleza a nossa natureza e nós humanos tendemos a copiar a arte que existe na natureza. Sem arte o mundo seria uma coisa atroz.

Portanto, acho que tem a ver com a falta de apoio. Essencialmente há uma falta de apoio tremenda ao nível da artes - e da dança nem se fala, porque deve ser das artes que menos apoiada é, e digo-o com conhecimento de causa. Muitas vezes apoiam projetos que nem têm um bom nível técnico e artístico. Sobretudo ao nível do DGArtes - e isto não é uma critica é um apontamento -, já observei muitas vezes projetos que eram apoiados e que não tinham nível, segundo a minha opinião, para tal. Havia projetos de outros coreógrafos e de outros artistas com muito mais nível que nem sequer eram apoiados e que passavam por esses concursos. Acho que tudo isso influencia muito. A DGArtes tinha de ser revista e reestruturada pavio a pavio. Depois - isto não é uma crítica, é uma observação -, todos os governos que têm passado pelo nosso país nunca têm dado a importância necessária à cultura. À cultura e às artes em geral e muito menos à dança. Se a dança é muito pouco apoiada, tem pouca visibilidade, logo os espetadores também conhecem menos e sabem menos sobre nós e sobre o percurso e o trabalho que os bailarinos têm e outros artistas também.

E quando vamos para a televisão, aí sim, o público vê-nos e consegue saber um pouco mais sobre nós, sobre a nossa vida, a nossa carreira e o quão difícil é a dança, que é uma arte muito completa.

Sair de Portugal para vingar nesta área é algo obrigatório?

Acho que é obrigatório, sim. Neste momento quando alguns bailarinos me pedem opinião eu digo: 'Saiam. Saiam imediatamente e tentem trabalhar lá fora' e depois voltem. Portugal e Lisboa são lindos para viver. Nós temos um país extraordinário que penso ser o melhor da Europa para se viver. Aliás, falei com vários embaixadores em trabalhos que fiz com várias embaixadas e todos eles me diziam: “Lisboa é um paraíso. Vocês não sabem o paraíso que têm”.

Quando todos os bailarinos me perguntam, dou-lhes a minha opinião que é irem-se embora. Façam como eu fiz. Também fui para o estrangeiro e isso só me enriqueceu, só elevou o meu nível. Neste momento, como a dança é muito pouco apoiada em Portugal e tem pouca visibilidade, digo para se irem embora, trabalhar com outras companhias, fazer os cursos lá fora e depois voltem quando tiverem nível e quando tiverem quem vos dê trabalho cá e que vos mantenha nesse mesmo nível, porque infelizmente já não há uma Gulbenkian. Há ainda uma Companhia Nacional de Bailado, mas é pouco. Por isso digo, vão embora e voltem só se tiverem trabalho.

Programas como o ‘Achas que sabes dançar’ ou o ‘Let’s Dance’ podem ser um bom trampolim para estes bailarinos ou de pouco ou nada servem?

São uma grande oportunidade para estes jovens aprenderem porque é um treino intenso. Participar nestes programas implica treinos muitos intensos para os jovens que estão competir no programa. Em pouco tempo conseguem trabalhar com muitos coreógrafos, conseguem trabalhar de forma muito intensa e isso é bom para a carreira deles. Depois do concurso, têm de fazer como a Rita Spider, que é ir lá para fora, terem sucesso, porque nós portugueses temos sempre sucesso lá fora. Nós somos pioneiros por natureza. Nós andámos pelo mundo inteiro, conquistámos, entre aspas, o mundo inteiro. Há um estudo inclusive que diz que o ADN lusitano é incomparável, não há outro igual na Europa. Não somos superiores em nada mas somos diferentes.

E temos bons bailarinos em Portugal?

Temos grandes talentos em Portugal. Isso posso afirmar porque conheço. Temos bons talentos alguns ainda cá e outros já se foram.

Enquanto coreógrafo, no que é que se inspira para criar?

Inspiro-me na natureza, porque a natureza é muito rica, inspiro-me nos seres humanos e nas suas atitudes, postura e forma de viver, nas suas emoções. Tudo me inspira. Olho para tudo já como fonte de inspiração. Às vezes é a música , porque oiço a música e ela própria inspira-me, há certas obras que me inspiram profundamente, bem como outros artistas.

Novas formas de dançar são sempre uma mais-valia desde que haja qualidade, técnica e artísticaE o surgimento de novos estilos de dança, são uma mais-valia ou um desafio para quem está a criar?

Acho que são uma mais-valia desde que haja qualidade. No universo, tudo está em mutação constante e portanto nós estamos constantemente a evoluir e a própria dança clássica já não é o que era há uns anos. Apesar de a base ser a mesma, já evoluiu muito tecnicamente. Já há muitas técnicas hoje, como o pilates, que ajudam ao aperfeiçoamento dos corpos, da musculatura, e portanto a própria dança clássica foi-se adaptando e evoluindo. Novas formas de dançar são sempre uma mais-valia desde que haja qualidade, técnica e artística.

Diz que a nova geração de bailarinos tem uma nova forma de encarar a dança? Isso é positivo?

Eu acho que é fruto do século XXI. Nós estamos ligados às máquinas 24 horas por dia. Quando éramos obrigados, entre aspas, a ser criativos inspirávamo-nos em tudo o que nos rodeava. Pelo menos, no meu caso, era muito mais criativo: brincava na natureza, ia para as florestas, ia para o campo com os animais. Respirava natureza e era isso que me inspirava a mim, até quando estava no mundo da química.

Esta nova geração ainda está muito ligada às máquinas e acho que às vezes perde muito tempo com isso, fica um bocado mecanizada. Vejo-a a muito distraída com a tecnologia e às vezes trabalha menos.

Não sei que frutos que esta tecnologia vai dar no futuro mas eu noto que esta nova geração trabalha de forma muito rápida ao nível mental, eu vejo pelo meu filho que apanha as coisas muito mais rápido que eu, ou seja, a rapidez mental é muito superior. Na parte da criatividade, acho que a torna mais limitada. Mas quando se tem talento, tem-se talento. Portanto, qualquer bailarino talentoso, que tenha disciplina, persistência e seja verdadeiramente trabalhador vai florescer, só que de maneira diferente da nossa. Se calhar estão mais aperfeiçoados para o século XXI do que nós e vão florescer com outras capacidades com que nós nem sonhamos. 

E em relação aos apoios de que falava há pouco acha que a previsão para o futuro é de que isso vai melhorar ou não augura um bom futuro para a área?

Este mundo é uma área que deveria ser muita mais estimulada em Portugal através de leis que possam beneficiar os mecenas. As empresas deviam ser muito mais estimuladas a apoiar a arte em vez de apoiarem eventos que nada têm a ver com a arte e que não contribuem muitas vezes para uma sociedade saudável. As empresas e as leis deviam estar feitas para isso. Este Governo já fez uma lei que ajuda um bocado, mas não sei se será suficiente.

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