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Falámos com Albano Jerónimo, o presidente da FIFA em 'El Presidente'

Tivemos ainda a oportunidade de falar com Maria Fernanda Cândido, atriz que também participa na série que acaba de estrear na Amazon Prime Video.

Falámos com Albano Jerónimo, o presidente da FIFA em 'El Presidente'

Os aficionados por futebol poderão assistir a partir do dia 20 de novembro ao Mundial’2022 no Qatar e, por muito entusiasmo que a competição crie entre os apreciadores deste desporto, certo é que muitos também ficarão com um ‘pé atrás’ devido a todas as polémicas em torno desta edição.

A corrupção e os jogos de interesse são críticas frequentemente apontadas à FIFA, tendo-se tornado especialmente sonantes com a escolha do Qatar como país anfitrião. Se está interessado em saber mais sobre o ‘historial’ da FIFA no que diz respeito a processos questionáveis, dificilmente encontrará uma forma mais divertida de o fazer do que com a série ‘El Presidente’.

A série em questão teve agora direito à sua segunda temporada na Amazon Prime Video e, como protagonista, está Albano Jerónimo. O ator português interpreta João Havelange, empresário e advogado brasileiro que ocupou o cargo de presidente da FIFA entre 1974 e 1998 e que é, alegadamente, uma das figuras mais corruptas da história da organização.

Foi para saber mais sobre esta figura e sobre o processo de trabalho em ‘El Presidente’ que o Notícias ao Minuto falou por videochamada com Albano Jerónimo, que respondeu sobre como foi a aprendizagem do português do Brasil e também sobre o que o motivou a interpretar Havelange.

Na conversa esteve, também, a atriz Maria Fernanda Cândido, um nome conhecido das televisões do Brasil que refletiu no que significou ter uma figura brasileira à frente da FIFA e como isso serviu para tornar o país uma nação incontornável do futebol.

Pode ler abaixo a conversa na íntegra.

Notícias ao Minuto© Amazon  

Como foi participar nesta experiência, na produção de um serviço de streaming. Em que medida é que foi diferente de outros projetos?

Albano Jerónimo: Já trabalhei com a HBO, com a Netflix e é a primeira vez que trabalho com a Prime Video. Mas nunca tive a possibilidade de fazer um protagonista numa série internacional. E logo o João Havelange, numa espécie de ‘biopic’ onde o ponto de partida é o futebol, mas a série é tão rica que o que vem à superfície é um discurso sobre política, sobre economia, sobre esta mercantilização das paixões - neste caso do futebol.

Para mim foi absolutamente maravilhosa esta perspetiva, ao fim de oito ‘castings’ ser escolhido para fazer este trabalho. Não podia estar mais feliz.

Maria Fernanda Cândido: Já tive experiência em fazer coisas para televisão no Brasil. É um trabalho com um alcance que atinge um grande público e  que já tive oportunidade de fazer no Brasil, algo que foi sempre uma experiência muito boa e maravilhosa. Mas este é o meu primeiro trabalho no streaming, no sentido que é uma plataforma que vai levar isso para o mundo - se não me engano são 240 países.

Fiquei muito feliz quando recebi o papel, fiz vários testes para isso e fiquei muito alegre por poder participar neste projeto.

Foi uma janela de oportunidade de educação pessoal. É fundamental ter esta musicalidade do português do Brasil

Já que a Maria tem experiência a trabalhar com televisão no Brasil, em que medida é que uma produção brasileira é diferente de uma produção para um serviço de streaming desta envergadura?

MFC: Acho que existem especificidades para cada tipo de processo, quer falemos de cinema mais comercial ou de um cinema mais experimental. Tudo isso vai dando especificidades e características diferentes para cada tipo de trabalho.

A televisão no Brasil é muito potente, também é muito grande. Temos um quotidiano muito intenso, é uma carga horária muito forte. Neste caso achei diferente, por exemplo, porque estávamos no meio de uma pandemia que me fez mudar para o Uruguai com a minha família por pouco mais de cinco meses. Tudo isso confere características muito específicas para o trabalho, também pelo facto de não termos estúdio. Foi muito específico e muito único para mim.

Notícias ao Minuto© Amazon  

Albano, aqui há uns tempos falámos com o Rodrigo Santoro a propósito do processo de aprendizagem do português de Portugal. Faço a pergunta inversa, como é que foi aprender a falar o português do Brasil? Que tipo de processo é que teve?

AJ: Tive o auxílio absolutamente fantástico da Leila (uma fonoaudióloga no Brasil), que foi fundamental para desenvolver e descobrir este João Havelange. Mas obviamente foi uma janela de oportunidade de educação pessoal. É fundamental ter esta musicalidade do português do Brasil. Porque é outra lógica, é outra forma de relacionamento. As coisas ficam com outro ‘swing’ e tudo isso potencia o ‘mergulho’ neste João Havelange.

Porque a ideia era humanizá-lo, era mostrar este lado mais íntimo do Havelange e quebrar este bloco de poder que ele sempre transmitiu. Esta série vem a decapar um bocadinho a personalidade dele mostrando as fragilidades, as falhas e os erros. E eles surgem como momentos de construção. Aqui entram os meus queridos colegas atores e tive a sorte com profissionais altamente talentosos.

Como a Maria disse, todo o processo - estar em outro país e ter um ‘coaching’ diário - potenciou o meu ‘mergulho’ na personagem do João Havelange.

Quisemos criar com esta série uma paródia sobre este desporto de 22 pessoas atrás de uma bola

Especificamente sobre a personagem que o Albano interpretou, como foi o processo de desenvolvimento na altura que nos encontramos - prestes a iniciar um Mundial de futebol tão envolto em polémica?

AJ: Foi com muito entusiasmo e muito interesse no sentido em que nos interessava explorar e expôr o ‘modus operandi’ de como a FIFA cresceu e se solidificou até hoje. De como chegámos até ao Mundial do Qatar - que relembro, foi o último escolhido pelo Havelange.

Tudo isto, esta máquina que é o futebol e que se desumanizou e onde o desporto não é mais um desporto, é um negócio. Como é que isto te afeta, como é que isto te muda e te altera nestas paixões, como é que te corrompe a paixão pelo futebol?

Mas, sobretudo, quisemos criar com esta série uma paródia sobre este desporto de 22 pessoas atrás de uma bola. Ao criar esta paródia cria-se um mecanismo de reflexão, de afastamento sobre a ação e criam-se outras camadas de entendimento e de possibilidade que permite ao público entrar. E nesse processo o público tem momentos em que se olha ao espelho, de refletir sobre as várias escolhas: porquê um Mundial no Qatar? O que é que isso implica? Ou seja, um país que nunca teve uma realidade futebolística, está de repente a organizar um Mundial. Porquê? Porque razões? O que houve pelo meio?

Esta série permite abrir uma porta para mostrar os mecanismos de bastidores. Como é que se pode chegar, em 2022, a um Mundial no Qatar? É um bocadinho isto.

Notícias ao Minuto© Amazon  

Sendo a Maria brasileira, como é que vê o processo como o Havelange afirmou o Brasil junto das outras nações enquanto país do futebol?

MFC: Poderia dizer para você que este projeto foi uma grande aprendizagem, uma grande oportunidade de conhecer este processo todo. Obviamente, vamos estereotipar o Havelange e inicialmente julgar a forma como ele fez as coisas.

Depois, podendo entrar um pouco mais na história e conhecer melhor o que de facto aconteceu, vamos perceber que ele fez um movimento muito importante de incluir os países periféricos - da América Latina e da África - num mundo que antes era absolutamente elitizado, coordenado por um pequeno grupo de países europeus.

Este movimento deste ser estrangeiro que chega dentro de uma comunidade elitista e fechada e consegue abrir um espaço para outros que estão marginalizados e que são periféricos, é algo que também é importante de se reconhecer.

Então este trabalho permitiu-me refletir sobre este homem - João Havelange - com todas as suas controvérsias, que nos fazem detestá-lo e também amá-lo em muitos momentos. Para além disso, fez-me também pensar em como o futebol no Brasil está intrinsecamente ligado à política, à economia e também à nossa própria cultura.

Essa série, além de todo o entretenimento que ela traz com o seu humor refinado e inteligente, ela também vai ser um grande convite à reflexão de muitas questões importantes para todos nós.

Leia Também: Benfica terá direito a série documental na Amazon Prime Video

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