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Prime Video. Conversámos com Rodrigo Santoro sobre 'Sem Limites'

O ator brasileiro interpreta o explorador português Fernão de Magalhães na nova série do serviço de streaming da Amazon.

Prime Video. Conversámos com Rodrigo Santoro sobre 'Sem Limites'

Chega esta sexta-feira, dia 24, ao Prime Video da Amazon uma nova série que deverá ser do interesse de todos os aficionados pela temática das expedições marítimas de Portugal e Espanha na época das Navegações.

‘Sem Limites’ conta a história da primeira circum-navegação, em 1522, liderada por Fernão de Magalhães, explorador português que teve a seu lado o espanhol Juan Sebastián Elcano, numa empreitada apoiada pelo que era na altura o rei de Espanha.

A série ‘Sem Limites’ conta com Rodrigo Santoro no papel de Fernão de Magalhães e conversámos com o ator brasileiro para tentar perceber um pouco melhor a preparação necessária para o papel.

As diferentes versões dos acontecimentos históricos, a pesquisa sobre a personagem e também o treino para fazer justiça à pronúncia portuguesa foram alguns dos temas abordados na entrevista que pode ler na íntegra abaixo.

Os seis episódios de ‘Sem Limites’ já podem ser vistos através do Prime Video da Amazon.

Sendo uma personagem histórica é natural que o Rodrigo tenha feito uma boa dose de preparação e pesquisa antes das filmagens de ‘Sem Limites’. Como foi esse processo?

Esse guião chegou para mim pouco antes do início da primeira quarentena, então passei aqueles primeiros oito meses confinado com a minha esposa, a minha filha e o Fernão de Magalhães.

Estive no computador e vi tudo o que possa imaginar sobre o Magalhães - e não só, também a História de Portugal, de Espanha e da Europa na altura. Eu sou muito curioso, tinha muito tempo (até demais) e no começo estudei muito.

Depois trabalhei com uma historiadora. O Magalhães é uma figura muito polémica - para alguns é um herói, para outros um vilão e um traidor… Há opiniões muito distintas. Mas eu precisava humanizar a personagem e mostrar quem foi este homem. Esta historiadora me conseguiu o testamento do Magalhães, que me revelou caraterísticas como o facto de ser muito religioso e também a forma como falava, pensava e também um pouco da história como cresceu.

O Magalhães fica órfão e cresce na corte enquanto pajem porque não era nobre e, naturalmente, desejando crescer e pertencer. Mas tinha uma relação muito complicada com o Rei. Ele lutou em muitas batalhas por Portugal, se feriu muito e sentia que o Rei não reconhecia os seus esforços. Até ao momento em que, já com acesso à biblioteca náutica, encontra o estreito, junta várias informações, amadurece a ideia e tenta oferecer a proposta ao Rei, que não tinha a missão do Magalhães como prioridade.

Segundo a História, Magalhães pede permissão ao Rei de Portugal para buscar outro monarca para financiar a missão. O Rei dá-lhe essa permissão e [Magalhães] encontra em Espanha um Rei jovem, acabado de chegar, que tinha coisas a provar e que aceita a ideia com muitas condições.

Foi muito importante chegar à essência e saber quem é esse homem - um homem do seu tempo, independente da figura romântica de um herói, de um explorador, de navegador. Me parecia, naturalmente, que era um homem obsessivo, obstinado, extremista, duro, mas um grande homem e com uma força monumental.

Trabalho. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, escutar, escutar e escutar. Eu ficava escutando, o Gonçalo [Diniz] gravava e escutava e dizia-me ‘Olha aqui, abrasileirou aqui’. É cirúrgico este trabalho

Esta é uma produção da Amazon com a televisão espanhola RTVE. O Rodrigo conseguiu trazer alguma coisa da cultura portuguesa para a série?

Te digo uma coisa: foi com muito esforço e trabalho que o consegui. O guião estava todo em espanhol e conversei com o produtor logo no começo para dizer que era fundamental ter a língua portuguesa representada. Disse que era brasileiro mas que iria trabalhar o sotaque e o ia fazer porque era fundamental. Foi uma negociação longa. Eu tinha o Gonçalo Diniz, que faz o Duarte Barbosa, para me ajudar como ‘coach’.

O que conseguimos é que, antes de Magalhães ir para Espanha, temos algumas cenas em português e depois, todas as vezes que a personagem está com Duarte Barbosa no barco, falamos em português.

Se o Rodrigo tivesse de aconselhar outros atores brasileiros que queiram fazer papéis em português de Portugal, que truques é que lhes passaria?

Trabalho. Trabalhar, trabalhar, trabalhar, escutar, escutar e escutar. Eu ficava falando, o Gonçalo [Diniz] gravava e escutava e dizia-me ‘Olha aqui, abrasileirou aqui’. É cirúrgico este trabalho. Já trabalhei bastante com sotaques, inclusive tive de fazer um sotaque castelhano de Espanha, que é diferente do meu sotaque latino-americano.

Na época não existia. O Magalhães não pode falar com um sotaque latino-americano, porque não tinham chegado até aí e então tinha de falar como os espanhóis. Mas foi um trabalho muito técnico nesses dois sotaques, nessas duas línguas.

O difícil aqui é saber onde estava Magalhães, depois de dois anos e meio com fome, com sede, no mar…

Tendo em conta que História é sempre uma questão de perspetiva, muitas vezes política até, imagino que combinar a perspetiva de uma personalidade portuguesa com uma empreitada castelhana não deva ser fácil. Sobretudo para atender a todas as sensibilidades, imagino que deva ter sido um equilíbrio…

Exatamente isso. Estivemos aí como equilibristas, sentindo instintivamente, sempre com diplomacia, mas com a camisa portuguesa. A personagem é portuguesa!

A verdade é que a série não tenta ser documental. Não é uma reconstituição histórica. Ela é baseada nos factos históricos em literatura. Existem algumas licenças criativas para as personagens e para os relacionamentos… Por exemplo, a relação do Magalhães com o [Juan Sebastián] Elcano.

Se você procura na História, você encontra trilhões de coisas sobre o Magalhães e o mesmo não acontece com o Elcano. É uma história mais conhecida aqui, para os espanhóis, do que no mundo.

A série ‘Sem Limites’ vai até à morte de Fernão de Magalhães?

[A série] vai até depois, até à volta no final. Vai até à morte [do Magalhães] e então o Elcano termina a volta ao mundo - chega às Índias, termina a circum-navegação e acaba em Espanha.

Há um grande debate em torno da morte de Fernão de Magalhães, se terá sido intencional ou não. Como é que foi colocar essa parte na série?

Essa é uma questão polémica, porque há opiniões diferentes. Se existe algum consenso é que o Magalhães resolve entrar numa briga com alguns indígenas que estavam contra outros indígenas, os quais já tinham sido evangelizados e faziam parte da coroa.

Então ele vê-se obrigado a defendê-los, apesar dos apelos da tripulação para irem embora. E ele diz que não, que os indígenas são parte da coroa e merecem proteção da coroa. Na verdade, é muito nobre o que ele fez.

E então, essa outra tribo que era muito agressiva chega e ameaça a tribo do Magalhães, que diz que vai conversar com eles. O difícil aqui é saber onde estava Magalhães, depois de dois anos e meio com fome, com sede, no mar… É difícil saber em que lugar ele estava e isso eu tentei buscar esse lugar interno e eu acho que a morte ficou muito bonita, ficou poética.

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