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Rede social chinesa suspende contas por "informação política prejudicial"

A rede social Weibo, equivalente chinês ao Twitter, suspendeu mais de cinquenta contas de "líderes de opinião" da China, por publicação de "informação política prejudicial", informou hoje um jornal de Hong Kong.

Rede social chinesa suspende contas por "informação política prejudicial"
Notícias ao Minuto

10:57 - 09/04/19 por Lusa

Tech Weibo

Segundo o South China Morning Post (SCMP), entre os perfis suspensos consta Yu Jianrong, um investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais que tem mais de sete milhões de seguidores e é visto como defensor de "políticas liberais".

A conta de Yu vai estar inacessível durante os próximos 90 dias.

"É muito estranho: não sei qual dos meus comentários violou os regulamentos", disse, citado pelo SCMP.

O académico acrescentou que, nos últimos dois anos, se absteve de publicar qualquer mensagem política na sua conta.

Para o Weibo, "informação política prejudicial" não se refere apenas a conteúdo que viole as leis ou a Constituição da China, mas também a rumores ou "informações adversas", suscetíveis de minar os "valores da sociedade".

"São temas quotidianos sobre arte. Não houve qualquer" informação política, garantiu o especialista.

Yu ganhou notoriedade nas redes sociais chinesas em 2011, quando os regulamentos eram menos restritos, através da publicação de uma série de fotografias de crianças a mendigar, visando reuni-los com os seus pais e promover a doação de livros para as áreas rurais.

Outra das contas "silenciadas" nos próximos 90 dias é a de Wang Xiaolei, ex-repórter da agência noticiosa oficial Xinhua.

Apesar de não publicar mensagens com conteúdo político explicito, o antigo jornalista, que tem meio milhão de seguidores, refere-se muitas vezes à dinastia Tang ou a histórias sobre artes marciais de Jing Song - o pseudónimo da jornalista de Hong Kong Louis Cha -, vistas como uma alusão indireta à atualidade na China.

Estas suspensões fazem parte de uma campanha para "limpar e retificar" a Internet, lançada, no ano passado pela Administração da China do Ciberespaço (CAC), a agência encarregue da censura dos conteúdos 'online'.

Em novembro passado, a agência anunciou a suspensão de 9.800 contas nas redes sociais do país, incluindo no Weibo e WeChat.

O regulador chinês para o ciberespaço considerou ainda que o Weibo "violou as leis e regulamentos do país, ao orientar a opinião pública para a direção errada e exercer má influência".

As autoridades puniram a rede social com a suspensão, por uma semana, de algumas das suas ferramentas, incluindo a lista dos tópicos mais compartilhados, ou um serviço pago para fazer perguntas a celebridades.

A censura imposta por Pequim no ciberespaço resulta no bloqueio de vários portais estrangeiros e alguns serviços de "gigantes" do setor, como o Facebook, Google ou Twitter.

Considerada até há poucos anos o espaço mais livre na China, a Internet tem sido alvo de crescente censura, após a aprovação de uma lei de segurança no ciberespaço, no verão passado.

O Governo ordenou aos responsáveis por conteúdo 'online' que forneçam informação que esteja "ao serviço do socialismo e da orientação correta da opinião pública".

O Weibo tem quase 500 milhões de usuários ativos. O país mais populoso do mundo, com cerca de 1.400 milhões de habitantes, é também o que tem a maior população 'online' - mais de 800 milhões.

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