Salários da CGD. O que une e divide João Galamba e Mesquita Nunes

João Galamba, do PS, e Adolfo Mesquita Nunes, do CDS, comentaram esta noite um dos assuntos que tem marcado a atualidade: os salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos.

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Política Críticas

Já é conhecida a remuneração do novo presidente da Caixa, António Domingues: 423 mil euros anuais. O tema divide a opinião pública e foi assunto no Parlamento, na sequência de uma proposta dos comunistas que acabaria por chumbar.

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O Bloco, o PCP e o PEV mostraram-se contra os salários milionários sendo que a proposta do PCP, que sugeria limitar os salários a 90% do da Presidência da República, foi chumbada em sede de comissão parlamentar com os votos contra de PS e PSD.

Adolfo Mesquita Nunes realçou a posição do CDS, afirmando que os centristas já propuseram anteriormente limites e que defendem um “salário que, correspondendo a expectativas de mercado, pudesse ser limitado pela circunstância orçamental”, dado o facto de a Caixa ser um banco público.

O centrista afirmou ainda que o seu partido sempre manteve a “disponibilidade para olhar para esta matéria sem as demagogias de quem considera que, na banca, que trabalha em concorrência, se tem que ter um salário para que os portugueses batam palmas nas redes sociais”. Os alvos das críticas? Os partidos à Esquerda na maioria parlamentar. “PCP e Bloco de Esquerda limitam-se a fazer declarações para a ata. Ao final do dia fica tudo na mesma. Salário fica na mesma e o debate não deu em nada”

João Galamba não defendeu as posições de Bloco e PCP mas defende que, sendo partidos que “têm uma posição de limites salariais até nas empresas privadas”, foram “coerentes” com as suas posições.

O deputado disse ainda que não concorda que não tenha sido feito nada. “O PCP fez de facto uma proposta. Fez o que lhe compete (…) a proposta é que não foi aprovada, ironizando que “quem não aprovou essa proposta e se queixa dos salários é que se calhar devia justificá-lo”.

Sobre a posição dos socialistas em particular, diz João Galamba que para “quem defende um banco público” há esta consequência: “se queremos que a Caixa tenha quadros de qualidade, todos os salários da Caixa têm de alguma forma estar relacionados com o mercado onde operam”.

Como alternativa, Galamba diz que “se nos queixamos de salários elevados, e de facto a banca paga salários muito elevados e até às vezes indecorosos, penso que a única forma não populista de tratar esse tema é: se achamos que há salários muito elevados em Portugal, então taxemos esses salários”.

Habitualmente em posições divergentes, o centrista e o socialista mantiveram-se hoje em posições algo semelhantes. As críticas, essas, ficaram reservadas para outros partidos: da parte do socialista à eventual falta de coerência do PSD, da parte do centrista à pressão que os partidos à Esquerda poderiam exercer sobre o Governo sobre os salários no banco público.

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